Flávia Saad
Texto porFlávia Saad
37 anos - Santos (SP)

Luiza Fazio: uma santista na equipe de Samantha! na Netflix

Samantha! é a série original da Netflix mais legal que talvez você não esteja vendo.

Seguindo na trilha de hits como Stranger Things e Glow (amo as duas!), a produção pega referências dos anos 80 numa vibe “sessão da tarde” e divide naquele formato que a gente ama: altamente maratonável.

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Dá pra assistir rapidinho os 7 episódios da primeira temporada em uma tacada. E as risadas estão garantidas com a história da personagem-título, uma mulher de seus 30 e tantos anos que ficou famosa como cantora quando criança, casou com um ex-jogador de futebol enquanto ele estava preso e tenta se agarrar à celebridade que já teve.

O que você vai ver na tela é, definitivamente, um verniz bem engraçado e interessante da realidade das popstars brasileiras daquela década, figurinos incríveis, uma trilha sonora que gruda nos ouvidos (quero ver você não cantar a música da Turminha Plimplom!) e personagens que te fazem rir alto em várias cenas do seriado.

Samantha! na Netflix

Essa é a primeira série de comédia brasileira do serviço de streaming e merece muitos aplausos. Emanuelle Araújo arrasa como a ex-estrela mirim e o resto do elenco, idem.

Descobrimos um fato bem interessante sobre Samantha!: tem santista na equipe de produção.

A jovem Luiza Fazio, de 24 anos, integra o time criativo da Losbragas, produtora da série. Em Samantha!, ela atuou como assistente de roteiro e agora está também envolvida no projeto Sintonia, da mesma produtora para a Netflix, com direção de Kondzilla.

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Conversamos com ela pra saber mais sobre sua carreira e seu futuro.

Juicy Santos: Como você entrou no mundo do audiovisual?
Luiza Fazio: Desde criança, sempre gostei de filmes e séries. Tenho uma tia que é filósofa e sempre me introduziu a produções mais cult. E, com a minha mãe, assistia às séries clássicas norte-americanas, como A Feiticeira e Jeanie é Um Gênio. Mas, quando criança, não me via fazendo cinema.

Como gostava de ler e escrever, produzia muitos textos. Tive um grupo de criação com amigas de infância, algo despretensioso, mas que me estimulava demais. Na adolescência, ainda no Ensino Médio, entrei para um grupo de escrita na Livraria Realejo com a minha mãe. Todo mundo era bem mais velho do que eu. Escrevíamos contos e montamos um projeto de livro com um conto de cada autor. Ganhamos um PROAC e o livro foi publicado. Foi a primeira vez que senti que tinha talento pra isso.

Escrever é algo bem difícil, pois você transpira muito até chegar a um resultado satisfatório. É doloroso, mas muito legal ao mesmo tempo.

No vestibular, tinha como opções carreiras que envolviam a escrita: Jornalismo, Letras ou Estudos Literários. Com 16 anos, passei no vestibular da Cásper Líbero e me mudei pra São Paulo para cursar Jornalismo. Gostei muito do curso, só que não gostava de escrever reportagem, achava um pouco chato escrever sobre a realidade. Durante a faculdade, fiz alguns cursos paralelos e trabalhei com design de revista, que é algo bem criativo. Até que um dia, tive uma ideia para um conto que eu não conseguia colocar no papel. A mídia impressa não era suficiente.

Pensei em transformar esse conto em um filme, porque percebi que era o único jeito de torná-lo real. Eu não conseguiria expressar o que queria dizer só com palavras, precisava de imagens. Aí comecei a fazer um curso de roteiro de cinema e adorei. No terceiro ano, me envolvi com um pessoal de Rádio e TV na faculdade, ajudei no roteiro e gostei muito. Em paralelo, eu já guardava um dinheiro para fazer algum curso no exterior depois da faculdade.

Achei um curso na UCLA chamado Professional Program in Writing for Television, focado em escrita de série de TV, que é o que me interessa mais. Um filme você escreve sozinho; em séries, há o momento de troca que é muito rico pra mim.

Me inscrevi nessa pós em Los Angeles, enviei minha carta de aplicação e um roteiro e passei. Por lá, escrevi dois pilotos de séries originais que eu criei e aprendi muito. Finalmente me encontrei na escrita.

Juicy Santos: O que mais te encanta em escrever roteiros?
Luiza Fazio: Fazer roteiro é muito legal, porque você não trabalha sozinho. Tem uma equipe por trás e as pessoas colaboram juntas. Pesquisei e descobri que, nas séries de TV, as pessoas escrevem em salas de roteiro, ou seja, são várias pessoas juntas ao mesmo tempo fazendo um brainstorming. Isso era justamente o que eu fazia aos 12, 13 anos com as minhas amigas. Aí pensei: “quero fazer isso na minha vida! Já pensou, ganhar dinheiro criando mundos?

Juicy Santos: E como aconteceu seu envolvimento em Samantha!?
Luiza Fazio: Voltei dos EUA no final de 2015 e comecei a trabalhar em produção. Fui assistente de produção em um documentário da Vice Brasil sobre a parada LGBT e mandei muito currículo pra produtoras da cidade, ligando e tentando uma oportunidade. Entrei na Losbragas chamada pelo Felipe Braga, como assistente de roteiro na série Samantha!.

Juicy Santos: Como é produzir para a Netflix?
Luiza Fazio: As séries da Netflix têm uma hierarquia baseada no modelo americano: o showrunner, os roteiristas, o coordenador de roteiro (que faz a ponte entre a sala de roteiro e a produção) e o assistente de roteiro. Como assistente de roteiro, eu ficava em todas as reuniões, anotava a ata, dava pitches de ideias, contribuía para a história, escrevia as sinopses e documentação para enviar pra Netflix.

Também ajudava muito o coordenador na hora de linkar o roteiro com a produção, com papéis como analisar casting e locação, por exemplo.

O assistente (de roteiro) mexe tanto com a parte criativa quanto com a produção. A gente organiza as ideias e passa pra equipe o roteiro atualizado.

Dessa forma, circulei por todo o set, vi como funcionava. Foi uma experiência muito legal pra primeira vez no cinema, apesar de ter sido um grande desafio.

O Felipe Braga (showrunner) deu muita liberdade pra equipe. Muitas das minhas ideias foram ouvidas e estão na tela, isso é muito legal.

Juicy Santos: As referências são um personagem à parte em Samantha!. Algumas são bem óbvias. Mas conta pra gente de onde vieram as inspirações.
Luiza Fazio: As referências vieram da fonte mesmo, como os vídeos da época e as propagandas também. Pesquisamos muito sobre como os personagens da época estão hoje em dia. Ou seja, foi um mergulho nesse universo.

Juicy Santos: Qual é o seu episódio favorito de Samantha!?
Luiza Fazio: O quarto episódio, da blogueira Layla. Eu adoro como a personagem se desenvolveu e virou a sátira ambulante do que significa ter fama hoje em dia, enquanto a Samantha representa o que era ser famosa no passado. Aí as duas começam como rivais, mas depois se juntam no ódio ao Dodói e depois aparece o antagonismo de novo. Adoro o episódio porque ele fala muito sobre o que é a série e o tom da história. E a Emanuelle (Araújo, que faz Samantha) e Lorena (Comparato, que faz Layla) juntas, fica uma explosão. E um dos meus momentos favoritos de toda a série é quando a Samantha usa do feminismo pra ser protagonista no comercial de cerveja (episódio 2). É meio polêmico, mas reflete muito a essência da personagem.

Juicy Santos: E agora, qual será seu próximo projeto?
Luiza Fazio: Agora entrei na equipe de Sintonia, outra série da Netflix, dirigida pelo Kondzilla, como coordenadora de roteiro. É um projeto gigante e lindo, no qual estou aprendendo muito. A equipe inteira é incrível, e o Kondzilla é uma pessoa iluminada! Vou ficar até o fim do ano em Sintonia e fixa no time criativo da Los Bragas.

Tenho também meus projetos pessoais, que escrevo em casa, e quero tentar também fazer mestrado na USP, pois gosto muito

Meu plano maior é visitar o Japão antes dos 30 (anos).

Juicy Santos: E quando você vem vistar Santos?
Luiza Fazio: Minha família inteira é de Santos, então tento ir a cada 15 dias. Se não vou, fico mal, pois eu tenho uma relação muito forte com o mar. Às vezes, desço do ônibus com chuva, mas preciso ir até a água pra molhar as mãos ou até só olhar o mar. É uma reciclagem da energia, porque São Paulo suga muito a gente.

O que me dá mais saudades é o mar e minha família, claro. Minhas lembranças mais legais são sair da escola e voltar pra casa à pé pela praia com os amigos, era muito gostoso. Amo comer um milho e tomar uma água de coco ou patinar no jardim.

E eu, que sou vegana, tenho várias boas opções em Santos agora.

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Em tempo: a segunda temporada de Samantha! já está confirmada!