Texto porWagner Alcântara

Maradona no Carnaval de Santos

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Os blocos carnavalescos – que, no santistês, chamamos “bandas” – já estão nas ruas há algumas semanas, e, mesmo com incidentes, a festa está mantida (ainda bem). E vem mais por aí.

O Carnabonde, talvez o mais peculiar deles, sai no sábado de Carnaval, 22 de fevereiro.

Os desfiles das escolas de samba, outra tradição do Carnaval de Santos, ocorrem uma semana antes dos de SP e RJ (14 e 15 de fevereiro). E nomes como Xande de Pilares, Ito Melodia e a rainha das rainhas de bateria, Viviane Araújo, vão desfilar pela Passarela do Samba Dráuzio da Cruz.

Certeza de espetáculo.

E olha a responsa dessa gente.

Porque o Carnaval de Santos tem na história registros memoráveis.

Este que lhes conto vem da Santos dos anos 90.

Pitoresco.

Carnaval de 1998.

Um trio elétrico da Banda do Barril arrastava, como diz o linguajar do metiê, multidão por ruas da Ponta da Praia – incluindo a avenida da orla.

Além do samba e do axé music entoados, uma figura agitava os foliões: Diego Armando Maradona.

Sim, eles mesmo: Maradona.


Notícia no Estadão de 19/02/1998

O craque argentino, que três anos antes estivera na Vila Belmiro e quase fechara contrato para jogar no Santos Futebol Clube, voltava a Santos.

Trocava o desfile nos gramados do Urbano Caldeira pela ginga em cima do trio elétrico.

Maradona veio como convidado especial do amigo Serginho Chulapa.

Chulapa, vale dizer para os que não são do futebol, fizera história vestindo a camisa 9 do Peixe.

Àquela época, mantinha um bar, em frente ao Aquário – o Barril 2000. Organizava peladas na areia da praia e, no asfalto, promovia um desfile de banda no pré-Carnaval santista (o Carnabanda de hoje).

Maradona, hoje comandando o Gimnasia y Esgrima de La Plata. Foto de divulgação do clube.

A presença de Maradona no Carnaval em Santos em 18 de fevereiro de 1998 não passou despercebida pelos foliões – nem pela turma do futebol, nem pela imprensa, nem por ninguém.

El Pibe em cima de um trio elétrico na Ponta da Praia repercutiu por aí.

Si yo fuera Maradona, como canta Manu Chao, viviría como el.

Não viveríamos?

*A coluna Santos90, dedicada a resgatar a memória da cidade e da região na década mais divertida do século XX, tem autoria de Wagner de Alcântara Aragão, em colaboração para o Juicy Santos.