08/07/2018 Por Veronica Lira Opinião

A arma secreta contra a vergonha feminina

Poucas coisas me impactaram mais do que ver a texana Brené Brown falar em um TED sobre vergonha, há alguns anos.

Descobri dezenas de pesquisas, palestras e cursos sobre o assunto.

Falar de vergonha parece estar na moda.

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O tema é tão extenso e complexo e abrange tantos setores da vida que fica complicado desenvolver tudo aqui.

O que eu quero, hoje, é falar como a vergonha afeta a nós, mulheres, especialmente em relação à nossa aparência.

As mulheres e a vergonha

Desde que o mundo “civilizado” é mundo, vivemos numa cultura patriarcal: a força e o poder das mulheres foram contidos, impedidos, abafados, censurados.

As meninas aprendem, desde muito cedo, talvez desde o pecado original, a sentir vergonha de si mesmas.

Afinal, fomos nós, maquiavélicas, que estendemos a maçã ao homem, que ouvimos o chamado da serpente. Fomos nos as causadoras da expulsão do paraíso e as primeiras a sentir vergonha de nossos corpos nus.

A partir daí, vivemos reprimindo desejos e potenciais, em nome da manutenção da sociedade como a conhecemos hoje.

Sempre fomos nós quem nos sacrificamos mais, em termos emocionais. Os homens foram guerrear e nós travamos batalhas internas contra nossas próprias vontades e necessidades para “mantermos a paz” doméstica.

Essa vergonha ainda incide em nossos corpos, na eterna exigência de juventude e beleza padronizadas.

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Nossos corpos passaram a ser tutelados por um modelo inatingível e essa também é uma forma eficaz de controle do poder feminino. Se nos aceitássemos mais como somos, a indústria da beleza perderia muito.

Sem vergonha

A vergonha detesta a exposição, é como expor um vampiro emocional à luz do dia. Revelar nossas fragilidades e imperfeições pode ser uma arma eficaz contra esse mal.

E as youtubers da nova geração sabem usar essa arma como ninguém.

Elas têm menos de 30 anos e desafiam os padrões impostos, falando abertamente de sexualidade, imagem corporal, racismo.

Meninas que jamais teriam espaço na mídia tradicional começam a aparecer na TV aberta, lançam marcas de lingerie, de shampoo, desfilam em passarelas e ditam moda Brasil afora. Estão inaugurando uma nova era na publicidade e forçando o mercado a repensar produtos e serviços voltados ao público feminino.

A revolução contra a vergonha, curiosamente, tem sido feita através da fragilidade e da vulnerabilidade. Reconhecer que somos imperfeitas, que talvez jamais iremos atingir determinados padrões de beleza e conduta pode ser altamente libertador.

www.juicysantos.com.br - não precisa ter vergonha

Mas tudo tem um preço: correr o risco da exposição emocional, de nos vermos reais e não num modelo idealizado.

Ao deixarmos de lado a corrida pela perfeição, vai sobrar mais tempo pra vivermos nossas próprias vidas. E isso pode representar um grande desafio: escolher caminhos pouco convencionais ou tomar decisões que desafiam o senso comum ainda são atitudes arriscadas num mundo onde se encaixar é a norma.

Podemos sofrer nas mãos dos haters. Mas, em compensação, viveremos uma vida mais autêntica, fazendo finalmente as pazes com o espelho.

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