Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

Santos e o café, uma história de amor maior que as xícaras rotineiras

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Esse seria um ótimo roteiro de filme. Há quase 300 anos, um homem desembarcou no Brasil vindo da Guaina Francesa com um punhado de grãos em sua mala. Seu nome era Francisco de Melo Palheta e eram de café as pequenas sementes que ele carregava. Talvez ele não soubesse, mas estava prestes a mudar o costume de toda uma sociedade. Pois se passaram menos de 100 anos para o café se tornar uma paixão nacional.

Prova disso é que, no calendário brasileiro, o dia 14 de abril é considerado o Dia Internacional do Café.

Mas, curiosamente, a data só é comemorada por aqui. Aliás, vale dizer: o Brasil ocupa o segundo lugar em quantidade de consumo de café no mundo (atrás apenas dos Estados Unidos).

www.juicysantos.com.br - santos e a história do café

E, se a história nacional com os grãos poderia ser roteiro de filme, a história de Santos e o café daria um trilogia completa. Afinal, os grãos foram os responsáveis por gerar riqueza e progressos para a cidade. Também podemos dizer que o café mudou costumes e a qualidade de vida dos santistas. Não acredita? Pois então vamos a um exemplo: a 1ª ferrovia da cidade surgiu graças ao comércio dos grãos. E esse é apenas um capítulo da história de Santos e o café.

Se acaso você quer conhecer esse romance completo, pegue seu café e embarque nesse história com o Juicy!

Santos e o Café, uma verdadeira história de amor

Uma paixão enlouquecedora

Um bom roteiro de amor sempre tem uma paixão ardente, daquelas que motiva uma reviravolta. E em Santos, Julia Cristy poderia ser a personagem que faz par romântico com o café. A história dela, no entanto, começou bem depois da colaboração de Palheta: a santista tem 20 anos, cabelos curtinhos e, às vezes, coloridos. Ela adicionou o café em sua rotina apenas quando entrou para a faculdade. O objetivo era se manter acordada para dar conta dos estudos necessários para se tornar uma biomédica e também das responsabilidades em seu primeiro emprego.

Corte para outra cena: em 1917, Santos ganhou uma repartição apenas para cuidar da exportação do café. Cinco anos depois, o pequeno escritório se tornou um palácio na Rua Quinze de Novembro. O local, inclusive, foi considerado a Wall Street Santista, dado o movimento financeiro que era causado pelas transações da chamada Bolsa do Café.

De volta à nossa história de amor, o prédio se tornou um museu totalmente dedicado ao café em 1998. E foi lá que Julia conseguiu seu primeiro emprego, como atendente.

“Considero que foi meu berço no universo do café. Me apaixonei e a cada dia me encantava mais. Como eu era funcionária, podia pegar os livros da biblioteca e foi assim que comecei os meus estudos sobre café”.

Com o avanço dos estudos e a inserção cada vez maior no tema, Julia decidiu largar a faculdade (apesar da bolsa de estudos de 70%) e se dedicar exclusivamente ao café. Embarcou para São Paulo e voltou para Santos como barista, uma decisão que, às vezes, ainda é questionada por sua mãe.

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Se o roteiro fosse de um folhetim adolescente, Gabriela Olmos poderia ser a terceira pessoa na história de amor. Afinal, a jornalista também é apaixonada por café – mas não largou a profissão por ele. Aliás, foi a loucura das redações que introduziu a cafeína em sua rotina.

O novo vinho

Há três anos, o que era apenas um cafezinho para Gabi se tornou algo mais sério. Através de sua companheira, que é gastróloga, a jornalista descobriu o universo dos cafés gourmet.

Segundo estimativas, o consumo dos cafés especiais aumentou cerca de 19% só em 2018. E, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria do Café (ABIC), nos últimos anos, a busca por café entre jovens com idade entre 15 e 19 anos aumentou em 6%.

Gabriela faz parte do primeiro cálculo, pois é a consumidora que se preocupa com os grãos que consome. Só para exemplificar, na cozinha da casa dela, é possível encontrar moedor, balança de precisão e diferentes grãos de café. Aos finais de semana, a tradição é conhecer novos métodos de preparo.

“Experimentar diferentes (preparos) faz a gente entender um pouco mais sobre as diferenças, o impacto de sabor quando um grão vem de um solo ou de outro e por aí vai… Eu e a minha companheira adoramos fazer testes e descobrir um novo sabor ou uma nova aparência e cor”, explica.

É como apreciar vinho ou cerveja, por exemplo. Você vai educando o seu paladar”.

Cafés especiais em Santos

Quem quer entrar para essa história, mas não pretende mudar de carreira profissional ou equipar a cozinha, encontra bons cenários entre os 7 canais de Santos. Pois apesar não de não ter um número equivalente ao das farmácias, as cafeterias especializadas em atender o público que busca cafés especiais em Santos têm crescido por aqui.

O Rei do Café, na Rua Gonçalves Dias, provavelmente foi a primeira.

Afinal, a casa exala o cheiro de café pelas ruas do Centro sendo torrado há 107 anos. Antes mesmo da construção da Bolsa do Café, o casarão de esquina já tinha sacos de café ainda verde em um canto e o maquinário necessário para torrar e moer os grãos junto ao nascer do sol. O ambiente é simples: balcão e xícaras de porcelana. Mas a qualidade dos cafés encanta quem os experimenta. Há, inclusive, quem vá ao local apenas para buscar os grãos para consumo em casa.

O espaço é ideal para um filme antigo ou cult. Mas você prefere uma locação que renda bons cliques para o Instagram? Neste caso pode ir à REVO Manufactory (funciona apenas aos finais de semana) ou então ao Tarantino Coffee n’Geek – por lá, aliás, é possível ter ‘aulas’ sobre café com a Julia. Em ambos, pedir um café significa também receber informações incríveis sobre os grãos, os métodos e os resultados do que você está prestes a ingerir.

Em resumo, a Revo existe desde 2016 e nasceu com o compromisso de trazer cafés especiais para Santos. A galera amou e, hoje em dia, os sábados e domingos são sempre lotados por lá. O cardápio da casa costuma mudar todas as semanas, mas uma coisa é certa: você vai encontrar cafés incríveis, pães artesanais e confeitaria de primeira. Às vezes, rola brunch. Pra saber quando, basta acompanhar a Revo nas redes sociais.

O Tarantino também iniciou em 2016. E, se até agora estamos falando de uma história que poderia ser roteiro de cinema, chegamos ao local em que o cinema está nas paredes, no cardápio e em cada detalhe. Afinal, como o próprio nome sugere, a casa de Leandro e Patrícia Garcia é inspirada na obra de Quentin Tarantino. Um cantinho nerd, cinéfilo e com bons cafés no coração do Gonzaga.

Sim, eles estão próximos a um dos cafés mais tradicionais de Santos, a Casa do Cafezinho. Mas tem público pra todo mundo e ambos vivem cheios de apaixonados pelo pretinho básico.

A lista de ótimos cafés em Santos ainda tem:

  • Save the Queen
  • Dahora Café Bike (itinerante)
  • Grandpa Joel’s Coffee

Santos e o café, um amor sem limites

Para completar esse roteiro, os apaixonados por café – seja a Julia, a Gabi ou você – podem passear pela cidade em um bonde totalmente dedicado ao café. O Bonde Café foi lançado em 2015 e é inédito na América Latina.  O veículo tem ar condicionado e estrutura para preparação de café coado e mesas e cadeiras para acomodação e degustação gratuita de café gourmet.

Quando Francisco de Melo Palheta chegou ao Brasil ele, provavelmente, não imaginava a popularidade que ganhariam as sementes que trazia na bagagem. Que elas iriam movimentar e potencializar a economia de uma cidade, transformar carreiras, unir casais e amigos e até se transformar em tema de festa. Porque, vamos lá, todo bom roteiro de romance acaba em casamento. Mas, já que não é possível casar com o café, em Santos anualmente temos um festival todo ano para celebra-lo. Só em 2018, o Festival Santos Café reuniu mais de 5000 pessoas no Centro Histórico.

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Será que todo o público sabia quem foi Francisco de Melo Palheta ou imagina como a história de Santos tem o aroma e sabor do café? Não há como dizer. Mas uma coisa é certa: a Julia e a Gabi estavam por lá no Santos Café e degustaram muitos cafés 🙂