Ludmilla Rossi
Texto porLudmilla Rossi
37 anos - Santos

Jailson taxista – uma experiência circulando por São Paulo

Sabe aquela história de estar no lugar certo e na hora certa? Isso acontece mesmo… Lei da atração, conspiração favorável, sincronicidade, seja lá o que for, hoje peguei um táxi certo na hora certa.

Pois bem, eu estava em São Paulo, saindo da minha terceira reunião de trabalho, por volta das 18 e pouca. Saí de um prédio comercial na Av. 9 de Julho, onde haviam 2 táxis parados beeem na frente do prédio, e nenhum pôde me atender pois estavam aguardando outros passageiros. Um dos motoristas me disse que havia um ponto de taxi de confiança logo lá na frente. Andei 2 quadras e nada, quando olhei para o lado e tinham 2 outros táxis parados no semáforo. Ia pegar o que estava mais perto de mim, mas resolvi ser educada e seguir a lei do ponto, andei um pouco e peguei o que estava na frente.

Mal sabia eu que teria uma aula gratuita de inovacão, valor percebido e atendimento a clientes. Sr. Jailson taxista nasceu no Rio Grande do Norte e está em São Paulo desde 1986. Antes de falar sobre ele e o seu curioso táxi (que na verdade nem dele é, é alugado) quero que voces assistam o vídeo abaixo. Por sorte eu estava com a minha câmera, só que logo que a saquei da bolsa e disse que queria gravar a conversa que estavamos tendo, Jailson do táxi me contou que não dava entrevistas. Que todos os canais de TV já tinham ligado para ele, mas que ele não ia.

Assista o vídeo, que foi gravado improvisadamente depois de muito insistir…


Vídeo que gravei com o Jailson taxista em São Paulo

Pois bem… como eu ia dizendo, entrei no táxi e pedi para ele me deixar na Consolação. Logo saquei meu iPad para responder e-mails e ele perguntou para onde eu estava indo. Respondi que sentido Jabaquara, para Santos. E ele me disse: “então vou te deixar no Paraíso, porque aí você não precisa fazer conexão”. Na defensiva eu lancei para ele: “pois bem, mas na Consolação vou gastar 15 reais no máximo, até o Paraíso gastarei mais“. Ele me respondeu: “fique tranquila, vou te fazer por 15 pois eu estou indo para lá”. Lição número 1, otimizacao de recursos somada com a oportunidade. Ele fez o caminho que ele já faria normalmente, ganhou $ e facilitou minha ida.

Depois desse bom negócio fechado para ambos os lados, seu Jailson taxista logo disse: pode usar o meu Wi-fi. Sim, no táxi dele tinha Wi-fi gratuito. Respondi com um sonoro “que show”, e seu Jailson completou: “se quiser usar o telefone pode usar, pode ligar para qualquer lugar do mundo de graça do meu táxi!” UAU, a conversa começou a ficar interessante… Nem me dando tempo para eu ficar surpresa, seu Jailson taxista disse: se vc não tivesse iPad, poderia usar o meu para abrir seus e-mails ou usar a Internet. E abre o porta luvas sacando um iPad e mostra…

Não deu para deixar de notar seu iPhone no painel, que recebe ligações com freqüência. O iPhone para ele é tão importante quanto o carro, pois através dele Jailson taxista atende as ligações e e-mails provenientes do site. Site que ele mesmo construiu, com formulários e um vídeo explicativo (feito por ele) de 9 minutos que você precisa ver (clica aqui e deixa carregando). No vídeo Jailson do táxi explica tudo (mas tudo mesmo) sobre como funciona seu táxi.

O taxista explica que as pessoas que trabalham com webdesign acham o site dele ruim. Já as pessoas que não sabem webdesign, acham o site bom. Só que isso não importa. Lição número 2, o que importa é que o site funciona, a tal conversão de vendas. Ele nunca investiu em publicidade no Google, mas usa muitas ferramentas gratuitas, como os vídeos narrados pelo Google Translator.

Jailson fala com sotaque, é discreto, bem humorado e parece uma pessoa de origem bem simples. Seus textos não são super bem escritos e me pergunto se ele é o target que a Apple visa atender com seu design minimalista e aura cool. A Apple não fala com o Jailson, mas Jailson fala com a Apple, consome seus produtos, e principalmente, os usa efetivamente – muito mais do que um adolescente que mora no Jardim Europa e ganhou um iPhone de natal. Lição número 3 – aquele papo de que seu “público” não entende tanta tecnologia, já era. Já era faz muito tempo, aliás.

O amor do taxista por tecnologia não é novo. Em 2007 ele gravou esse vídeo para a Revista Super Interessante. Na época o Orkut bombava e não havia iPhone e iPad, e ele se virava com a tecnologia que tinha, em uma longa empreitada. Lição número 4 – Barreiras tecnológicas: o que o Steve Jobs fez pelo Jailson não tem preço.

Sobre o fato de não dar entrevistas, ele explica que não irá conseguir atender a demanda. Fica a Lição número 5 – Não venda mais do que pode entregar, um item essencial para a qualidade do que você entrega.

Como os vídeos e o site do Jailson não são esteticamente perfeitos, há alguns blogs que tiraram uma onda dele. E essa é a Lição número 6 – Tirar sarro é fácil, tirar uma lição é que é foda.

Mas bora desconsiderar isso e citar uma curiosidade… o conterrâneo Cid Não Salvo decobriu o Jailson taxista e fez uma brincadeira – o Desafio Não Salvo – e aporrinhou o Jailson às 2 da manhã. Veja aqui. Falei disso inclusive com ele durante a corrida, ele disse que “um tal de Cid ficou mandando e-mail”, com bom humor, e completou: “Por isso que não dou entrevistas”.

Foi a corrida de táxi mais rápida e interessante que já fiz. Quando estiverem em São Paulo, liguem para o Sr. Jailson… ou torçam para encontrar por ele por acaso, como aconteceu hoje. E acabei não aceitando o preço de R$ 15 do Sr. Jailson. Paguei a corrida cheia, pelo atendimento, pela história e pela lição de empreendedorismo.

PS.: Agora tenho uma caneta do táxi do Jailson, praticamente um souvenir. Para acessar o famoso site do Sr. Jailson taxista, clique aqui.

Comentem o que vocês acharam dessa história! 😉