Texto porVictória Silva
Jornalista, 28 anos - Santos

Vinicius Carpov: Uma Máquina de Vitórias no Jiu-Jitsu

Talvez você já tenha o encontrado em uma academia no Gonzaga ou entre os canais de Santos.

Mas dificilmente imaginou que se tratava de um atleta do jiu-jitsu invicto há 3 anos.

A cadeira de rodas vermelha é um fator que, talvez, influencie nesta leitura, mas são outros estereótipos enraizados em nossa mente que distanciam Vinicius Carpov da modalidade: o santista não é musculoso, tem a voz aveludada e fala baixinho, além de ter as orelhas inteiras e poucas cicatrizes.

Apesar disso tudo, estamos falando de uma máquina de vitórias. A mais recente aconteceu em fevereiro de 2018, quando faturou o ouro do South America Continental Pro Jiu-Jitsu Championship.

Isso faz dele também o único santista cadeirante campeão continental de jiu-jitsu!

Vinicius Carpov e o jiu-jitsu

Aos 26 anos de idade, o santista é um atleta profissional. Isso significa que leva seus dias 100% dedicado ao esporte – com treinos, dieta rígida e uma rotina que, eventualmente, remove do cotidiano hábitos comuns entre jovens de sua idade.

Não foi sempre assim. O namoro com a modalidade nasceu apenas há 6 anos e se tornou um relacionamento sério em maio de 2015, quando conquistou o primeiro apoiador (o Corinthians Steamrollers) e deixou de ser amador.

“Eu queria aprender a me defender no chão. Nossa sociedade é violenta e eu pensava no que poderia acontecer comigo. Eu tinha 2 amigos que treinavam e eles me levaram. O mestre deles disse que, se eu conseguisse fazer guarda, poderia treinar”, lembra.

Carpov nasceu com uma malformação congênita chamada Meningomielocele com Hidrocefalia e, por isso, não tem o movimento dos pés. Fazer guarda (um movimento comum do jiu-jitsu) não foi um problema.

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Futuro

Enquanto treina para as próximas competições, Vinicius Carpov é otimista sobre o futuro e não tem presa para chegar onde almeja.

Por questões financeiras, ele não irá participar do campeonato mundial – que acontece em Abu Dhabi, neste mês de março – e de outras competições internacionais marcadas para 2018. No entanto, vê sua ausência como forma de se preparar para o próximo ano.

“O jiu-jitsu é uma modalidade de médio a longo prazo, então eu não tenho problema de não ir para o mundial. Penso na oportunidade de ir em 2019”, explica.

Quando questionado sobre ser o único atleta cadeirante de parajiu-jitsu da Baixada Santista e o peso que isso traz, a resposta é simples e leve como toda sua fala:

“Eu não estou pensando em fazer história. As pessoas que fizeram história não estavam pensando nisso”.

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Essa é sua agenda de competições para o primeiro semestre de 2018:

18 de março – III Etapa Copa Prime (Campo Bom/RS)
22 de abril – IV Etapa Copa Prime (Porto Alegre/RS)
20 de maio – V Etapa Copa Prime (Lajeado/RS)
17 de junho – VI Etapa Copa Prime (Novo Hamburgo/RS)

Você pode acompanhar as conquistas do Vinicius Carpov no Facebook e no Instagram