Dor de garganta que não passa? Não ignore este sintoma
O corpo costuma avisar quando alguma coisa não vai bem — e, às vezes, os sinais são mais silenciosos do que parecem
Uma dor de garganta que não melhora, rouquidão que já dura mais de um mês ou uma íngua no pescoço que ninguém sabe explicar. Esses são só alguns dos sintomas que você precisa ficar de olho.
O câncer de cabeça e pescoço costuma avisar antes de se instalar. O corpo dá sinais, só que discretos, fáceis de confundir com um resfriado teimoso ou um problema de dente. E é justamente essa demora em prestar atenção que pode custar caro no diagnóstico.

Foi assim, aliás, com o prefeito de Santos, Rogério Santos, diagnosticado em maio com um tumor na região cervical depois de procurar ajuda médica por causa de uma afta que não cicatrizava. O caso público reacendeu uma pergunta que vale para qualquer pessoa: até que ponto a gente está acostumado a conviver com sintomas que merecem uma consulta médica?
Sintomas que parecem banais, mas não são
Segundo especialistas, alguns sinais nunca deveriam ser ignorados por mais de um mês:
- Dificuldade para engolir ou dor ao se alimentar
- Rouquidão ou mudança na voz sem explicação
- Feridas na boca que não cicatrizam
- Dor persistente na garganta
- Caroços ou ínguas no pescoço
Isoladamente, cada um desses sintomas parece coisa pequena. Juntos, ou persistentes, formam um padrão que merece avaliação médica. O câncer de cabeça e pescoço tende a se manifestar justamente dessa forma silenciosa, em superfícies que a gente raramente examina: nariz, garganta, interior da boca.
Julho Verde
A região concentra uma população que envelhece, hábitos de consumo de álcool e tabaco ainda enraizados, e um sistema de saúde que, quando bem utilizado, consegue captar esses casos cedo. O problema é que campanhas de conscientização como essa esbarram num obstáculo cultural: a resistência em procurar o posto de saúde por um sintoma “pequeno”.
É aqui que iniciativas como o Julho Verde ganham peso. Instituída oficialmente em 2022, a campanha existe em alusão ao Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado em 27 de julho. Além disso, ela cumpre um papel que vai muito além do simbólico: coloca médicos e comunidade frente a frente, em linguagem direta, sem jargão.
Em São Vicente, por exemplo, a Secretaria de Saúde (Sesau) organizou uma programação especial para o mês, com palestras e rodas de conversa em diferentes unidades da cidade, distribuídas entre a área Continental e a Insular.
Programação ESF do Julho Verde em São Vicente
Jardim Rio Branco II e III (Rua Eduardo Cação, s/nº, Jardim Rio Branco)
27/07, 8h — Palestra sobre prevenção do câncer de cabeça e pescoço
ESF JIP (Rua Roberto Koch, 584, Jóquei Clube)
27/07, 13h30 — Palestra sobre o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço
Náutica III (Rua Nicolau Patrício Moreira, 225, Cidade Náutica)
28/07, 9h — Roda de conversa sobre os quatro pilares do câncer de cabeça e pescoço
As atividades são abertas a toda a população e não exigem inscrição prévia, apenas comparecimento no dia e horário indicado.
O diagnóstico precoce pode mudar tudo
Quando identificado no início, o câncer de cabeça e pescoço tem taxas de cura consideravelmente mais altas, e o tratamento costuma ser menos agressivo. Isso significa cirurgias menores, menos sessões de quimioterapia e radioterapia, e uma recuperação mais rápida.
O caminho é simples, mesmo que pareça óbvio: sintoma que passa de um mês, vale uma consulta. Não é preciso esperar a dor aumentar para justificar a ida ao médico.