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Entrega na porta: o debate sobre a subida de entregadores nos prédios

Como funciona aí no seu condomínio?

Tempo de leitura: 5 minutos

Muitas pessoas ficam naquela dúvida existencial ao pedir comida: deixo o entregador subir ou desço para buscar?

Em Santos, cidade que abraça tradições praianas e hábitos cosmopolitas, essa questão ganha contornos especiais. Entre prédios históricos do Gonzaga e torres modernas da Ponta da Praia, a relação entre moradores e entregadores de aplicativo virou tema de debate acalorado – e não é só sobre conveniência.

O assunto ganhou relevância porque toca em três pontos sensíveis: segurança, comodidade e empatia. De um lado, moradores que valorizam a praticidade de receber na porta. Do outro, síndicos preocupados com golpes e invasões. No meio, trabalhadores que sobem e descem dezenas de lances de escada por dia. E todos precisam conviver com uma realidade: não existe lei federal que obrigue condomínios a permitir o acesso de entregadores aos apartamentos. A decisão é interna, tomada em assembleia, e varia de prédio para prédio.

O que diz a lei (e o que não diz)

Diferente do que muita gente imagina, não há legislação brasileira que proíba ou que obrigue condôminos a receberem entregas no apartamento. O que existe são normas internas de cada condomínio, definidas democraticamente. Alguns prédios liberam, outros restringem, e há casos em que a decisão fica a critério da portaria, o que gera inconsistências e frustrações.

A confusão aumentou com a disseminação de fake news sobre uma suposta “lei que proíbe entregadores de subirem”. Não existe. O que há são relatos de golpes aplicados por falsos entregadores, que aproveitam o acesso facilitado para cometer crimes. Por isso, muitos condomínios optaram por endurecer as regras.

Os dois lados da portaria

Para quem mora em apartamento, a comodidade de receber na porta é inegável. Idosos com mobilidade reduzida, mães com bebês no colo, pessoas com deficiência ou simplesmente quem chegou cansado do trabalho: todos se beneficiam quando o entregador sobe. Os próprios aplicativos de delivery já incorporaram essa opção, perguntando ao cliente se deseja que a entrega seja feita na porta do apartamento.

Por outro lado, síndicos e administradoras alertam para riscos reais. Casos de assaltos, furtos e até invasões foram registrados em várias cidades brasileiras. O modus operandi é simples: criminosos se passam por entregadores, ganham acesso ao prédio e agem. Em Santos, onde a maioria dos edifícios tem portaria 24 horas, o controle é mais rígido — mas não infalível.

Segurança sem paranoia: é possível?

A questão não precisa ser binária. Existem caminhos intermediários que conciliam segurança e humanização. Alguns condomínios adotaram sistemas de cadastro de entregadores frequentes, liberação mediante comunicação prévia do morador, ou uso de tecnologia como QR codes e aplicativos de gestão condominial.

A Grupo Yamam, administradora com ampla atuação em Santos, tem observado essa tendência crescer.

“Cada condomínio é um universo próprio, com perfil de moradores e necessidades distintas. Nossa função é ajudar a construir regulamentos internos que equilibrem praticidade e segurança, sempre respeitando a decisão coletiva da assembleia”, explica a empresa, que administra dezenas de edifícios na Baixada Santista e orienta síndicos sobre boas práticas de convivência condominial.

O fator humano que estão esquecendo

Enquanto isso, do outro lado da portaria, há uma classe trabalhadora que merece entrar na conta. Entregadores de aplicativo enfrentam jornadas exaustivas, metas apertadas e, muitas vezes, falta de reconhecimento. Subir 10, 15 andares várias vezes ao dia, sob sol escaldante ou chuva, não é trivial. A gentileza de um copo d’água, a gorjeta voluntária ou simplesmente descer para buscar o pedido quando possível fazem diferença.

Santos, que se orgulha de ser uma cidade acolhedora, tem a chance de mostrar isso também na relação com quem presta serviços essenciais. Não significa abrir mão da segurança, mas sim encontrar formas mais colaborativas de conviver em condomínio, reconhecendo que há pessoas em situações diferentes dentro do mesmo prédio.

E agora, o que fazer?

A resposta não está em proibir ou liberar de forma irrestrita. Está em debater, informar e decidir coletivamente. Se você é morador, participe das assembleias. Síndico, busque orientação profissional e consulte experiências de outros condomínios. Se é entregador, conheça seus direitos e saiba que respeito deve ser mútuo.

O delivery veio para ficar, assim como a necessidade de segurança. A questão é: vamos construir muros ou pontes? Santos já mostrou, em tantos momentos de sua história, que sabe escolher o segundo caminho. Que tal começar pela portaria?

Vitor Fagundes
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