10/08/2018 Por Priscila Santos Esportes

Santos-Imigrantes, a mais santista das estações de metrô de São Paulo

Todo mundo sabe que a estação mais bonita do metrô de São Paulo é a Santos-Imigrantes. O nome surgiu da homenagem do Governo do Estado ao clube alvinegro praiano. 

O que poucos sabem é que, em uma das saídas da estação, existe uma barraca de hortifrutis.

Em meio a abacaxis, mamões, água de coco, pé de moça e diversos outros itens, um senhor chama a atenção de todos que passam a pé ou de carro pela região, faça chuva ou faça sol.

De terça-feira à sábado das 7 da manhã às 8 da noite, lá está Juracy com seu avental batido de trabalho, que estampa o brasão bordado do Santos Futebol Clube.

Juracy faz questão de ostentar no trabalho sua paixão pelo manto sagrado/ foto: Francisco Monteiro

Saindo pela Rua Saioá, basta atravessar a faixa de pedestre para conhecer o simpático torcedor santista.

Saída da estação Santos-Imigrantes

Juracy Oliveira Silva veio aos 18 anos do interior para capital. Escolheu o time da Vila Belmiro para ser sua paixão.  

“Quando cheguei em São Paulo, fui recebido pelo meu irmão, santista nato. Logo gostei da ideia e virei torcedor santista também”

Ele não se recorda exatamente da data e do campeonato, mas se lembra como se fosse ontem do primeiro jogo a que assistiu na Vila Belmiro.

“Eu lembro que o primeiro jogo que vi na Vila foi justamente contra o Corinthians. E ganhamos deles por 2 a 0 (risos). Foi emocionante”

Já que ele não lembra a data do jogo, vamos para um passado mais recente, com o 2 a 0 santista sobre o Timão pela 23ª rodada do Brasileirão 2017.

Depois de sua estreia no estádio Urbano Caldeira, Juracy casou e teve filhos: dois santistas e um são-paulino.

Aos domingos, quando o Peixe joga, a família se reúne e a vibração positiva em prol da equipe é forte.

O senhor de avental com brasão do Santos, antes de ter a barraca de frutas na estação Santos-Imigrantes, era dono de restaurante. 

“Antes de vir pra cá, eu tinha um restaurante. Veio a crise e quebramos. Fechei meu restaurante e não pude ficar parado”. 

Ao recontar esse fato. os olhos de Juracy lacrimejam. Era um restaurante familiar e dá pra notar um pouco de tristeza.

“Tem gente que, por uma situação como a minha (fechar uma empresa), desiste de tudo por acreditar que não vai dar mais certo. Eu insisti, mesmo triste. Consegui minha barraca e, graças a Deus, estou indo até que bem”, conta. 

O fluxo de clientes do Seu Jura, como é chamado carinhosamente, não para. Tivemos que interromper a entrevista diversas vezes para que ele atendesse à clientela fiel. Sempre com simpatia e, claro, desfilando com o avental com o símbolo do Santos. 

Ledina é corintiana roxa, fiel cliente de Jura e ressalta que o atendimento é bom e a qualidade dos produtos também/ foto: Francisco Monteiro

Na atual fase turbulenta do Peixe, o torcedor mantém a confiança. 

“Não é porque tá numa fase ruim que a gente vai deixar de ser santista. Tem que torcer e confiar que amanhã vamos nos recuperar”

Ele diz que está esperançoso com o técnico Cuca e manda recado para todo o clube:

“Acredito que, com o Cuca no comando, vai melhorar o entrosamento dos atletas. Temos que melhorar também a diretoria e ter mais união”

Juracy confessa que se tivesse que escolher de presente uma camisa do Santos no Dia dos Pais, ele escolheria a camisa do Rodrygo e declara:

“Eu quero que ele sempre jogue do jeito que vem jogando e melhore cada dia mais”

O futebol do nosso menino Rodrygo encanta. Vamos torcer para ele ler nosso texto e, quem sabe, mandar um presente lá para o Juracy/ reprodução: Facebook 

Na Santos-Imigrantes, todos os dias

Juracy é só mais um anônimo que vive e luta na cidade cinza que pode parecer tão grande e, ao mesmo tempo, pequena. Se fosse em Santos, sua história talvez soasse comum. Na imensidão de São Paulo, no entanto, isso é de uma coincidência notável.

Com histórias como esta, queremos mostrar que não há rótulo para se tornar torcedor, só mesmo a paixão pelo bom e velho futebol.

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