Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 25 anos - Santos

Na veia: como o skate em Santos se tornou parte da cultura e do cenário urbano

Foi na Califórnia, Estados Unidos, que surgiram os primeiros skates.
Em resumo, no auge dos anos 1960, a galera apaixonada por surfe estava entediada por conta da calmaria do mar naqueles dias. Decidiram, então, colocar quatro rodinhas numa tábua e surfar no asfalto. Uma versão bem precária do que conhecemos hoje. Mas que logo se tornou um sucesso – suficiente para a modalidade ganhar o mundo em pouquíssimo tempo.

O skate no Brasil chegou primeiro no Rio de Janeiro, ainda nos anos 60. Graças a alguns brasileiros que estavam viajando e gostaram daquela novidade.

www.juicysantos.com.br - skate em santosFoto: Tom Leal

De lá para cá, passou de uma atividade taxada como marginal a esporte olímpico. Em São Paulo, por exemplo, o skate era tão mal visto que foi proibido. Em 1988, o então prefeito, Jânio Quadros, criou uma lei que proibia o esporte na cidade. O motivo? O Ibirapuera, onde ficava a prefeitura, era o maior point e ele não gostava nada daquela “baderna”. Luiza Erundina, sua sucessora, revogou a lei no ano seguinte.

Na estreia do skate como esporte olímpico, em Tóquio, a comissão brasileira levou nada menos do que 12 atletas.

A primeira medalha do país, inclusive, veio do esporte, com o caiçara Kelvin Hoefler. Sim, caiçara! O cara nasceu em Itanhaém e cresceu no Guarujá.

Além disso, a pequena Rayssa Leal se tornou a medalhista brasileira mais jovem da história. Foi prata no skate, com apenas 13 anos.

Isso tudo você, provavelmente, já sabe. Mas a gente tem uma curiosidade pra te contar:

A popularização do skate no Brasil é, de certo modo, responsabilidade de um santista!

www.juicysantos.com.br - skate em santos

Sk8 board na veia, na veia dos irmãos

Já sabe de quem estamos falando, né?

Chorão, que reza a lenda que caia muito e as caretas renderam o apelido, foi um dos grandes propagadores do skate na mídia nacional. Tanto nas músicas, quanto nos clipes e até nos palcos… onde ele ia, o skate ia junto. O que fez muitos jovens do início dos anos 2000 desejarem aprender a se equilibrar e fazer manobras.

Em pouco tempo, as ruas e ciclovias da cidade estavam cheias de skates.

Em 2004, a cidade ganhou uma pista indoor, a Chorão Skate Park. Que, é claro, era administrada pelo próprio Chorão.

www.juicysantos.com.br - chorão skate park

E, em 2009, foi a vez do Emissário Submarino ganhar um espaço para a galera mandar umas manobras. Após a morte do vocalista do Charlie Brown Jr, a pista da Vila Mathias fechou. Mas a cidade ainda tem três pistas públicas:

  • No Emissário, que, aliás, agora leva o nome do cantor;
  • Na Praça Palmares
  • No Morro Nova Cintra.

E, aliás, existe até escolinha pública de skate em duas delas. Quem cola na Praça Palmares e no Morro pode aprender, de graça, a mandar manobras (clique aqui para fazer a pré-inscrição). Além de projetos que ensinam o esporte para a molecada. Até 2018, o Santos FC teve atletas de skate em sua equipe, sabia? Ficamos sabendo, inclusive, que a modalidade pode voltar a ganhar representantes na Vila Belmiro no próximo ano.

Enquanto isso não acontece, os skatistas da região podem mandar manobras por toda a Baixada Santista. Pois o amor pelo skate não é exclusividade de Santos. Em Praia Grande, por exemplo, são cinco pistas públicas.

www.juicysantos.com.br - aulas de skate em santos

Outro nome do skate que também tem raízes no litoral é Karen Jonz. A pioneira do esporte nasceu aqui e cresceu em Santo André. Como comentarista da Sportv nas provas de skate, ela tem mandado muito bem – tanto nas informações técnicas quanto nos memes! #xerecou

Mais que um esporte, skate em Santos é meio de locomoção

A popularização do skate, aliada a geografia plana da cidade, transformou o esporte em meio de locomoção em Santos. Você, provavelmente, já viu alguém remando pelas ruas da cidade com uma mochila nas costas ou uma sacola de mercado nas mãos, né?

Só para ilustrar, o arquiteto Daniel Cardozo é uma dessas pessoas. No início de 2020, vendeu o carro e adotou o skate como seu meio de transporte oficial.

“Comecei a surfar com meu pai desde bem pequeno. Aí, com uns 7 anos, ganhei meu primeiro skate”, conta. “Na adolescência, jogava hóquei e andava na rua muito de patins. Cansei de ir para a escola de patins e pegar carona atrás do ônibus”.

De acordo com ele, foi nessa época que pegou gosto pelo uso de equipamentos de esporte como meio de transporte.

Quando chega às reuniões, ele tem um skate elétrico embaixo do braço. Mas, antes de chegar neste, a coleção teve shape tradicional, longboard, carve, penny… Todos os tipos disponíveis no mercado.

“Vender o carro foi uma das melhores decisões que tomei. Em Santos o deslocamento é muito fácil. Fica tudo relativamente perto, a qualidade do asfalto é boa, tem bastante ciclovia e, o melhor, a cidade é plana”.

Apesar de toda essa tradição, nenhum dos brasileiros que disputam as provas de skate nas Olimpíadas de Tóquio são de Santos. Com a estreia da modalidade, as crianças (e os adultos também) podem se animar em aprender a andar de skate. Aqui no Juicy, nós temos uma matéria contando onde fazer aulas. É só clicar aqui para conferir 🙂