Texto porLudmilla Rossi
42 anos - Santos
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Maternidade, carreira e liberdade econômica: o legado da santista Dani Junco

A palavra ESG, tão disseminada no pós-pandemia nas empresas e rodas de executivos, ainda não era falada em 2015. Em setembro desse mesmo ano, 193 estados membros participaram da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, estabelecendo 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (os famosos ODS) que compõe a famigerada agenda 2030. Atacada pela extrema-direita e adorada por quem entende que estamos em um planeta repleto de recusos finitos, a Agenda 2030 é um marco nas últimas décadas.

Ao mesmo tempo, aqui no Brasil, a santista Dani Junco (já falamos dela aqui) postava em seu Facebook, a rede social mais bombada da época: Está doendo demais em mim pensar em como vou equilibrar a vida materna e a empresa. Dói em mais alguém? Vamos tomar um café?

Dani conta que esperava 5 mulheres, mas vieram 80. Algumas não sabiam o que fazer com a rotina depois da licença maternidade. Outras acabavam de ser demitidas e/ou apostavam no empreendedorismo como caminho para geração de renda. E, no pior dos casos, muitas não sabiam o que fazer com o preconceito das empresas ao lidarem com mulheres com crianças pequenas. Ao contar a história do nascimento da B2Mamy, esse é o primeiro capítulo.

A pergunta: “mas quem está com seu filho?” ou mesmo “você pretende ter filhos?” ocupou por muito tempo as salas de entrevistas. E nem as mulheres recrutadoras talvez tivessem consciência dos problemas incrustados nessas questões. Naquela época, Dani era sócia de uma agência ligada à área farmacêutica, a InJoy. Mal sabia ela que estava iniciando uma transição de carreira cheia de propósito e que seria uma das iniciativas brasileiras mais contribuintes com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, ligado à igualdade de gênero.

Dani na Casa B2Mamy

A B2Mamy cresceu e se tornou uma comunidade, uma socialtech e em 2023 inicia seus passos para ampliar sua atuação, dessa vez ligada à saúde feminina. Milhares de mães e mulheres se conectaram, lançaram suas ideias de negócios, conheceram sócias, fizeram parcerias, economizaram, conheceram lugares bacanas, arrumaram emprego à partir de uma simples decisão: fazer parte da comunidade B2Mamy e contribuir para a liberdade econômica dessas mulheres. Consequentemente, para a igualdade de gênero.

ODS 5

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número 5, ligado à igualdade de gênero, traz metas ambiciosas. Mas vai demorar mais de três gerações para que elas sejam atingidas. Com insights do parceiro de dados Equal Measures 2030, a fundação do Bill & Melinda Gates estima que a igualdade de gênero não será uma realidade viável até 2108, no mínimo. Antes da pandemia, a diferença dos ganhos esperados ao longo da vida entre mulheres e homens totalizou US$ 172,3 trilhões, o dobro do PIB anual do mundo, segundo o Banco Mundial.

Para Melinda Gates, é necessário ir muito além do discurso de empoderamento. Igualdade de gênero pra valer depende das mulheres ganharem poder. E o poder está em três pilares: educação, contracepção e dinheiro. A desigualdade das mulheres começa na infância com 129 milhões de meninas fora da escola em todo o mundo. Menos da metade dos países do mundo atingem a paridade de gênero no ensino fundamental segundo a Unicef.

Outro ponto importante: os sonhos das mulheres precisam ir além de narrativas hegemônicas E isso passa pelo segundo ponto destacado por Melinda: o acesso a contraceptivos para que as mulheres decidam se querem ter filhos e em qual momento. A terceira chave é o dinheiro. “Quando as mulheres têm recursos econômicos em suas próprias mãos – não apenas dinheiro, mas em uma conta que elas controlam – isso desbloqueia todos os tipos de coisas para suas vidas”, afirma Melinda Gates. E não é apenas a fundação Bill & Melinda Gates que está preocupada com esses índices.

O Fórum Econômico Mundial analisou diferentes parâmetros de igualdade de gênero em 146 países. No ranking geral em 2022, Brasil estava lá em baixo, em 94º lugar, enquanto alguns países nórdicos e a Nova Zelândia ocupam as melhores posições. Em 2023, subimos no ranking, alcançando a posição 57. É o nível mais alto desde 2006, quando o relatório começou a ser elaborado. O Brasil nomeou mulheres para 36,7% dos cargos ministeriais, o mais alto de sua história. Além disso, também houve houve um aumento de 2,9 pontos percentuais nas mulheres parlamentares (participação, 17,7%). Combinados, eles quase duplicaram o nível de paridade na política. Você pode conferir o relatório completo de 2023 neste link.

Maternidade, carreira e liberdade econômica

Assim como o ano de 2015 foi fundamental para configurar um objetivo e metas sobre igualdade de gênero, o ano de 2023 colocou questões como a economia do cuidado no centro da conversa. O prêmio Nobel de economia desse ano foi para uma mulher, a professora de Harvard Claudia Goldin, por conta de seus estudos sobre mulheres no mercado de trabalho. A pesquisa dela investigou mais de 200 anos de dados nos Estados Unidos sobre a participação feminina no mercado de trabalho.

A maternidade é um ponto destacado por Claudia, que afirma que mesmo com os método contraceptivo oferecendo a oportunidade de planejamento familiar, a maternidade ainda tem o poder de reforçar o gap de gênero. As dinâmicas ainda presentes no mercado de trabalho e na sociedade dificultam a ascensão profissional das mulheres, principalmente daquelas que são mães. E nós sabemos que dinheiro é poder e que a liberdade econômica é chave para a igualdade de gênero e para as mulheres se descolarem de situações abusivas.

O progresso na eliminação das desigualdades de gênero é fundamental para garantir um crescimento econômico inclusivo e sustentável. Para quem lidera organizações, a estratégia de gênero é essencial para atrair os melhores talentos e garantir o desempenho econômico, a resiliência e a sobrevivência em longo prazo. As evidências indicam que grupos diversificados de líderes tomam decisões mais baseadas em fatos que resultam em resultados de maior qualidade. Em toda a economia, a paridade de gênero foi reconhecida como fundamental para a estabilidade financeira e o desempenho econômico.

Ou seja, estamos falando de mulheres, mães ou não, que sejam economicas ativamente. Mas ao mesmo tempo, ainda são elas as maiores responsáveis pela economia do cuidado (ou work care, em inglês), um conjunto de questões invisíveis que organizam a forma como vivemos. Quando pensamos em cuidados com os filhos, com os pais idosos, com a limpeza da casa ou trabalho, ou a alimentação familiar, é natural que essa responsabilidade seja da mulher. É só pensar no seguinte: uma pessoa adulta já recebeu de alguém muitas horas de trabalho de cuidado com alimentação, vacina, remédios, limpeza e higiene, educação, provavelmente oriunda de uma mulher. A socidade inteira se beneficia deste trabalho que é gratuito ou mal pago.

Além de Claudia Goldin abordar esse tema em seu trabalho, em 2023 a Economia do Cuidado também foi pauta da redação do ENEM, colocando essa conversa no centro. O filme Quantos Dias, Quantas Noites, disponível gratuitamente no YouTube, também aborda essa questão.

Mãe, por que você trabalha?

Ou seja, 2023 é um ano marco para falarmos de igualdade de gênero. E nesse mesmo ano, Dani Junco lança seu livro. O título, assim como o nascimento da B2Mamy, nasce de uma outra pergunta: Mãe, por que você trabalha?. Desse vez ela veio do Lucas, filho da Dani, quando ela ainda estava grávida. Essa pergunta é o prólogo do post da Dani no Facebook que convocou mais de 80 mulheres. E agora, a mesma pergunta virou título do livro que chega às lojas pela Planeta Estratégia.

Durante a pré-venda e em menos de 24h, a obra ocupou nono lugar nos mais vendidos da Amazon, sendo o primeiro de sua categoria.

Dani Junco segurando o livro Mãe por que você trabalha?

De forma prática, o livro traz relatos de sucessos e fracassos em uma abordagem direta, transmitindo mensagens provocadoras e acolhedoras. Dani Junco traz histórias emocionantes sobre a culpa e o medo que cercam a maternidade com ferramentas, conceitos e insights valiosos para superar os percalços da vida corporativa e do empreendedorismo. O objetivo da obra é mostrar que é possível gerar renda e causar impacto significativo no mundo por meio de comunidades. Mãe, porque você trabalha? mostra que é possível criar um negócio bem-sucedido quebrando alguns vieses estruturais, compartilhando novas perspectivas sobre o papel e as funções da maternidade.

O livro serve como guia para todas as mães em transição de carreira, seja para empreender ou para liderar novas áreas.

O livro é mais um legado dessa santista, que já luta pela igualdade de gênero e liberdade econômica das mulheres há muito tempo.

Lançamento do livro em Santos

Ainda com uma grande conexão com a Baixada Santista, Dani fará um roadshow por várias cidades brasileiras para lançar o livro. O primeiro evento aconteceu em São Paulo, na Casa B2Mamy. E o segundo acontece aqui em Santos, no Juicyhub, hub de inovação.

O evento acontecerá no sábado, 16 de dezembro de 2023, o Juicyhub abre as portas para receber o evento Mãe, por que você trabalha?. O evento reunirá mulheres, mães e famílias em uma tarde de muitas trocas, envolvendo um painel com Dani Junco, e Flávia Saad (mãe da Filipa e head de conteúdo do Juicyhub), mediado por Ludmilla Rossi (CEO do Juicyhub).

Quando: 16 de dezembro de 2023, das 13h às 17h
Quanto: gratuito
Onde: Juicyhub | Av. Ana Costa, 433 – 4º andar – Gonzaga, Santos – SP
Inscrições e mais informações pelo Sympla