Texto porFlávia Saad
42 anos - Santos (SP)

Coworking em Santos: por que é tão importante tê-los na economia da cidade?

Talvez você nunca tenha frequentado um coworking em Santos. Talvez você até já seja habitué de um. Mas independente dos nossos hábitos individuais, há um fato importante para cidades como a nossa: ter coworkings em Santos pode ser um fator fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Espaços de coworking oferecem uma variedade de benefícios para economias locais. As grandes metrópoles do mundo já sabem disso – e, no caso delas, o espaços de coworking já estão tão estabelecidos que o efeito é o oposto e podem trazer alguns riscos. Apesar de gentrificação ser um termo muito ligado às cidades do hemisfério norte, esse é um dos movimentos que os planejadores urbanos apontam sobre esse segmento.

Mas, no caso de uma cidade como Santos, onde o ecossistema de inovação e empreendedorismo na nova economia ainda está em estágio inicial, os ambientes de trabalho compartilhados podem ser um dos fatores de aceleração do desenvolvimento socioeconômico. Nesse texto, compilamos algumas informações que podem estimular você a encontrar um espaço de coworking em Santos para chamar de seu – e entender como eles podem trazer benefícios tangíveis para a nossa cidade.

Como surgem os coworkings?

Em 2002, uma fábrica antiga em Viena, Áustria, foi convertida em espaço de trabalho compartilhado, ainda sem usar a palavra coworking. A Schraubenfabrik foi apelidada carinhosamente de “mãe dos coworkings” e definida como “um espaço social e criativo que possibilita sinergias e libera inspiração”.

Schraubenfabrik é considerada o espaço "mãe" dos coworkings

Em 2003, o programador Brad Neuberg testou um projeto chamado de “Nine to Five Group” (em tradução livre, Grupo do Horário Comercial), convidando cinco pessoas desconhecidas para trabalharem juntas em cafeterias. A ideia não deu certo.

Mas, como os americanos dominam muitas narrativas pelo mundo, a história do termo coworking é associada ao seguinte ponto de partida: em 2005, Brad insiste na sua visão e tem a ideia de convocar desconhecidos para trabalharem em um espaço compartilhado, na cidade de São Francisco, na Califórnia. Brad postou o seguinte em um fórum:

“Cansado(a) de trabalhar em cafeterias todos os dias? Sente falta de comunidade e estrutura em sua vida profissional?”

Foi no dia 9 de agosto desse mesmo ano que Brad convidou “pessoas de espírito livre” criar com ele uma comunidade, relaxarem e trabalharem juntos. Para acomodar essa comunidade, Brad pediu à uma amiga empreendedora, dona do The Spiral Muse (coletivo feminista, que também abrigava serviços de bem estar) para usar seu espaço duas vezes por semana. A segunda tentativa do Brad começou a dar certo.

Dois anos depois, e dessa vez, com um espaço fixo dentro do The Spiral Muse, nasceu o San Francisco Coworking Space. Por conta disso, surge também oficialmente o termo “coworking”.

Antes disso, o termo “work club” já havia sido usado anteriormente no Gate 3 WorkClub, que durou apenas um ano, fechando as portas em fevereiro de 2005.

Depois de um ano usando os espaços do The Spiral Muse, Brad Neuberg e um grupo de voluntários se reuniram para construir um espaço dedicado em tempo integral à atividade de coworking. Assim, em 2006, nasce o The Hat Factory, que permaneceu aberto até 2010.

Coworking nasceu da solidão de um freelancer

Brad teve esse desejo porque vivia um momento desafiador em sua carreira. Com isso, imaginou um novo formato para trabalhar, onde ele poderia ter o melhor dos dois mundos: a liberdade para desenvolver seus próprios projetos, com estrutura. E sem o isolamento.

Esse um ponto importante dos coworkings para a cidade: muitos negócios morrem por conta da solidão de empreendedores e empreendedoras. A falta de recursos, tempo e conhecimento estão entre os fatores diretos. Porém, em um ambiente compartilhado e irrigado de ideias, a chance de acessar conhecimento e vários tipos de apoio pode contribuir consideravelmente para a redução da taxa de mortalidade dos negócios.

E, além do empreendedorismo em si, a questão de saúde mental e solidão tem uma relação direta. No início de 2022, o burnout foi reconhecido como doença ocupacional. E o Brasil é o segundo país com mais casos da doença – ficando atrás apenas do Japão, cujos casos de pessoas exauridas pelo trabalho são bastante conhecidos. Mas o burnout não surgiu recentemente e as causas vão além do volume da carga de trabalho do profissional. O fenômeno já vinha sendo estudado e divulgado há anos.

Em 2017, as pesquisadoras Emma Seppälä e Marissa King, da Yale School of Management, descobriram que essa sensação de exaustão no trabalho estava diretamente relacionada ao sentimento de pertencimento e solidão das pessoas. Justamente o que motivou o programador Brad Neuberg a se movimentar em direção a ambientes mais coletivos.

Em um outro estudo, feito pela Universidade da Califórnia, ficou comprovado que a solidão pode reduzir em até 70% a nossa longevidade, enquanto a obesidade diminui em 20%, as bebidas alcoólicas em 30% e o cigarro em 50%. Os dados são alarmantes. Minimizar a solidão é fundamental, especialmente para quem virou a chave para o trabalho 100% remoto.

Juicyhub, coworking em Santos-SP com mais 100 lugares e ambiente inédito na cidadeJuicyhub – ambiente de trabalho compartilhado em Santos inaugurado em 2021

Coworkings em Santos ainda não são uma opção óbvia

Em grandes cidades, a situação é diferente: profissionais e empreendedores de Londres, Nova York, Berlim e tantas outras metrópoles pensam em coworkings como as primeiras opções para se estabelecerem. Os motivos vão desde reduzir custos com espaços, que geralmente são absurdos nessas cidades, mas principalmente multiplicarem suas redes de contato de forma rápida. O mesmo acontece com pessoas que são migrantes – mudaram de cidade, por exemplo – e querem ampliar sua rede de contatos naquele município e ter uma infraestrutura adequada para trabalho.

No entanto, em cidades pequenas e médias, como é o caso de Santos, o aluguel comercial ainda é menos proibitivo, afinal existe vacância de espaços comerciais por aqui, incluindo nos bairros mais valorizados. Por isso, em muitos casos, a primeira opção das pessoas que pensam em empreender ou já estão empreendendo é alugar uma sala, reformar e mandar ver. E, em determinados nichos de atuação, essa é uma opção inteligente.

Porém, muitas vezes quem decide montar o escritório não faz algumas contas. As pessoas geralmente planejam bem o custo do aluguel ou compra do imóvel, luz, internet, limpeza, café e insumos. Só não colocam na conta o elemento mais valioso dos tempos que vivemos: seu próprio tempo. Quem funda negócios com recursos limitados esquece que a responsabilidade da área de facilities (quem cuida da infraestrutura) vai recair sobre sua própria cabeça e muitas vezes, roubar um tempo precioso que deveria estar sendo dedicado ao negócio.

Além disso, as pessoas pensam em coworking como mesa e cadeira – e não como uma rede de conexões com pessoas interessantes. Mudar essa mentalidade em uma cidade patrimonialista e tradicional como a nossa é um desafio dos líderes dos espaços compartilhados. Afinal, quando olhamos empresas como AirBnB e Uber, percebemos que muitos setores estão migrando para a área de serviços. E, na área de ambientes de trabalho, não é diferente.

Depois de 2020, tudo mudou mais rápido

A descentralização do trabalho é um fenômeno que acontece há anos, mas foi acelerado depois de março de 2020, mês em que a pandemia de COVID-19 começou. O movimento migratório para cidades médias seguiu o mesmo fluxo. Entre 2021 e 2020, 8 de cada 10 grandes cidades americanas perdeu habitantes. Santos, que não é uma cidade grande mas sim uma cidade média teve seu número populacional sendo ajustado em -1,28% entre o Censo de 2010 e 2022. Enquanto isso, Praia Grande cresceu 31,92%, mostrando a força das cidades médias.

Questões de preço de moradia e o trabalho remoto ou híbrido, possuem relação com os fatores do monimento migratório. Mas veja só: algumas regiões ainda adotam um modelo centralizado, que obriga seus habitantes a viajarem para o centro ou para outras cidades para trabalhar. A relação Baixada Santista X São Paulo e o sistema de fretados é um exemplo disso. Agora imagine se muitas pessoas que pegam o fretado com frequência não seriam mais felizes fazendo seus trabalhos de um coworking em Santos mais perto de casa?

A descentralização do trabalho, mudanças nos hábitos de transporte e nas relações empresariais estão influenciando na criação de centros mais diversificados e descentralizados, nos quais os espaços de coworking se tornam serviços do bairro, reduzindo assim os tempos de deslocamento e o uso de carros. Eles proporcionam às pessoas um local de trabalho mais próximo de casa, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos e permitindo o aproveitamento da cidade através de caminhadas e uso de bicicletas, por exemplo. Em Santos, esse movimento é fundamental.

Os coworkings, hubs de inovação e ambientes compartilhados são uma forma inteligente de usar espaços ociosos em edifícios, mas muito além do desenvolvimento imobiliário, coworkings são um berçário para novos empreendimentos. Além disso, ao concentrar potenciais clientes e outras empresas, é possível que profissionais e empreendedores façam negócio entre si. O networking e a ampliação da rede é um elemento fundamental de espaços de coworking bem estruturados.

O lado negativo dos coworkings nas metrópoles

Está previsto que o número de espaços de coworking no mundo ultrapasse a marca dos 40.000 e atinja os 41.795 até 2024 (quase o triplo se observarmos o número de espaços existentes em 2018). Os dados são de uma pesquisa da Coworking Resources. Porém, a maioria desses espaços está localizada nas grandes cidades. E aí entra um ponto: os espaços de trabalho compartilhados, sem um planejamento urbano bem pensado, pode contribuir para a supervalorização dos mercado imobiliário. Em grandes centros urbanos, coworkings e equipamentos criativos são instalados em bairros mais antigos. Quando são grandes redes que fazem esse movimento, o efeito colateral é que eles acabam elevando o preço dos imóveis e deslocando pequenos negócios estabelecidos, além de inquilinos residenciais. Na América do Norte e Europa, esse termo é bem conhecido: a gentrificação.

Coworkings em Santos SP: quais temos?

Em comparação ano de 2015, a disponibilidade de coworkings na cidade de Santos/SP já evoluiu muito. Nós falamos pela primeira vez desse tema aqui no Juicy Santos pela primeira vez em 2012 e escrevemos um conteúdo completo sobre a história dos coworkings em Santos.

Analisar essa história é uma tarefa desafiadora, considerando a confusão ainda presente em torno do conceito de coworking como comunidade e não apenas como mesa e cadeira. É comum ocorrer confusão entre coworking e outros modelos como escritório flexível, compartilhado ou virtual, entre outros. O cenário em Santos segue uma trajetória semelhante. Uma das empresas pioneiras na oferta de espaços flexíveis na região é o Smart Center. Situado entre a Avenida Ana Costa e o Canal 3, na Rua José Caballero, 15, o Smart Center está presente em Santos desde 1999. Segundo a perspectiva deles, o coworking é caracterizado por um ambiente compartilhado onde profissionais de diversas áreas interagem e colaboram em um mesmo espaço. Em 2010, nasce o Espaço Certo, que também foi uma das marcas pioneiras na região em propor a questão dos escritórios flexiíveis.

Foi em 2017 que o conceito de coworking de maneira mais compatível com o nome ficou em maior evidência em Santos, com a inauguração da Spacemoon, que conseguiu criar uma comunidade de startups e pessoas interessados no tema. Em 2021 a Spacemoon encerrou suas atividades como espaço físico, por conta dos desafios da pandemia. Poucos meses depois, outros empreendedores alugaram o mesmo conjunto comercial da Spacemoon, dando origem ao Hub Santos. Também em 2021, Santos ganha um espaço pertinho da praia: o Ocean Offices com foco em endereço fiscal e salas fechadas.

No mesmo ano de 2021, o Juicyhub abriu as portas e vem ajudando a acelerar a disseminação do conceito “mais do que um coworking” na região da Baixada Santista. O Juicyhub é considerado um espaço que no mesmo andar, de aproximadamente 1000 metros quadrados, integra mais de 100 lugares diferentes para trabalhar, incluindo espaços compartilhados, salas de reunião, espaços de convivência, áreas de eventos, ambientes ao ar livre e até mesmo uma cafeteria integrada ao complexo. Uma proposta bastante diferente de tudo que existia até então na região.

Festa Junina no Juicyhub

Festa Junina no Juicyhub – uma proposta de integração das pessoas frequente através de um espaço inédito na região

Ou seja, 2021 foi um ano muito importante para o desenvolvimento dos espaços compartilhados na nossa cidade. Um ano que talvez fique marcado para sempre como uma virada de chave para o ecossistema de negócios e de inovação da nossa região.

Coworkings em Santos e sustentabilidade

Termos espaços compartilhados aqui em Santos pode melhorar nosso contexto urbano por diversas razões. Abaixo, listamos porque devemos valorizar esses ambientes na cidade, frequentá-los e fortalecê-los.

  1. Coworkings em Santos fomentam o empreendedorismo, através de ambientes propícios para o surgimento e crescimento de negócios emergentes, incluindo startups. Ao oferecerem infraestrutura acessível, networking e recursos compartilhados, eles facilitam a entrada de novos empreendedores no mercado, reduzindo muitas barreiras e diminuindo consideravelmente a solidão.
  2. Coworkings em Santos fomentam o aprendizado, através de ambientes propícios para freelancers, empreendedores, autônomos, trabalhadores independentes e profissionais em transição de carreira que encontram nesses ambientes um espaço de trabalho produtivo e colaborativo, evitando o isolamento e a solidão e fortalecendo muito o aprendizado, seja no dia-a-dia ou seja nos eventos promovidos por esses ambientes. O Juicyhub, por exemplo, promove eventos frequentes, workshops e palestras que contribuem para o desenvolvimento profissional e a aprendizagem contínua, enriquecendo ainda mais a comunidade local.
  3. Coworkings em Santos acelerarão a rede de inovação, reunindo profissionais de diversas áreas sob um mesmo teto, promovendo a colaboração e a troca de oportunidades, conhecimentos, estimulando a inovação e o desenvolvimento de projetos em conjunto. Acessar oportunidades de forma mais rápida é um recurso chave para a inovação. Ambientes compartilhados permitem a criação de conexões valiosas que podem resultar em oportunidades de negócios e parcerias.
  4. Coworkings em Santos estimulam o caminhar pela cidade e uso de bikes, reduzindo trânsito e poluição, possibilitando que pessoas trabalhem mais próximas de casa. Coworkings contribuem para a diminuição do tráfego nas ruas e a redução da emissão de poluentes, impactando positivamente o meio ambiente e a mobilidade urbana.
  5. Coworkings em Santos aceleram os pequenos negócios locais, atraindo profissionais de diferentes setores para um bairro ou região, impulsionando a economia local, beneficiando cafés, restaurantes e outros estabelecimentos próximos.
  6. Coworkings em Santos tornam a cidade mais atrativa para talentos, porque cidades com uma variedade de espaços de coworking podem se tornar mais atrativas para profissionais talentosos que valorizam a flexibilidade e o ambiente colaborativo. E se você não acredita nisso, olha esse vídeo abaixo:

Em resumo, os coworkings se tornaram elementos essenciais para a dinâmica das cidades modernas, criando ecossistemas que promovem a criatividade, a colaboração e o crescimento econômico sustentável.

Você já pensou em trabalhar em um? Agende seu day use experimental gratuito no Juicyhub ou em algum dos espaços citados aqui. Desbravar o universo dos coworkings em Santos pode trazer muitos benefícios para sua vida.