Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero
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Por onde anda Rita Lee?

Recentemente, ouvindo os álbuns de minha coleção, redescobri uma coletânea da Rita Lee. E devo confessar que bateu uma saudade daquela anarquia roqueira que ela sempre produziu com maestria.


O último lançamento de estúdio de Rita aconteceu em 2014, pelo selo Biscoito Fino. E chegamos a 2020 sem uma previsão segura de algum novo single ou álbum. Algo inimaginável nos anos 70, 80 e 90, quando ela estava em alta lançando uma série de hits que até hoje tocam em rádios e streamings.


Revival de Rita

Claro que a reclusão de Rita Lee tem a ver com o peso da idade, que cobra o seu preço em função dos excessos cometidos na juventude. Até os cabelos deixaram a cor vermelha e icônica para assumir os fios grisalhos.

Mas é fato que os hits que ela produziu permanecem mais vivos do que nunca. Não por acaso, volta e meia tem algum artista regravando algo dela ou prestando um tributo à sua obra.

O período dos anos 70 é apontado como o mais fértil de sua carreira. Nesse momento, ela deixa os Mutantes para decolar uma carreira solo, ao lado da banda Tutti Frutti. Ovelha Negra, Coisas da Vida e Agora Só Falta Você são alguns hits dessa época.

E, a partir dos anos 80, ela conquista o status de star da MPB. Ao lado do marido Roberto de Carvalho (por sinal, um baita músico e produtor de mão cheia), Rita atingiu um público ainda maior. Ok, o som ficou mais comercial, sem dúvida. Mas continuou com a mesma aura anárquica que sempre norteou sua obra.

Nas décadas seguintes, sua produção permaneceu constante até 2014, com o álbum Reza e a anunciada aposentadoria dos palcos. A partir daí, Rita entrou em uma reclusão voluntária. Lançou uma elogiada autobiografia que ganhou até o reconhecimento da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

Mas será que isso é suficiente? Para mim, é muito pouco. Sinto falta de ouvir aquela voz de timbre doce e agradável, que volta e meia trazia alguma mensagem interessante, inspirada geralmente no dia a dia que ela vivenciava.

No início deste 2020, ela fez uma aparição surpresa no programa de TV Refazenda com Bela Gil. Junto com Gilberto Gil, contemporâneo da Tropicália, Rita cantou Back in Bahia.

Talvez os versos do hit Ovelha Negra, de 1975, tenham sido proféticos ao prever que estava na hora dela assumir e sumir. Eu prefiro continuar torcendo para que ela pelo menos volte ao estúdio e continue arrombando a festa como sempre fez: tocando aquele tal de rock’n roll.