Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

Os 40 anos de Lança Perfume, de Rita Lee

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No final dos anos 70, Rita Lee começava a dar sinais de que iria explorar novos horizontes. Não que fosse deixar o seu lado de roqueira.

Mas a parceria com o Roberto de Carvalho sinalizava que ela poderia, sim, ampliar o seu público, atingindo uma gama maior de ouvintes ávidos por canções pop bem construídas.

E, de fato, a virada se consumou em grande estilo há 40 anos. O álbum, produzido pelo competente Guto Graça Melo, tinha como hit principal a canção Lança Perfume.

O álbum Rita Lee (1980) foi o oitavo da carreira solo da ex-Mutante. E, mais do que isso, acabou expandindo seus horizontes na música.

Seus singles foram lançados na América do Norte e na Europa, além de alcançarem os primeiros postos da parada no Brasil.

O disco continha oito faixas, sendo seis da dupla Rita e Roberto e apenas duas assinadas por só por ela (Baila Comigo e Orra Meu). E dá para notar logo no início que os arranjos foram um fator diferencial em relação ao disco do ano anterior.

Mostravam uma evolução absurda para o nosso pop.

É preciso lembrar que o rock nacional só começou a virar mania alguns anos mais tarde.

Rita Lee trazia um som feito sob medida para tocar em rádio e não apenas uma vez. Era feito para grudar os refrões nas nossas mentes.


Lança Perfume, com aquela introdução no piano elétrico parecida com a de What a Fool Believes, do Doobie Brothers. Trazia um sentimento de alegria, como se fosse uma marchinha de carnaval dos bons tempos. Logo virou mania nacional, mas somente a música (pois o lança perfume continuou proibido nos bailes e afins).

As demais faixas (Bem Me Quer, Nem Luxo Nem Lixo, Baila Comigo e Shan-Gri-La) mostravam uma compositora cada vez mais madura, que nunca teve medo de expor sua vida nas canções. Muitas delas se inspiravam na relação com Roberto de Carvalho, que estava indo de vento em popa tanto artística como sentimentalmente.

Caso Sério, uma balada em ritmo de bolero, é o amor de Rita e Roberto escancarado na letra.

“Eu fico pensando em nós dois/ Cada um na sua/perdidos na cidade nua/ Empapuçados de amor/Numa noite de verão/Ai, que coisa boa/À meia-luz, a sós, à toa…”

Em Orra meu, a faixa mais rock do disco, Rita lembra o lado marginal que todo roqueiro passava para a mídia no Brasil.

“Eu tô ficando velho/Cada vez mais doido varrido/Roqueiro brasileiro/Sempre teve cara de bandido…”


O fato é que Rita, com esse álbum, passou a atingir uma gama maior de público.

Não deixou de ser a Rita roqueira, rebelde e arteira.

Mas aprendeu que o pop pode ser feito para divertir e entreter o público de todas as idades.