Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

McCartney 3 – é Paul em gênero, número e grau

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Durante o isolamento na pandemia de COVID-19, o ex-beatle Paul McCartney aproveitou o tempo para gravar um álbum tocando todos os instrumentos.

No mais puro sentido de one man band, o disco McCartney 3 já é apontado como um dos seus melhores trabalhos dos últimos anos.


Em 1970 e 1980, ele já havia lançado discos gravados dessa forma, tocando os instrumentos e compondo sozinho todas as canções.

Agora, completando uma espécie de trilogia, ele volta a entrar no estúdio para gravar coisas novas inspiradas no seu dia a dia e em situações proporcionadas pelo isolamento social em sua casa e no seu estúdio particular.

Mc Cartney puro e simples


No entantom, se nos álbuns gravados em 1970 e 1980, ele mostrava clássicos como Coming Up e Maybe I’m Amazed, neste atual, ele apresenta um trabalho incrivelmente equilibrado e consistente, que também deve passar pelo teste do tempo. As canções soam pop bem ao seu estilo, incluindo uma bela balada (Woman And Wives) e uma canção folk intitulada Pretty Boys. Há uma faixa com arranjo que beira o blues (Lavatory Lil), além de uma supreendente canção pop iniciada apenas com percussão e vocal (Deep Deep Feeling).


É com o violão acústico que McCartney se mostra por inteiro. A balada The Kiss of Venus, com clima bem setentista, parece resgatar seus tempos da banda Wings.

Outro destaque é uma peça musical que abre e fecha o disco de forma brilhante.

Chamam-se Long Tailed Winter Bird e Winter Bird When Winter Comes.


McCartney 3 é Paul por inteiro, em gênero, número e grau. Sem filtros ou truques de estúdio, ele prova que ainda consegue produzir pérolas musicais convincentes no alto de seus 78 anos.