Alimentos ultraprocessados: será que a sua comida está te deixando doente?
Uma série histórica publicada na revista The Lancet, liderada por pesquisadores da USP, confirma o que muita gente já desconfiava — mas preferia ignorar
Você já percebeu como fatores como a correria, o calor de uma região como a Baixada Santista e pouco tempo pra cozinhar acabam tornando rotina o ato de entrar no mercado e pegar algo “prático”?
Barrinha aqui, iogurte “fit” ali, marmitinha pronta no jantar deixam a vida mais fácil, claro. A questão é que essa praticidade tem um custo – e ele está sendo cobrado diretamente na saúde da população.
No fim de 2025, pesquisadores do Nupens/USP publicaram na The Lancet — uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo — uma série de artigos que liga o consumo alto de ultraprocessados a mais de 30 problemas de saúde diferentes. O estudo não deixa margem pra relativização: é uma ameaça urgente à saúde pública.

O que é ultraprocessado, afinal?
Não é só o salgadinho da lanchonete. Ultraprocessado é qualquer produto industrializado feito com substâncias extraídas de alimentos e repleto de aditivos, emulsificantes, edulcorantes e conservantes que não existem na cozinha de casa.
Assim, entram nessa lista: refrigerantes zero, barrinhas de proteína, iogurtes “fit”, nuggets, pão de forma, sopas instantâneas, cereais matinais, macarrão instantâneo e por aí vai. Produtos que muita gente associa à alimentação saudável continuam sendo ultraprocessados.
A conclusão do Nupens é direta: o aumento desses produtos está “empurrando para fora” a comida de verdade do prato e é um motor central da epidemia de doenças crônicas.
Os números que assustam — e que precisam ser ditos
Os dados reunidos pelos pesquisadores da USP mostram que o consumo elevado de ultraprocessados está associado a:
- 50% mais risco de morte por doenças cardiovasculares e transtornos mentais comuns
- 20% mais risco de morte por qualquer causa, depressão e problemas de sono
- 12% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2
- Entre 30% e 40% mais risco de obesidade, hipertensão e colesterol alto
Portanto, não é alarmismo nutricional. É risco real de viver menos — e pior.
Mulheres pagam o preço mais alto
Um grande estudo de coorte acompanhou mais de 27 mil pessoas por mais de 20 anos. O resultado foi claro: a associação entre ultraprocessados e mortalidade é mais forte em mulheres do que em homens.
Além disso, outro trabalho mostrou que cada 10% a mais de ultraprocessados na dieta aumenta o risco de mortalidade por câncer — especialmente de ovário e de mama.
Isso bate em cheio num grupo específico: mulheres entre 25 e 44 anos. Exatamente o perfil que equilibra carreira, maternidade, sobrecarga mental e pouco tempo pra cozinhar. E, não por acaso, exatamente o grupo que a indústria alimentícia mais mira com promessas de “praticidade saudável”.
O combo “zero açúcar + barrinha + marmita pronta todo dia” pode estar encurtando a vida de forma silenciosa.
Não é só questão de engordar
O problema dos ultraprocessados vai muito além da balança. Os pesquisadores apontam mecanismos concretos:
Hiperpalatabilidade: esses produtos são formulados para fazer você comer mais sem perceber. Textura macia, sabor calibrado, líquidos sem fibra — tudo pensado para vencer a saciedade.
Nutrição esvaziada: muito açúcar, gordura ruim e sal. Quase nada de fibra, proteína de qualidade e micronutrientes essenciais.
Aditivos e contaminantes: emulsificantes, corantes e substâncias de embalagem afetam a microbiota intestinal, promovem inflamação e interferem no metabolismo.
Saúde mental: há associação consistente com depressão, ansiedade e distúrbios de sono. Aquele cansaço crônico, aquele intestino bagunçado — parte dessa equação pode vir da embalagem do mercado.
A indústria sabe o que está fazendo
A Série do The Lancet levanta um ponto que costuma ser ignorado: os determinantes comerciais da alimentação ruim.
Grandes corporações estruturam marketing, lobby e design de produto para empurrar ultraprocessados de forma sistemática. As estratégias incluem rotular produtos como “fit”, “zero”, “proteico”, “vegano” e “sem glúten” — enquanto mantém o mesmo padrão ultraprocessado na fórmula.
O marketing atua pesado nas redes sociais, com influenciadoras, desafios fitness e parcerias com apps de delivery. Contudo, o artigo é claro: enfrentar esse cenário exige política pública — regulação de marketing, rotulagem mais honesta e ambientes que facilitem o acesso à comida de verdade.
A mensagem é importante: não é falta de força de vontade individual. É um sistema desenhado para vender comida ruim o tempo todo.
Cuidar da saúde começa com acesso à informação
Saber o que está no prato é o primeiro passo. O segundo é ter acesso a profissionais que ajudem a traduzir essa informação em escolhas reais, dentro da rotina de cada um.
A Trasmontano Saúde, com mais de 93 anos cuidando de famílias da Baixada Santista, oferece atendimento completo em nutrição, medicina preventiva e acompanhamento especializado. Com planos para pessoa física, família e empresa, a Trasmontano facilita o acesso a quem pode ajudar você a sair do piloto automático alimentar — sem culpa, sem modismo, com ciência.
Por onde começar na prática?
- Priorize alimentos com ingredientes que você reconhece
- Desconfie de tudo que promete ser “fit”, “zero” ou “saudável” em embalagem chamativa
- Cozinhar não precisa ser sofisticado — arroz, feijão, ovo e legumes já são um excelente ponto de partida
- Busque orientação nutricional profissional para entender as necessidades do seu corpo
- Use o rótulo nutricional: se a lista de ingredientes for longa e cheia de nomes estranhos, é ultraprocessado
Essa matéria é um publieditorial em parceria com a Trasmontano Saúde.