Flávia Saad
Texto porFlávia Saad
37 anos - Santos (SP)

Morar em Santos: da Tijuca para o Gonzaga

A jornalista Natasha Guerrize chegou em Santos em dia de festa, com uma vitória do Santos FC em cima do Corinthians que fez do clube local campeão brasileiro de 2002. Ela tinha 14 anos quando desembarcou na cidade vinda do Rio de Janeiro.

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A família toda de Natasha criou raízes no bairro da Tijuca, Zona Norte da capital fluminense. Mas uma onda de criminalidade no fim dos anos 90 e início dos anos 2000 fez com que os pais da então adolescente resolvessem sair de lá.

“Sempre tive muito orgulho de nascer e de ter sido criada na Tijuca. Mas a violência e o crescimento do tráfico deixava tudo muito insustentável. Principalmente, para a minha mãe, que ficava muito preocupada comigo. Eu queria sair, ir ao cinema, ao shopping, ir à praia com as amigas… Me lembro de um toque de recolher que teve, a mando do Fernandinho Beira-Mar, à época, depois da Copa. Nesse dia, tudo parou. A diretora da escola ligou para os nossos pais. Acho que, naquele dia, foi a gota d’água. E ela quis se mudar”.

Vieram para Santos porque parentes de mãe de Natasha eram daqui, então ela sempre passou as férias de verão em terras caiçaras.

Quando soube que ia se mudar, animou geral!

“A primeira coisa que me veio à cabeça quando soube que ia me mudar era: ‘Oba, vou estudar, surfar, andar de skate e ouvir muito Charlie Brown Jr’ (hahaha). Pior que não fiz nada disso quando cheguei!”, diverte-se.

Hoje, é totalmente apaixonada por Santos. Ela confessa que sentiu muita falta do Rio no começo e morria de saudades das pessoas que ficaram por lá. Mas aqui se sentiu acolhida, principalmente em termos de trabalho – contrariando o senso comum que a gente tem de pensar que as melhores vagas estão lá fora.

“Consegui todos os empregos que quis em Santos. Às vezes, surgia uma oportunidade no Rio, outra em São Paulo… Mas vinha algo melhor em Santos. O que é um privilégio, quantos santistas não precisam subir e descer todo dia para trabalhar? Ou até se mudar definitivamente para São Paulo?”, conta.

Entrevistamos Natasha pra saber o que ela pensa sobre morar em Santos e o que precisa melhorar pra quem vem de fora.

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Juicy Santos: Qual a maior vantagem de viver em Santos?
Natasha: A maior vantagem é poder fazer tudo o que precisa em um só dia! Eu não troco essa conveniência de Santos por qualquer outro lugar. Vou dar meu exemplo no dia a dia: moro no Gonzaga, trabalho numa Universidade (a Unimes), que fica perto o suficiente para ir à pé, ao mesmo tempo, está numa localização ótima, próxima ao VLT.

Concilio tudo, indo também ao banco, almoçando fora (têm restaurantes por quilo bem perto), tem o Super Centro do Boqueirão, caso eu tenha que fazer alguma compra, supermercado… E quando o dia não é corrido, ainda é possível dar uma volta na praia, encontrar os amigos de noite… É o equilíbrio perfeito, porque não tem o caos de uma megalópole, como São Paulo, ao mesmo tempo, não é uma cidade ‘pacata’.

Juicy Santos: Como foi o processo de mudança pra vocês?
Natasha: Foi uma loucura. A gente colocou o apartamento para vender no Rio num domingo, na segunda, já tínhamos um comprador. Precisamos achar um apartamento em menos de três meses. Estava terminando a 8ª série. Aí eu fazia as provas e pedia para os professores me liberarem para viajar. Foram precisas algumas pontes aéreas para organizar tudo (risos).

Decidimos a escola primeiro, por recomendação da minha tia. Mas estava difícil encontrar um apartamento no perfil que a gente queria. Até que conseguimos achar no Gonzaga. Sempre tive paixão por esse bairro, porque tem muito comércio, shopping e os ares da praia. Tanto é que, quando eu vim para as Bodas de Ouro dos meus avós, bem novinha (7 anos), falei para os meus pais que, se um dia viesse a morar em Santos, ia para o Gonzaga. As palavras têm força!

Juicy Santos: Morar em Santos teve algum impacto no seu estilo de vida?
Natasha: Eu passei a andar mais à pé. No Rio, era preciso utilizar mais o transporte público, metrô, carro…

Juicy Santos: O que mais te encanta na cidade?
Natasha: O fato de ser uma cidade com uma vocação para o esporte é algo que me empolga muito! Tem muitos eventos próximos, corridas, jogos de futebol (tanto do Santos quanto da Briosa), maratonas, campeonatos de natação, basquete, judô, surf… Até etapa de Copa do Mundo de Beach Soccer tem aqui. Como eu adoro assistir a esses eventos, acho sensacional!

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Juicy Santos: O que mais te decepciona na cidade?
Natasha: O custo de vida em Santos é o ponto fraco, sem dúvida. Principalmente na vida noturna. Tem lugares ótimos, mas os preços…

Juicy Santos: Qual foi a maior descoberta que você fez morando aqui?
Natasha: Os vocábulos santistas, hahaha. Passei uma vergonha no primeiro dia de aula na escola. Uma menina me pediu ‘Errorex’. Fiquei sem graça, era muito tímida na época… Então não queria demonstrar que não sabia o que era o tal de Errorex. Aí eu fingi que não ouvi. Aí ela falou “me empresta o Branquinho”. Piorou. Aí fiz um carão, porque não entendia nada. Aí ela apontou, e falou: “Corretivo, pô!!!”. Dei risada, porque no Rio, a gente falava muito a marca do corretivo (Liquid Paper).

Juicy Santos: Quais são seus lugares favoritos aqui?
Natasha: Adoro o Centro Histórico de Santos… o ‘Baixo’ Boqueirão também é muito legal, a Concha Acústica, os quiosques e a orla da praia é muito linda. Mas a minha paixão é a Praça das Bandeiras. Acho aquele ponto muito bonito, porque tem o bonde para visitação, a praia, a vista para a Avenida Ana Costa, o Balneário.