Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

Muitas histórias, uma só emoção: a chegada de Roberto Carlos a Santos

Assim como a maioria das avós, Dona Dolores costuma acordar cedo, preparar seu café e, entre uma página e outra do jornal, apreciar a bebida.

Mas não foi assim na última quarta-feira (20 de janeiro), quando ela trocou a rotina matinal por um suco de caixinha e dedicou seu tempo a escolher a melhor roupa azul, arrumar os cabelos e seguir com destino ao Concais.Às 9 horas da manhã, já estava na porta do armazém 25, local onde se encontrava o Costa Pacifica, ou, como ela chamava, o “navio do Roberto Carlos“.Roberto Carlos

Ela e outras 2953 pessoas saíram de suas casas – aqui em Santos ou em qualquer cidade do país – com o mesmo destino.

“Conheço o Roberto Carlos há 22 anos, vivi no mesmo bairro que ele e até fiz amizade. Estive em todos os navios que ele cantou”, explica o senhor Eduardo Lima, que fez sucesso na sala de embarque, com sua roupa de comandante. “Ele diz em uma música que quer ter 1 milhão de amigos e já tem muito mais. O clima do cruzeiro é ótimo, sempre saio com vários amigos novos”.

Roberto Carlos

A história se repete com o grupo que saiu de Porto Alegre. Simpáticas, Dinorá, Vilma, Joselda e Aline cantam as músicas do Rei enquanto aguardam o momento do embarque. “É muito bom, o clima é incrível, super familiar, sempre nos divertimos muito”.

Roberto Carlos

Tem quem escolha a viagem como presente de aniversário. “Eu gosto das músicas dele, não acredito nisso de ter idade para ouvir. Mas vim mesmo por que é aniversário da minha sogra, ela pediu de aniversário e reunimos a família”, explica o mineiro Rafael. A pequena Rafaela, de 5 anos, diz que não sabe se vai ao show. “Eu nem sei quem é”, dispara, com a inocência da idade.

Enquanto isso,  dona Dolores se mantem em pé, firme e forte, esperando a chegada de seu ídolo e, outra senhora está sentada. Ao seu lado, uma muleta para auxiliar os pequenos movimentos que forem necessários.

Roberto Carlos

“Eu deveria ter feito uma cirurgia, mas não fui para ver o Roberto. Estou há seis anos tentando e finalmente consegui. Meu ortopedista disse que a minha saúde estava em primeiro lugar, mas eu falei que não, o Rei está! Até por que já fiz três cirurgias no joelho e nenhum cruzeiro com ele”, brinca dona Norma.

Roberto Carlos

O amor pela lenda da música popular brasileira está por todos os lados: em cartazes, camisas e presentes, tanto dentro do terminal, como lá fora, onde dona Dolores espera por sua chegada. “Eu queria entrar, mas não consegui comprar uma cabine, então estou aqui fora, talvez consiga ver ele chegar, né?”, diz com os olhos brilhantes.

Foi só próximo às 17 horas que o Cadillac vermelho apareceu, com escolta policial e recebido ao som de Emoções.

Roberto Carlos

“As estradas de Santos são incríveis, é sempre uma grande emoção voltar”, brincou, sorridente, sobre a minha eterna dúvida. Depois, seguiu para as quatro noites de viagem.

Não sei se dona Dolores conseguiu ver alguma coisa. Creio que não. Mas como ela me pediu para gravar bem o sorriso dele, deixarei a melhor foto que consegui.

Roberto Carlos

Quem sabe com essa imagem ela possa ter certeza que ele é, sim, igual o da TV.