Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 24 anos - Santos

Evelyn Santos é o cérebro da Santos Brasil – conheça essa mina poderosa

Chegar no terminal de contêineres da Santos Brasil não é simples.

Primeiro, a gente pega uma lancha, que sai a cada 30 minutos, da Praça da República. Na embarcação amarela, com lotação máxima de 12 pessoas, a viagem demora cerca de 15 minutos. Então, é necessário ter o documento em mãos para passar pela portaria, onde um raio-x confere o que tem na sua mochila e também no seu corpo. Lá dentro, o transporte pode ser feito tanto de ônibus quanto de van.

Andar a pé não é uma opção inteligente.

São 596 mil metros quadrados de área total. Espaço em que, apenas em 2019, foram movimentados mais de um milhão de contêineres.

E o cérebro disso tudo é uma mulher

Evelyn Santos, 34 anos, organiza cada centímetro das operações que acontecem ali.

juicysantos.com.br - Evelyn Santos

Por que isso é digno de um tema da semana no Juicy? Ainda nos dias de hoje, o Porto de Santos (e tantos outros do Brasil) é um ambiente majoritariamente masculino. Do total de colaboradores, há apenas 375 mulheres e boa parte delas fica na parte administrativa.

Segundo registros históricos, as mulheres só chegaram ao porto de Santos a partir da década de 1990. Antes disso, o maior envolvimento que tinham com essa região da cidade era como lavadeiras e passadeiras das roupas dos marinheiros que chegam em Santos.

No caso da Evelyn, a primeira travessia na lancha amarela aconteceu em 2009.

“Quando comecei, como estagiária, eu mal sabia o que era um contêiner. Entrei em um universo totalmente novo… Nos nove meses de estágio, aprendi sobre o que seria a logística portuária e um terminal de contêineres. Acabei sendo selecionada para continuar na equipe no fim desse período”, explica.

juicysantos.com.br - Evelyn Santos

Logo em seguida, ela já estava trabalhando em turnos no terminal. Fato que, muitas vezes, chocava tanto os companheiros de equipe quanto pessoas próximas a ela.

O porto na palma das mãos

Desde então, a santista passou por diversos cargos do terminal. Entre eles, ficou responsável pelo planejamento do pátio de exportação. Em resumo, Evelyn tinha a responsabilidade de determinar a localização de todos os contêineres – no pátio e também nos navios.

“É preciso prestar atenção em diversos fatores, pois a forma como você organiza os contêineres influencia, por exemplo, na navegabilidade do navio e também nas paradas que ele fará em outros portos”, explica.

Só para ilustrar, isso se parece com o trabalho de um bibliotecário. Porém, no lugar de livros, temos contêineres e as prateleiras são os corredores do navio ou do pátio. E, se acaso algo der errado, o resultado não é simplesmente um livro de medicina no meio de romances clássicos.

“Eu conheço essa pátio como a palma da  minha mão. Quando trabalhava no planejamento de navios, já sabia onde ia dar problemas… Então já pensava do início ao fim do navio onde íamos ter gargalos. Nas trocas de turnos avisava os colegas e isso facilitava muito o trabalho”.

Evelyn se destacou tanto nessa função, que subiu de cargo mais algumas vezes.

Atualmente, ela atua como coordenadora de planejamentos de operação, numa nova estrutura da empresa. Ou seja, comanda toda a equipe que faz o trabalho que ela fazia há algum tempo. Consecutivamente, todos os movimentos que são feitos dentro do TECON da Santos Brasil passam por ela – que fica disponível para e equipe mesmo quando não está no Porto de Santos.

Desde que a nova estrutura, encabeçada por ela, está ativa, o TECON passou de 80 movimentos por hora para, em média, 100.

Uma jornada de conhecimento e provações

Para chegar nessa posição, Evelyn precisou estudar muito (claro). Além da faculdade de economia, nos 11 anos trabalhando no porto, ela fez pós-graduação em Gestão de Portos e uma segunda pós em Supply Chain Management.

“Quando você entra nesse mercado, às vezes, para pra pensar que é a única mulher da sala ou a única coordenadora, por exemplo. Isso pode chocar um pouco”, confessa.

juicysantos.com.br - Evelyn Santos

De todo modo, a educação que recebeu dos pais fez com que isso não a intimidasse. Por mais que algumas vezes tenha sido necessário provar sua capacidade – pelo fato de ser mulher.

Nesses onze anos de porto, ela diz que fica cheia de orgulho ao ver mais mulheres trabalhando na operação. Aliás, na equipe, existem outras minas fazendo as tarefas que ela também executou no passado. Ainda assim, ela não nega: faltam mulheres no Porto de Santos. Mais do que isso, Evelyn sonha que um dia a equidade também chegue lá.