Quem anda de ônibus em Praia Grande? Pesquisa revela perfil dos passageiros
Mulheres representam 64% dos entrevistados, enquanto superlotação, demora e atrasos aparecem entre as principais reclamações
O ônibus faz parte da rotina de muita gente. Tem quem dependa dele para chegar ao trabalho, estudar, resolver pendências ou simplesmente tudo isso em um único dia.
Em Praia Grande, uma pesquisa revelou quem são essas pessoas e quais dificuldades encontram pelo caminho.

Foto: Arquivo Prefeitura de Praia Grande / Fred Casagrande
Um dos dados chama a atenção: as mulheres representam 64% dos passageiros entrevistados. Além disso, o levantamento identificou a superlotação como o principal problema do transporte coletivo municipal.
A pesquisa foi realizada pela Secretaria de Transportes (Setransp), em parceria com a WRI Brasil. Ao todo, 262 pessoas responderam ao questionário, que também avaliou diferentes aspectos do serviço.
Os resultados mostram um cenário com avanços na satisfação dos passageiros, mas que ainda apresenta desafios para quem depende dos ônibus diariamente.
Perfil dos passageiros
Além da maioria feminina, o levantamento apresenta um perfil bastante diverso dos passageiros.
Entre os entrevistados, 62% se identificam como pretos ou pardos. Já 48% possuem renda familiar de até 1,5 salário mínimo.
A frequência de utilização também chama a atenção. Cerca de 65% utilizam os ônibus cinco vezes ou mais por semana. Portanto, para boa parte dessas pessoas, o transporte coletivo faz parte de praticamente toda a rotina.
O trabalho aparece como principal motivo dos deslocamentos. Segundo a pesquisa, 69,1% dos entrevistados utilizam os ônibus para chegar ao emprego.
Outro dado ajuda a dimensionar esse percurso: 62% gastam, em média, uma hora nos deslocamentos.
Na prática, isso significa que uma parcela expressiva dos passageiros dedica um período considerável do dia ao transporte público.
E quando o ônibus atrasa ou chega lotado, o impacto vai além do desconforto durante a viagem. Afinal, o tempo de deslocamento também interfere na organização da vida pessoal e profissional.
Ônibus lotado ainda é uma das maiores reclamações
Quem já precisou esperar o próximo ônibus porque não conseguiu embarcar conhece bem esse problema. Na pesquisa, a superlotação aparece como a reclamação mais frequente entre os usuários do transporte municipal.
Na sequência, surgem o tempo elevado de espera nos pontos e os atrasos durante as viagens.
A disponibilidade de horários também merece atenção. Os passageiros apontaram dificuldades para encontrar serviços durante a noite e aos finais de semana.
E esse último ponto merece um olhar ainda mais especial. Afinal, nem todo mundo trabalha em horário comercial ou consegue organizar os compromissos de acordo com a oferta de ônibus.
Para quem trabalha à noite, aos finais de semana ou precisa retornar para casa depois de um expediente prolongado, a disponibilidade do transporte faz diferença.
A pesquisa não detalha quantos passageiros apontaram cada problema. Contudo, apresenta uma ordem de prioridades que ajuda a identificar onde o sistema precisa avançar.
Apesar das reclamações, transporte recebe nota 7
Se a superlotação lidera as queixas, outros indicadores mostram uma avaliação mais positiva do serviço. A satisfação geral dos passageiros chegou à nota 7, em uma escala de zero a dez.
Além disso, 80,5% dos entrevistados afirmaram que recomendariam o sistema municipal de transporte coletivo. Outros 78% disseram confiar nos ônibus para realizar seus deslocamentos.
A pesquisa também identificou melhorias em diferentes aspectos quando comparada ao levantamento de 2025.
Um dos destaques foi a informação ao cliente, que passou de 5,7 para 7,6. Já o conforto nos terminais subiu de 6,2 para 7,5.
O conforto dentro dos ônibus também apresentou evolução. A nota passou de 6,8 em 2025 para 7,2 em 2026.
Confira outros resultados:
- Informação ao cliente: 7,6.
- Conforto nos terminais: 7,5.
- Forma de pagamento e recarga: 7,4.
- Conforto nos ônibus: 7,2.
Outro dado aponta uma expectativa dos passageiros para o futuro da mobilidade. Cerca de 87% apoiam a implantação de ônibus elétricos na cidade.
Portanto, o levantamento apresenta duas dimensões do transporte municipal: a percepção positiva sobre alguns serviços e a necessidade de resolver problemas que continuam presentes na rotina dos passageiros.
Satisfação dos passageiros desde 2023
A pesquisa divulgada em outubro de 2026 representa a terceira edição do levantamento realizado pela Setransp em parceria com a WRI Brasil. A primeira aconteceu em 2023. Na ocasião, 264 pessoas participaram da avaliação, que contemplou oito linhas municipais.
Naquele levantamento, 89% dos entrevistados afirmaram que recomendariam o transporte coletivo da cidade. A satisfação geral recebeu nota 6,7.
Em 2025, a Prefeitura realizou uma nova edição, com perguntas voltadas ao conforto dos terminais, às integrações entre linhas e à rapidez do atendimento.
Já em 2026, o questionário abordou a disponibilidade, rapidez, concordância e problemas enfrentados pelos passageiros.
Dessa vez, a amostra reuniu 262 pessoas e contemplou dez linhas municipais. A aplicação aconteceu entre 18 e 29 de maio, em dias úteis, das 6h às 18h.
Vale lembrar que os levantamentos não utilizaram exatamente os mesmos recortes e indicadores. Por isso, a comparação entre os resultados precisa considerar essas diferenças.
O que a Prefeitura diz sobre as melhorias?
Segundo a administração municipal, os resultados ajudam a identificar as principais reivindicações dos passageiros e orientar os investimentos na área.
Em nota publicada pela Prefeitura, o secretário de Transportes, Leandro Avelino, comentou a importância de ouvir quem utiliza o serviço.
“Através da pesquisa entendemos o que a população quer como melhoria e podemos traçar as metas, direcionar os investimentos e, dessa forma, entregar para todos os usuários do transporte municipal as melhores condições possíveis para que eles possam se deslocar com qualidade, segurança e eficiência”, afirmou.
O secretário também destacou os abrigos e pontos de parada como prioridades atuais da secretaria.
“E nesse cenário, trabalhamos muito para resolver os apontamentos sobre os abrigos e pontos de parada de ônibus. São o nosso foco no momento”, completou.
A Prefeitura também tem outras iniciativas relacionadas à mobilidade. Em agosto de 2026, por exemplo, o município anunciou uma parceria para iniciar estudos sobre a implantação de uma frota de ônibus elétricos.
A proposta acompanha o interesse demonstrado pelos passageiros na pesquisa de satisfação.
Entretanto, os resultados também deixam uma questão para o planejamento municipal: melhorar os pontos de parada e investir em novas tecnologias são iniciativas positivas, mas a experiência de quem está dentro do ônibus também precisa entrar nessa conta.
Afinal, para quem depende do transporte coletivo todos os dias, conseguir embarcar, chegar no horário e encontrar uma opção para voltar para casa deveria ser o básico.
E Praia Grande ainda tem alguns pontos para resolver antes de chegar lá.