Você já viu esse cogumelo em Santos?
Santos tem muito mais vida do que a gente imagina...
Tem um cogumelo em Santos aparecendo por aí nos jardins, perto das raízes de árvores e na terra pelas ruas.
Não é novo, não é raro e quase ninguém repara.
Antes de qualquer coisa: não, você não está diante de algo raro ou exótico. O Macrolepiota é um fungo decompositor.
Ele não veio de outro planeta. Veio do chão mesmo, alimentado por folhas, matéria orgânica e todo aquele adubo que os canteiros acumulam.
Foto: Gustavo Nascimento
O cogumelo que trabalha de graça pela cidade
Pedro Trasmonte, biólogo e gestor ambiental, identificou na hora. O cogumelo, também conhecido como guarda-chuva, guarda-sol, frade ou chapéu de cobra,
“É um grupo muito comum”, ele explica. “Quase todos os canteiros de Santos têm. São fungos que reciclam nutrientes para o solo e favorecem a fertilidade dos ecossistemas”, explica Trasmonte. “São muito encontrados em composteiras e adubo orgânico.”
Ou seja, enquanto a cidade enfrenta debates sobre arborização e manutenção de praças, esses cogumelos estão lá, trabalhando silenciosamente na saúde do solo.
Eles aparecem geralmente depois de uma combinação de chuva e calor, sem época certa do ano. Santos, com seu clima úmido e quente boa parte do tempo, oferece condições quase perfeitas.
Pode tocar, mas comer, não
Inofensivos ao toque, segundo o biólogo. Mas aí vem o aviso que qualquer pessoa que gosta de cogumelo precisa ouvir.
Todo cogumelo é comestível. Alguns, apenas uma vez.
O Macrolepiota tem espécies comestíveis, sim. O problema é que ele se parece bastante com o Chlorophyllum molybdites, fungo tóxico que causa intoxicação gastrointestinal séria. Para o olho não treinado, a diferença é quase invisível. Até especialistas com meses de experiência confundem as espécies dentro do próprio gênero.
“Jamais devem ser consumidos sem comprovação de origem, como qualquer cogumelo”, reforça Trasmonte.
Uma dica técnica para quem quiser entender a diferença: o Macrolepiota tem esporos brancos. O Chlorophyllum molybdites tem esporos esverdeados, que mancham as lamelas quando o cogumelo amadurece. Mas identificar isso na prática, sem experiência e sem orientação de especialista, é arriscado demais.
Portanto não coma. Você não é o Super Mario.
Não precisa tirar (não adianta muito, também)
Se você viu um desses nos canteiros perto de casa e ficou com vontade de arrancar, saiba: não precisa. E, de certa forma, não adianta muito.
O que aparece na superfície é só a estrutura reprodutiva do fungo. A parte principal fica no solo, em estruturas microscópicas espalhadas pela matéria orgânica. Tirar o cogumelo é como cortar a flor sem arrancar a raiz. Sim, o fungo continua lá.
Abra o olho no canteiro
Na próxima vez que você passar por uma praça, um canteiro ou um jardim úmido de Santos, olha para baixo por um segundo. Aquele chapéu grande, claro, e caule rígido pode estar lá. É mais fácil de ver do que parece.
Você provavelmente já passou por um sem perceber.
Santos tem uma biodiversidade urbana que a maioria dos moradores desconhece. Fungos, aves, vegetação. A cidade vive, mesmo no asfalto, mesmo no canteiro descuidado. Às vezes basta parar e olhar para baixo.