VLT no Centro de Santos começa a operar em horário integral
Trecho até o Valongo promete mudar a rotina de estudantes, trabalhadores e de quem já perdeu a paciência no trânsito da região central
Se você já tentou atravessar o centro de Santos às 18h, infelizmente vai se identificar com essa situação: ônibus lotado, carro parado, moto costurando no retrovisor e a sensação de que qualquer trajeto de 10 minutos virou um episódio de sobrevivência urbana. Agora, a cidade tenta mudar um pouco esse roteiro e o tão esperado VLT em Santos chega como uma possível solução para esse cenário caótico.
Foto: Francisco Arrais/ Prefeitura de Santos
A partir desta segunda-feira, 11 de maio, o segundo trecho do VLT começa a operar em horário integral, das 5h30 às 23h30, ligando a Avenida Conselheiro Nébias ao Terminal Valongo. Na prática, isso significa que o trem deixa de funcionar “em horário comercial” da fase de testes e passa, finalmente, a conversar com a rotina real de quem acorda cedo, trabalha até tarde ou precisa circular pelo centro fora da janela das 9h às 15h.
E tem outro detalhe que ajuda bastante a convencer até quem nunca deu muita bola para o modal: o trecho segue gratuito por enquanto. Dessa forma, VLT em Santos tem atraído ainda mais usuários.
O VLT começa a entrar na rotina de verdade
Desde que chegou à Baixada Santista, em 2016, o VLT vive uma relação curiosa com a população. Todo mundo acha bonito e até gosta da ideia. Mas muita gente ainda não incorporou o transporte no cotidiano do VLT em Santos.
Parte disso acontecia porque o segundo trecho operava em horário limitado. Ou seja, servia mais para teste, adaptação ou passeio do que para resolver a vida de quem depende do transporte público.
Com funcionamento diário até 23h30, o modal passa a atender estudantes, trabalhadores do comércio, pessoas que usam serviços públicos no centro e até quem resolve emendar um happy hour no Valongo antes de voltar para casa.
Aliás, pouca gente percebe o tamanho da transformação silenciosa que isso pode gerar. Transporte muda fluxo, e o fluxo muda comércio, e assim o comércio muda ocupação da cidade.
O Centro volta a respirar movimento
O novo trecho conecta pontos estratégicos da região central, como Mercado Municipal, Poupatempo, universidades e o Terminal Valongo. Lugares que recebem diversas pessoas diariamente, mas que ainda sofrem com deslocamentos pouco eficientes.
Além disso, a ampliação do VLT conversa diretamente com um debate que Santos vive há anos: como fazer o Centro Histórico voltar a pulsar além do horário comercial. Inclusive, o VLT em Santos contribui para a revitalização do centro.
Mais circulação significa mais gente consumindo, ocupando espaços e transitando pela região. E isso interessa desde o estudante que precisa chegar na faculdade até o pequeno comerciante que depende do movimento das ruas.
Segundo a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), o Brasil já possui cerca de 250 quilômetros de linhas de VLT em operação em nove cidades. O modelo vem sendo adotado justamente por combinar capacidade de transporte, menor impacto ambiental e integração urbana.
Atenção redobrada para quem dirige no Centro
Com o funcionamento integral, muda também a dinâmica do trânsito na região. A partir de agora, estacionar sobre os trilhos fica proibido 24 horas por dia em todo o percurso da linha. Antes, a restrição acontecia apenas entre 8h e 16h.
Segundo a CET-Santos, os primeiros dias terão foco educativo. No entanto, depois desse período, a fiscalização passa a valer normalmente.
E existe um detalhe importante: diferente do primeiro trecho, esse novo percurso do VLT divide espaço com carros, motos e ônibus. Portanto, atenção deixa de ser sugestão e vira necessidade básica de sobrevivência.
Especialmente em Santos, onde seta muitas vezes parece item decorativo e o pisca-alerta virou licença poética para estacionar em qualquer lugar.
Um transporte gratuito que pesa menos no bolso
Outro ponto que ajuda a explicar a expectativa em torno da novidade é a tarifa zerada. Segundo a Artesp, o segundo trecho seguirá gratuito até que todas as estações recebam portas de embarque. Em tempos de passagem cara e orçamento apertado, isso pode representar uma economia relevante para estudantes, trabalhadores e idosos.
Além disso, o funcionamento ampliado aumenta as possibilidades de integração com ônibus e outros deslocamentos pela cidade.
Pode parecer pouco perto de grandes debates urbanos. Mas quem pega transporte público todos os dias sabe: qualquer economia de tempo e dinheiro muda a semana inteira. Por isso, o VLT em Santos já faz diferença na mobilidade da cidade.