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Vem ver a cobertura do 1º dia do Festival GOMO de Criatividade 2026

Acompanhe a cobertura completa do maior evento de criatividade da Baixada Santista

Tempo de leitura: 37 minutos

Neste fim de semana, o coração criativo de Santos bate mais forte na terceira edição do Festival GOMO de Criatividade, maior evento gratuito de criatividade e inovação da região.

Realizado no Juicyhub, o festival reúne empreendedores, artistas, makers, designers e pensadores para trocar ideias de verdade, por dois dias, com acessibilidade, networking genuíno e 100% gratuito.

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GOMO é a sigla para Grandes Oportunidades para Mudar o Óbvio e a proposta está longe de ser só um nome bonito para gravar no crachá. O festival nasceu em Santos com uma missão clara: democratizar o acesso ao conhecimento e ao ecossistema criativo. É gratuito, como sempre foi, porque aprender e se inspirar não deveria ser privilégio de quem pode pagar por isso.

O GOMO acontece no encerramento do mês em que se comemora o Dia Mundial da Criatividade e Inovação (WCID), data criada pela canadense Marci Segal em 2001 e reconhecida oficialmente pela ONU desde 2017. Com uma programação diversa e inspiradora, o evento se firma como um espaço de troca, aprendizado e fortalecimento do ecossistema criativo local.

Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub, abriu o festival com uma confissão pessoal. Desta vez, decidiu não ocupar o palco como de costume. A condução ficou por conta da mestre de cerimônias Ju Bordallo.

Ainda assim, Ludmilla fez questão de marcar presença e celebrar o terceiro ano do GOMO. Segundo ela, esta é a maior edição já realizada pelo Juicyhub. A afirmação vem acompanhada de alguns motivos claros: a força do time, a qualidade dos convidados e a rede de apoio construída ao redor do projeto.

Em seguida, ela puxou aplausos para a equipe, responsável por tirar o evento do papel.

“Quero começar contando um pouco do que vai rolar. Teremos feira, lançamento de dois livros, espaço para crianças, Juicycafé e muito mais”, afirmou.

Além disso, agradeceu aos patrocinadores, com destaque para o Ministério do Empreendedorismo.

“É um presente para a cidade de Santos. Um patrocínio federal que torna tudo isso possível.”

Ludmilla também destacou o apoio da Adobe e reconheceu o papel dos demais parceiros e mantenedores, essenciais para viabilizar o festival.

Na sequência, ela convidou André Falchi, diretor do Departamento de Inovação e Economia Criativa de Santos.

Falchi reforçou a importância da pauta na cidade.

“O prefeito Rogério Santos é um entusiasta da economia criativa. Conseguimos transformar essa agenda em política pública. Desde 2015, Santos tem o selo da UNESCO e seguimos trabalhando para ampliar esse posicionamento. Muito disso também passa pelo trabalho da Ludmilla”, afirmou.

Na sequência, Brenno, sócio da SB7, subiu ao palco e compartilhou a visão da empresa sobre criatividade.

“Na SB7, falamos muito sobre criatividade, mas sempre com o foco em entender onde ela entra no negócio. No começo, tratávamos isso de forma mais técnica. Com o tempo, percebemos que era algo muito maior e também estratégico para os nossos clientes. Hoje, mostramos que o serviço não é só montar equipamentos, mas explicar como cada escolha melhora a experiência dos eventos”, afirmou.

Logo depois, Ludmilla chamou Amanda Silva, analista de marketing da Adobe.

“Eu sempre fico impressionada ao ver essa comunidade criativa reunida em um sábado de manhã. Para a Adobe, estar aqui é muito importante, porque estamos celebrando a criatividade de todos”, destacou.

Além disso, alguns creators da Adobe também marcaram presença no evento, reforçando essa conexão com a comunidade.

Em seguida, foi a vez de Liz Soares subir ao palco para falar sobre a participação da São Judas Unimonte.

“É uma felicidade enorme representar a São Judas em um evento tão especial. Nosso projeto vai além das salas de aula. Por isso, agradeço ao Juicy por essa parceria, que leva inovação e criatividade aos nossos estudantes e à cidade de Santos”, afirmou.

Ela ainda reforçou o papel da criatividade no desenvolvimento urbano.

“A criatividade vai determinar o futuro das cidades. Quando aproximamos a academia das pessoas e das ideias, criamos uma força propulsora para dar continuidade aos projetos”, completou.

Na sequência, Daniel Papa Garcia, secretário do Ministério do Empreendedorismo, subiu ao palco e destacou o peso da iniciativa.

“A responsabilidade é muito grande. Parabéns pela força de tudo o que o Juicy representa. De forma resumida, o Ministério nasceu para impulsionar um setor que já representa cerca de 30% do PIB”, afirmou.

Além disso, Daniel apresentou um panorama das ações do ministério. Ele destacou como o cenário pós pandemia acelerou o empreendedorismo no Brasil e exigiu políticas públicas mais estruturadas para apoiar quem decidiu empreender.

Com isso, reforçou a importância de iniciativas que conectam criatividade, negócio e território.

Logo depois, com o público aquecido e o palco pronto, o GOMO 2026 começou oficialmente.

Veja alguns dos destaques do primeiro dia do Festival GOMO de Criatividade

Humor e criatividade na produção de conteúdo de redes sociais – como isso impacta o seu negócio?

Vitor diCastro subiu ao palco com humor e franqueza, mas também com uma trajetória que mistura persistência, reinvenção e leitura de mercado. Logo de início, ele quebrou o gelo: “Eu vim em missão de paz”. Em seguida, se apresentou com ironia: “Tenho 36 anos, sou ator e meu primeiro papel foi Jesus, com seis meses de idade”.

www.juicysantos.com.br - Vitor deCastro - Confira tudo o que rolou no 1º dia do Gomo de 2026

A fala leve abriu caminho para uma história marcada por escolhas firmes.

“Sempre gostei disso, era a criança que era chamada para fazer as coisas”, contou. Depois, completou: “Fazia aula de teatro e, quando terminei o ensino médio, resolvi seguir o teatro”.

A decisão o levou para São Paulo com poucos recursos e muita convicção. “Cheguei com uma mala e um sonho”, disse. Nesse período, enfrentou dificuldades financeiras, mas manteve o foco. Quando concluiu a formação, veio um choque de realidade:

“Sempre achei que o diploma abriria as portas. Mas quando você chega no mercado de trabalho, descobre que as oportunidades nem sempre estão disponíveis”.

Foi nesse contexto que ele começou a produzir conteúdo para a internet, em 2014. Após a morte do pai, decidiu investir o pouco que tinha.

“Peguei R$ 1.000 de herança e comprei equipamento para gravar”, relembrou.

Na época, o cenário digital ainda era incipiente.

“Não tínhamos tanto o costume de gravar. Fui entendendo e resolvi levar aquilo mais a sério”.

A virada veio quando decidiu falar sobre astrologia, mas de um jeito diferente.

“Já existia muito conteúdo astrológico, mas era muito sério, difícil de entender. Resolvi usar o humor”.

Assim nasceu o projeto que o tornaria conhecido.

Em uma decisão arriscada, lançou 24 vídeos de uma vez. “Lancei os vídeos rezando”, contou. O resultado surpreendeu:

“Depois de uma semana, um deles bateu 8 milhões de views”.

A estratégia, no entanto, trouxe um novo problema.

“Eu entendi que as pessoas estavam certas, eu não tinha mais o que lançar. E agora?”

A resposta veio do próprio público.

“Foi quando percebi que o consumidor diz o que quer. Queriam consumir o produto”.

A partir disso, ele manteve a produção enquanto ainda tinha um emprego formal, até a pandemia mudar tudo.

“Peguei meus 40 melhores vídeos e postei durante os 40 dias de quarentena”, explicou.

A ideia era simples:

“Vou oferecer entretenimento enquanto todo mundo está em casa”. Em seguida, aumentou o ritmo. “Passei a produzir três vídeos por dia”. O impacto foi direto. “Foi aí que minha vida mudou completamente”.

Com o crescimento, veio a profissionalização. “Deixei de ser pessoa física e virei uma marca”, afirmou. Ele estruturou equipe, fechou contratos e passou a tratar o conteúdo como negócio.

Durante a palestra, Vitor destacou uma mudança central no mercado digital.

“O TikTok fez uma coisa que nenhuma rede fez: mostrou que pessoas anônimas podiam viralizar”.

Segundo ele, isso redefiniu o jogo.

“Hoje, todo mundo que quer ter uma marca precisa ter impacto nas redes sociais”.

Nesse cenário, a distinção entre criador e empreendedor praticamente desapareceu.

“Antes existiam criadores de conteúdo e pessoas normais. Hoje, se você empreende, você também precisa criar conteúdo”.

Ele detalhou essa nova exigência:

“Você precisa estudar técnica, entender luz, cor, produto. E também saber fazer trend, ter ring light, celular bom, microfone”.

Ao mesmo tempo, fez uma crítica direta ao sistema. “Não acho isso justo”, disse. E completou, sem rodeios: “O capitalismo não é justo”.

A reflexão avançou para o papel das redes na existência das marcas. “Uma marca sem rede social consegue sobreviver?”, questionou. Em seguida, provocou a plateia: “A marca que não está nas redes sociais, ela de fato existe?”

Mesmo com o tom crítico, Vitor manteve o humor característico.

“É tanto criador de conteúdo hoje em dia que eu queria ver um destruidor de conteúdo”, brincou.

Por fim, deixou um alerta importante para quem associa volume a resultado. “Quantidade não está ligada à qualidade, nem ao número de vendas”, afirmou, usando a própria trajetória como exemplo.

“O objetivo final de um empreendedor é vender. A partir disso, fica claro que a criação de conteúdo não é um fim, mas uma ferramenta para impulsionar vendas. Por isso, definir o foco faz toda a diferença: você quer apenas produzir vídeos ou fortalecer a sua marca para vender mais?”

Entre risos e provocações, a palestra deixou uma mensagem clara: visualização não é nada, mais do que talento, o cenário atual exige leitura de contexto, adaptação constante e coragem para testar caminhos fora do óbvio.

A economia da coragem: como aplicar o seu borogodó para construir futuros possíveis

Daniel Domingues, mentor de processos de autodescoberta, abriu o painel com uma reflexão sobre escolhas de vida e a necessidade de questionar caminhos considerados naturais. Em um tom emotivo, ele conduziu o início da conversa propondo uma análise sobre satisfação e desejos construídos ao longo da trajetória profissional.

“O óbvio precisa ser dito.”

Segundo ele, a insatisfação surge da diferença entre o que se tem e o que se deseja, muitas vezes influenciada por expectativas externas. Ao longo da fala, destacou como o mercado e os algoritmos moldam ambições que nem sempre refletem quem as pessoas realmente são.

“Quanto mais a gente quer o que talvez nem faça parte do que somos, menos a gente fica.”

Daniel também compartilhou experiências pessoais de reinvenção após um burnout, quando decidiu abandonar o caminho corporativo para buscar maior alinhamento com sua essência. Para ele, esse movimento exige um processo interno profundo e desafiador.

“O convite aqui é: a melhor jornada é a pra dentro, e ir para dentro é muito difícil.”

Na sequência, Marcelo Correia, cantor, compositor, palestrante e criador de projetos voltados ao letramento do cuidado, trouxe a discussão sobre coragem, masculinidade e transformação pessoal. Ele apresentou seu trabalho voltado à educação emocional de meninos e homens, destacando a importância de romper padrões impostos socialmente.

“Para construirmos esse mundo é preciso de muita coragem, mesmo quando disserem que é bobagem.”

Marcelo criticou a ideia de que o cuidado deve ser suprimido na construção da identidade masculina e refletiu sobre os impactos dessa lógica ao longo da vida.

“Para ser homem, temos que suprimir o cuidado, foi algo roubado de nós por essa visão de masculinidade.”

Ao abordar o conceito de “borogodó”, ele ampliou o significado da expressão para além do senso comum, associando-o à autenticidade e à resistência frente à padronização.

“O borogodó é aquele tempero gostoso, aquele detalhe que faz algo especial, aquilo que é único, que atrai a gente.”

“O mundo está padronizando a gente, então o borogodó também é resistência, é nadar contra a maré, ser quem se é sem medo.”

Ele também compartilhou sua trajetória de transição após experiências de esgotamento físico e emocional, quando percebeu que havia se encaixado em um modelo que não refletia sua identidade.

“O errado é o molde que eu me encaixei, eu fiz uma transição de vida.”

Ao retomar a carreira artística, enfrentou pressões do mercado por formatos mais comerciais, o que o levou a refletir sobre validação e identidade.

“Corremos tanto atrás da atenção do outro, que perdemos quem somos.”

Marcelo destacou ainda a paternidade como um ponto de transformação em sua vida, ampliando sua relação com o cuidado e a educação.

“Minha maior transformação foi a paternidade. Como homem entrei no lugar do educar, do cuidar e me senti feliz.”

Encerrando o painel, Mari Araújo, executiva com experiência em estratégia e inovação, trouxe uma abordagem voltada ao autoconhecimento e às possibilidades de construção de futuro. Ela iniciou sua fala questionando as definições tradicionais de identidade.

“Já fui casada, já fui mãe, mas hoje não tenho esse papel. Então o que eu sou?”

A partir dessa reflexão, apresentou três caminhos possíveis que orientam a vida das pessoas. O primeiro, guiado por expectativas sociais e culturais; o segundo, construído a partir de decisões próprias; e o terceiro, que surge de forma inesperada.

“Esse futuro guia grande parte de nossa vida.”

“O terceiro futuro é aquele que emerge.”

Mari compartilhou sua própria mudança de trajetória ao se reconectar com a terra e repensar sua relação com trabalho e propósito. Nesse processo, associou o burnout à degradação interna e ambiental.

“O burnout é a desertificação do homem. É a destruição que fazemos com nós mesmos e também com o planeta Terra.”

Ao final, defendeu a importância de reduzir o controle excessivo sobre a vida e permitir que novos caminhos se revelem ao longo do percurso.

“Hoje eu trabalho desenvolvendo conservas de frutas, que estava fora do meu planejamento do futuro.”

“O terceiro futuro é aquele que emerge.”

O painel terminou com um momento emocionante de autorreflexão e uma apresentação musical de Marcelo.

O diabo veste algoritmo: 25 anos de bastidores das revistas de moda ao TikTok

André do Val, jornalista de moda e consultor de estilo com mais de duas décadas de atuação, conduziu a palestra com reflexões sobre a relação entre tecnologia, comportamento e consumo. Com experiência em veículos como Vogue Itália, Marie Claire e Folha de S.Paulo, ele apresentou um panorama das mudanças no setor desde o início da internet até a era dos algoritmos.

“Quando eu comecei em 2000 não tinha internet. Todo mundo que trabalha com moda tem essa vontade do novo, então me interessei pela internet.”

www.juicysantos.com.br - André

Ao contextualizar sua trajetória, André explicou que a moda sempre esteve ligada à ideia de renovação constante, incentivando o consumo e a busca por atualização como forma de pertencimento social.

“Mostrar que você está atualizado te dá um ganho social.”

Ao longo da palestra, ele destacou que as transformações tecnológicas aceleraram esse processo, alterando profundamente a dinâmica da indústria e da comunicação. Segundo o consultor, o modelo tradicional, em que revistas e editores definiam tendências com meses de antecedência, foi completamente impactado pela velocidade da internet.

“Tivemos que aprender a escrever para a internet. Toda a cobertura de moda era voltada para revista.”

“Com a internet isso quebrou completamente.”

Ele relembrou o período em que atuou no lançamento do primeiro site de moda do Brasil e como a digitalização modificou a forma de produzir e consumir conteúdo. Para André, a rapidez da informação redefiniu não apenas a comunicação, mas também o próprio conceito de moda.

“A ideia de moda rápida não é só da produção, mas da informação rápida.”

Com a popularização das redes sociais, ele observou uma mudança no papel do público, que passou a opinar constantemente sobre tendências e estilos, muitas vezes sem critérios técnicos.

“Crítico de moda hoje em dia é igual de técnico de futebol. Todo mundo quer dar palpite.”

Diante desse cenário, André ressaltou a importância de desenvolver senso crítico e aprender a filtrar conteúdos, destacando que o próprio usuário influencia o funcionamento dos algoritmos.

“Tenho feito a técnica de não interagir com o que eu não quero ver.”

Ao abordar o avanço da inteligência artificial, o jornalista defendeu uma postura de adaptação, e não de resistência. Para ele, a tecnologia deve ser incorporada como ferramenta de trabalho e apoio à criação.

“Não temam a tecnologia na moda.”

“Estamos com medo da IA, mas ela já está aí. Temos que nos adaptar e saber usar ela a nosso favor.”

Apesar disso, reforçou que o fator humano continua sendo essencial, especialmente em áreas que envolvem subjetividade e identidade. Nesse contexto, diferenciou moda e estilo, destacando o papel das escolhas individuais.

“Estilo é o que você escolhe se vestir que diz quem você é.”

Ele também chamou atenção para o impacto coletivo das decisões individuais, ressaltando que a forma de se vestir está sempre relacionada ao olhar do outro.

“Em maior efeito ou menor, sempre estamos pensando no outro. Nos vestimos pelo coletivo.”

Ao final, André refletiu sobre a crescente humanização das tecnologias e os limites dessa relação, defendendo que ferramentas como inteligência artificial devem ser compreendidas como recursos, e não substituições da experiência humana.

“Use a informação, use a tecnologia a seu favor, mas traga sempre para o lado humano.”

Criatividade, IA e previsões apocalípticas: o que melhorou e piorou até aqui?

Dani Junco, fundadora da B2Mamy e uma das principais vozes do empreendedorismo feminino no Brasil, e Pietra Quinelato, doutora em Direito pela USP e especialista em inteligência artificial, conduziram o painel com uma abordagem prática sobre criatividade e transformação do mercado. Logo no início, as duas propuseram um exercício para estimular o pensamento criativo e preparar o público para o debate.

“Nosso cérebro reconhece rápido essa sequência. Só que aí vem o outro pedaço do cérebro que precisa entrar agora, que é o da criatividade, da inovação e do improviso.”

A dinâmica serviu como ponto de partida para discutir um cenário em que não há mais caminhos previsíveis ou fórmulas prontas de carreira. Para Dani, a lógica tradicional deixou de existir diante das transformações tecnológicas.

Segundo as palestrantes, a criatividade está diretamente ligada à capacidade de atenção e construção de repertório. Elas destacaram que o excesso de estímulos digitais compromete esse processo, dificultando a retenção de informações e o desenvolvimento de novas ideias.

“O que é memorável? Aquilo que conseguimos guardar. Para isso precisamos de atenção plena.”

“Atenção plena cria memória, que cria repertório. Sem repertório não tem criatividade.”

Ao longo da conversa, Pietra trouxe uma reflexão sobre o avanço da inteligência artificial no campo cognitivo e os impactos disso na produção intelectual. Para ela, a tecnologia já executa grande parte das tarefas mentais, o que exige uma diferenciação humana mais clara.

“O trabalho cognitivo está sendo feito pela IA. Se não colocarmos nossa personalidade, sempre vamos pensar em coisas iguais e produzir coisas iguais.”

Dani complementou apontando a escala dessa transformação e o volume de conteúdo gerado por máquinas nos próximos anos.

“98% do conteúdo da internet vai ser produzido por IA nos próximos anos.”

A partir disso, as duas provocaram o público a refletir sobre o próprio papel no mercado de trabalho, questionando quais atividades ainda dependem exclusivamente da atuação humana.

“O que vocês fazem na carreira de vocês que não pode ser um prompt?”

Para Pietra, a resposta passa pelas relações humanas e pela capacidade de interpretação, aspectos que ainda não podem ser replicados integralmente por máquinas.

“A interpretação é a chave. Não é mais sobre o que você sabe, é mais sobre o que você vê, a forma como você vê e aplica.”

Outro ponto central foi a mudança de papel da inteligência artificial, que deixa de ser apenas uma ferramenta para se tornar parte estrutural do trabalho e da vida cotidiana. Nesse contexto, Dani destacou a importância de desenvolver habilidades que não podem ser automatizadas.

“Precisamos de duas características que não existem na IA: coragem e ousadia.”

As palestrantes também ressaltaram a importância da leitura e da comunicação como formas de organização do pensamento e diferenciação profissional.

“Ler te traz plano de fuga.”

Ao final, reforçaram que, apesar dos avanços tecnológicos, a criação genuína continua ligada à experiência humana, à capacidade de contar histórias e à construção de significado. Para elas, o desafio não é competir com a inteligência artificial, mas utilizá-la de forma estratégica sem perder a individualidade.

“A criação só é considerada obra quando é fruto do espírito humano.”

A guerra é a sentença de morte definitiva da criatividade humana. Como evitá-la?

João Paulo Charleaux, jornalista e escritor com atuação em política internacional, participou de um painel ao lado de Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub, para discutir os impactos da guerra na sociedade e na criatividade humana. Durante o encontro, ele também lançou seu novo livro, “As Regras da Guerra”, que reúne reflexões históricas e contemporâneas sobre os conflitos armados.

A conversa começou com provocações sobre como guerras influenciaram o cotidiano de forma indireta, inclusive na criação de produtos populares.

“A guerra trouxe algumas inovações de produtos que a gente consome.”

A partir desse ponto, Charleaux destacou a contradição central entre guerra e criatividade. Segundo ele, apesar de parecer um motor de inovação, o desenvolvimento gerado em contextos de conflito é resultado de uma concentração extrema de recursos e da suspensão de direitos.

“A guerra é um acelerador de esforços e recursos.”

“Esse grande desenvolvimento ocorre ao custo de supressão de direitos. Quem se questiona ou se opõe acaba sendo eliminado.”

Para o jornalista, essa aceleração cria uma percepção distorcida de progresso, já que o avanço acontece em um ambiente de repressão e violência. Ele definiu a guerra como um espaço de limitação da liberdade, ainda que produza efeitos que, à primeira vista, possam parecer positivos.

“A guerra é um lugar de repressão, de castração.”

Ao longo da conversa, Ludmilla trouxe o conceito de destruição criativa para questionar o papel da guerra nesse processo. Em resposta, Charleaux apresentou uma metáfora que sintetiza sua visão sobre o funcionamento dos conflitos.

“É um empreendimento organizado. É uma empresa muito complexa com muitas tarefas que não tem a ver com atacar e disparar.”

“É uma grande mobilização para causar destruição, então é uma construtora ao contrário.”

Ele explicou que a guerra envolve uma estrutura altamente planejada, com logística, tecnologia e conhecimento técnico avançado, mas direcionados para a destruição. Para ele, trata-se de uma forma de criatividade que produz efeitos negativos duradouros.

“É um empreendimento que exige criatividade, mas envolve morte, destruição e trauma. É uma criatividade destrutiva.”

Durante o painel, Charleaux também apresentou o livro “As Regras da Guerra”, no qual percorre a história dos conflitos desde o Paleolítico até os cenários contemporâneos, marcados pelo uso de drones e inteligência artificial. A obra reúne aspectos legais, culturais e religiosos que, ao longo dos séculos, tentaram limitar a violência e preservar algum nível de humanidade mesmo em situações extremas.

Ele explicou que o livro propõe uma reflexão sobre como diferentes sociedades tentaram estabelecer regras para a guerra e como essas tentativas revelam tanto os limites quanto as contradições da própria condição humana.

“A guerra é destrutiva mas também é construtiva no sentido de que traz oportunidades para alguém.”

Outro ponto abordado foi a ideia de que regimes autoritários poderiam acelerar o desenvolvimento, destacando o risco dessa visão ao ignorar os custos humanos envolvidos.

“Para algumas pessoas, muita gente se proclama progressista mas considera a democracia liberal uma bobagem e o que faz uma sociedade avançar é uma ditadura.”

Ao final, o jornalista reforçou que, embora a guerra mobilize recursos e gere avanços pontuais, ela representa uma ameaça direta à criatividade humana ao limitar liberdades e comprometer valores fundamentais. Nesse contexto, destacou a importância da diplomacia, do direito internacional e do trabalho humanitário como formas de preservar a humanidade mesmo em cenários extremos.

Bem-vindos à escola do Entusiasmo

Rosana Hermann, jornalista, roteirista e escritora com quase 40 anos de carreira na televisão, abriu a palestra com bom humor e referências à sua trajetória profissional. Com passagens por diferentes emissoras e projetos, ela apresentou ao público o conceito da sua “Escola do Entusiasmo”, que orienta sua visão sobre criatividade.

“Entusiasmo vem de um grego, entusiasmó, que é em, que é dentro, né? Em, e teus, que quer dizer deus.”

A partir da etimologia da palavra, Rosana explicou que o entusiasmo está ligado à ideia de uma força criativa interna, acessível a todos. Para ela, esse estado não depende de inspiração externa, mas de uma decisão consciente de ativar a criatividade.

“Criatividade é um treino, é um estado que você decide se colocar e você decide ativar.”

Ao longo da palestra, ela destacou que o primeiro passo para criar é perder o medo do desconhecido. Como exemplo, contou que conseguiu interpretar um manual em grego apenas comparando símbolos com referências já conhecidas.

“Se a gente não tiver medo do desconhecido, é o primeiro passo.”

Rosana também traçou um panorama histórico sobre o conceito de criatividade, mostrando como a percepção mudou ao longo do tempo. Segundo ela, na Grécia Antiga, acreditava-se que as ideias vinham de forças externas, enquanto, no Renascimento, passou-se a valorizar o indivíduo como origem da criação.

“No renascimento, passou-se a acreditar que a pessoa é que era genial e que a ideia vinha de dentro dela.”

Para a palestrante, essa mudança reforça a responsabilidade individual no processo criativo, que exige prática, repertório e abertura para novas perspectivas. Ela destacou a importância de observar o cotidiano com menos julgamento e mais curiosidade.

“A gente se põe limitações que ninguém mais coloca.”

Ao compartilhar experiências pessoais, Rosana mostrou como soluções criativas podem surgir de situações simples. Um dos exemplos foi quando precisou preparar uma grande quantidade de salada e, sem um recipiente adequado, utilizou o gavetão da geladeira.

“A gente nunca olhou essa a gaveta da geladeira como um recipiente.”

Ela também abordou o conceito de pensar fora da caixa como a capacidade de romper limites autoimpostos e criar conexões inesperadas. Nesse contexto, relacionou diferentes áreas do conhecimento, como a escrita e a tecelagem.

“Escrever é tecer.”

Segundo Rosana, essa relação aparece na própria linguagem, com termos que remetem à construção de narrativas como “trama”, “fio condutor” e “pontas soltas”. Para ela, inovar é justamente conectar referências de diferentes tempos e contextos.

“Inovar é também fazer conexões entre passado, presente e futuro.”

Outro ponto abordado foi a importância do autoconhecimento e do equilíbrio como bases para a criação. Ao citar ensinamentos da Grécia Antiga, Rosana destacou princípios que, segundo ela, continuam atuais.

“Nada em excesso.”

“Conhece-te a ti mesmo.”

Ao final, reforçou que a criatividade está diretamente ligada à forma como cada pessoa observa o mundo e constrói significado a partir das próprias experiências. Para ela, manter o entusiasmo é uma escolha contínua, fundamental para sustentar a curiosidade e a capacidade de criar.

Nem São Paulo, nem Vale do Silício: como vencer empreendendo fora dos grandes centros

A palestra foi conduzida por Leandro Palmieri, CEO e cofundador do ONOVOLAB, um hub de inovação criado em São Carlos. Com formação em publicidade e marketing, ele atua há mais de 15 anos no ecossistema de startups e já esteve por trás de grandes eventos de tecnologia no Brasil, como o The Next Web e o CASE. Nos últimos anos, passou a se dedicar à construção de comunidades e ambientes de inovação fora do eixo tradicional.

Logo no início, Leandro deixa claro que sua trajetória não tem nada de romantizada. Pelo contrário, ela começa com uma quebra. Em 2016, após a crise econômica, sua empresa perdeu patrocinadores e fechou as portas.

“Em 2016, a gente quebrou.”

Foi desse cenário de dívida e incerteza que surgiu a ideia do ONOVOLAB. Ao lado do sócio, durante uma ida à Campus Party, veio o insight que mudaria tudo:

“Poderíamos fazer um evento como a Campus Party todos os dias do ano.”

A partir daí, nasce o conceito de um espaço permanente de inovação, onde pessoas pudessem se encontrar, trocar e criar continuamente. E, em vez de apostar na capital, eles decidiram ir para São Carlos, apostando na densidade intelectual da cidade.

Leandro reforça que o projeto não nasceu de edital, incentivo ou planejamento estruturado, mas da execução prática e da insistência. Foram mais de 400 reuniões até fechar o primeiro contrato.

Dois empreendedores endividados, com filhos pequenos e sem garantia nenhuma começaram a transformar uma fábrica abandonada em um hub que hoje impacta milhares de pessoas.

Ao longo da fala, ele compartilha erros importantes, como tentativas frustradas de expansão para outras cidades, que quase comprometeram o negócio principal. Esse aprendizado levou a uma virada estratégica: foco total naquilo que realmente gera impacto.

A principal tese da palestra aparece de forma direta:

“Ecossistemas não se constroem com infraestrutura, mas com pessoas.”

Para ele, inovação não está ligada ao lugar, mas à capacidade de conexão. Estar fora dos grandes centros, inclusive, pode ser uma vantagem competitiva.

Leandro também defende que o futuro não pertence necessariamente às empresas mais inteligentes, mas às que conseguem criar redes mais fortes e colaborativas.

No fim, a mensagem é clara e prática: empreender fora do eixo é possível, mas exige consistência, conexão e visão de longo prazo. Inovação, segundo ele, não é um movimento rápido, mas uma construção contínua.

Let’s Playstorm! Fricção, intenção e por que o futuro depende da imaginação humana

A palestra “Let’s Playstorm! Fricção, intenção e por que o futuro depende da imaginação humana” foi conduzida por Sabrina Dower, especialista em comportamento, branding e foresight, com mais de duas décadas de experiência em pesquisa e estratégia. Cofundadora da Octolab Insights, ela atua conectando sinais culturais e sociais às decisões de marcas e negócios, com foco em interpretar o espírito do tempo.

Logo no início, Sabrina lança a provocação central da sua fala:

“O futuro não é mais como era antigamente, o que está acontecendo com o futuro?”

A partir dessa pergunta, ela constrói um panorama sobre como a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, está mudando não só o que fazemos, mas principalmente como pensamos, sentimos e nos relacionamos.

Para ilustrar essa mudança, ela recorre a referências culturais. Cita uma entrevista de Keanu Reeves sobre as novas gerações que já não distinguem mais o que é real do que é digital, em uma lógica muito próxima de Matrix.

Na sequência, traz o filme Her para mostrar como aquilo que parecia ficção já se tornou realidade:

“O filme não era sobre ficção científica, era para ser uma história de amor. No entanto, hoje isso se tornou uma realidade.”

A partir daí, Sabrina aprofunda a discussão com uma pergunta-chave:

“O que acontece quando a tecnologia não apenas realiza nossas tarefas, mas nos toca emocionalmente?”

Ela introduz o conceito de relações parassociais, aquelas conexões emocionais com entidades que não conhecemos de fato, agora ampliadas pela interação com inteligências artificiais. Segundo ela, o uso de IA para terapia e companhia já aparece como um dos principais comportamentos emergentes.

Esse cenário leva a uma transformação ainda mais profunda, com a chegada da chamada IA agêntica, que deixa de ser ferramenta e passa a atuar como sistema.

“Estamos a caminho da IA agêntica, em que ela vira um sistema que impacta a maneira como a gente pensa e imagina.”

Para Sabrina, o ponto mais crítico não é o que a tecnologia está criando, mas o que ela pode estar eliminando.

“O que a IA está eliminando?”

A resposta passa por um conceito central da palestra: a perda da fricção. Segundo ela, a tecnologia tende a eliminar esforço, conflito e desconforto, justamente elementos fundamentais para a criatividade.

“Estamos perdendo a capacidade de conflitar com o outro, pulando etapas.”

Ela defende que criatividade não surge de forma espontânea, mas da prática, do atrito e da construção de repertório. Sem isso, corremos o risco de produzir sempre as mesmas ideias, cada vez mais padronizadas.

Ao longo da fala, Sabrina também reforça a importância da intenção em um mundo cada vez mais automatizado. Em um cenário onde tudo pode ser gerado com facilidade, o diferencial passa a ser o posicionamento humano por trás da criação.

O conceito de “Playstorm”, que dá nome à palestra, surge como uma resposta a esse contexto. Mais do que pensar, é preciso brincar, experimentar e se permitir errar como forma de recuperar a imaginação.

No fim, a mensagem é direta: o futuro não depende apenas da tecnologia, mas da nossa capacidade de continuar sendo humanos. E isso passa, necessariamente, por resgatar o desconforto, a curiosidade e a fricção como motores da criação.

Quando nada encaixa: como criar o seu caminho quando nenhum parece servir

Nathália Dias abriu sua fala com um aviso simples: não seria uma palestra técnica. Em vez de tendências ou ferramentas, ela decidiu falar sobre o lado humano das escolhas, dos bloqueios e das dúvidas que atravessam quem tenta construir um caminho profissional hoje.

Com mais de 20 anos de experiência em comunicação e passagens por grandes marcas, Nathália hoje se dedica à formação de lideranças e ao desenvolvimento de pessoas. E é justamente a partir dessa vivência que ela provoca o público a olhar menos para fórmulas prontas e mais para a própria trajetória.

Logo no início, ela traz uma crítica à forma como a Geração Z costuma ser rotulada.

“A gente trata a geração Z como geração do mimimi, mas não paramos para ouvir o que eles têm a dizer.”

Para ela, o que parece fragilidade é, na verdade, uma mudança de postura. Os mais jovens não aceitam mais relações de trabalho baseadas em exaustão ou desrespeito, algo que foi naturalizado por outras gerações.

Ao longo da conversa, Nathália compartilha sua própria história, marcada por mudanças constantes. Designer, diretora de arte, empreendedora e educadora, ela nunca seguiu um caminho linear e se define como alguém que sempre viveu fora das caixinhas.

Esse sentimento de não pertencimento aparece como um ponto central da fala.

“Quem aqui já sentiu que não se encaixava?”

A partir dessa identificação, ela desmonta a ideia de carreira perfeita e previsível. Segundo Nathália, o caminho profissional se constrói na prática, com experimentação, erros e ajustes ao longo do tempo.

Outro ponto importante é a crítica ao imediatismo. Ela lembra que seu próprio negócio levou anos para se estruturar e reforça que inovação não acontece do dia para a noite.

“Inovar leva tempo.”

Nathália também questiona a pressão em torno do propósito, defendendo uma visão mais simples e realista.

“Propósito não precisa ser algo gigante. Pode ser pagar boletos.”

Ao longo da palestra, ela mostra que o desconforto de não se encaixar pode ser um guia, não um problema. Em vez de tentar seguir modelos prontos, o desafio é construir um caminho próprio, mesmo que ele não faça sentido para os outros.

“A grama do vizinho às vezes é verde porque é artificial.”

No fim, a mensagem é clara: não existe trajetória certa. Para quem sente que nada encaixa, talvez o caminho seja justamente parar de tentar caber e começar a criar.

Comer é um ato climático, criativo e local

Patrícia Durães sobe ao palco com uma provocação que atravessa o cotidiano de todo mundo: aquilo que a gente coloca no prato tem impacto direto no mundo. Pesquisadora de culturas alimentares e dedicada a investigar as heranças afro-diaspóricas que moldam a cozinha brasileira, ela parte da própria trajetória para mostrar como comida, território e identidade estão profundamente conectados.

Logo no começo, ela já define o eixo da conversa.

“Comer é um ato político, criativo e climático.”

A partir dessa ideia, Patty constrói uma crítica ao modo como nos relacionamos com a alimentação hoje. Segundo ela, comer virou um gesto automático, sem memória, sem atenção e sem conexão com a origem dos alimentos.

“A gente come sem lembrar, sem pensar, sem se conectar.”

Esse afastamento não é só simbólico. Ele tem efeitos reais na cultura e no meio ambiente. Ao tratar a comida apenas como produto, perdemos a dimensão cultural e histórica que cada prato carrega.

“A gente deixou de entender a comida como cultura e passou a tratar como commodity.”

Durante a palestra, ela mistura histórias pessoais com observações de campo feitas em diferentes regiões do Brasil. Patty conta que seu trabalho é justamente observar hábitos, entender escolhas e investigar como as pessoas se relacionam com a comida no dia a dia. Desde o tipo de café até a forma de comprar ingredientes, tudo revela valores, identidade e contexto social.

Ela também critica o padrão alimentar globalizado, que valoriza produtos de fora enquanto ignora ingredientes locais. Um dos exemplos mais marcantes é o consumo de salmão no Brasil, muitas vezes produzido em cativeiro e artificialmente colorido, enquanto peixes brasileiros perdem espaço.

“A gente está trocando o que é nosso por uma ideia de status alimentar.”

Essa lógica, segundo ela, não é neutra. Ela é construída pela indústria, pela publicidade e por um sistema que incentiva o consumo de ultraprocessados. Patty chama atenção para o fato de que muitas vezes escolhemos praticidade sem perceber o custo disso para a saúde e para o planeta.

“A crise climática não está longe, ela está na nossa mesa.”

Ao trazer a discussão para uma cidade costeira como Santos, ela reforça que os impactos ambientais são visíveis. A redução da faixa de areia, a degradação de mangues e as mudanças no comportamento do mar são sinais diretos dessa relação desequilibrada com o meio ambiente.

Como contraponto, Patty propõe um retorno ao básico, mas não de forma idealizada. Para ela, pequenas mudanças já fazem diferença.

“A gente precisa descascar mais e desembalar menos.”

Esse gesto simples, segundo ela, carrega várias camadas. Cozinhar mais significa retomar autonomia, reduzir desperdício e também exercitar a criatividade. Ela lembra que cascas, talos e sementes são frequentemente descartados, mas poderiam ser aproveitados de diversas formas.

“A gente joga fora comida e joga fora dinheiro.”

Outro ponto importante da fala é a crítica à forma como os espaços domésticos estão sendo pensados. Apartamentos cada vez menores, muitas vezes sem cozinha adequada, acabam incentivando o consumo de alimentos prontos.

“Se não tem fogo, não tem cheiro, não tem memória.”

Para Patty, isso impacta diretamente a relação afetiva com a comida. O cheiro do preparo, o tempo dedicado ao cozimento e o erro na cozinha fazem parte da construção de memória e cultura. Sem isso, a alimentação vira apenas uma função.

Ela também destaca que ainda existem comunidades que mantêm uma relação mais equilibrada com a comida. Povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos trabalham com lógica de sazonalidade, aproveitamento integral e respeito ao território.

“A cultura alimentar dessas comunidades é uma inteligência climática.”

Ao longo da palestra, fica claro que comer é uma escolha cotidiana com impacto coletivo. Não se trata de perfeição, mas de consciência. Pequenas decisões, repetidas todos os dias, moldam não só a saúde individual, mas também o futuro do planeta.

No fim, Patty encerra com uma imagem simples, mas poderosa, que conecta especialmente com quem vive em cidade litorânea.

“Para onde a gente joga, a coisa volta. O mar devolve.”

Feira GOMO

www.juicysantos.com.br - feira criativa festival gomo 2026

Enquanto rolavam as palestras e painéis, o público também teve a oportunidade de apoiar empreendedores na Feira GOMO.

Assista ao Festival Gomo na íntegra

Como chegar ao Festival GOMO de Criatividade

Sobre o local: o Juicyhub fica na Av. Ana Costa, 433, 4º andar, no Gonzaga. Região central, fácil de achar. Tem estacionamento disponível no local por volta de R$ 50 a diária. Mas, se você mora perto ou tem ônibus pela Ana Costa, considere chegar de transporte público. Quem é de Santos sabe que o Gonzaga fica cheio no fim de semana.

Sobre a inscrição: é gratuita, mas as vagas são limitadas. Faça pelo Sympla antes do evento e agilize sua entrada. Se deixar pra se cadasrar na fila, corre o risco de ficar de fora.

Sobre levar as crianças: pode e deve. O espaço kids tem recreação e contação de histórias nos dois dias.

Sobre acessibilidade: o espaço é adaptado para PCDs e conta com intérprete de Libras. O GOMO foi pensado para ser de todo mundo, de verdade.

Esta edição do Festival GOMO de Criatividade conta com o patrocínio master da Adobe e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Apoiam o Festival GOMO a Prefeitura Municipal de Santos, por meio do programa Feito em Santos, a SB7 Som & Luz e a São Judas Campus Unimonte. São parceiros do festival a Minimal Design, VMB Eventos, Cursino e Teodoro da Silva Advogados, OAB Subseção Santos, Guard Lock, Motorádio, Eletromidia e Programa JB.