Clique aqui e confira também nosso tema da semana

Vai para Praia Grande? O que saber antes de chegar na cidade

Ir à praia parece simples. Mas quem já chegou cheio de expectativa e encontrou confusão, lixo ou uma multa surpresa sabe que um pouco de preparo muda tudo.

Tempo de leitura: 5 minutos

Praia Grande virou a queridinha dos paulistas. A cidade recebe milhões de visitantes a cada temporada de verão, e os feriados prolongados transformam a orla em uma extensão da capital com cheiro de protetor solar. O feriado de 21 de abril já deu o tom: estradas lotadas, praias cheias e aquela energia inconfundível de quem desceu a serra com a mala recheada de expectativas.

Não é pra menos: a querida PG é o 4º destino turístico mais visitado do Brasil no verão, segundo o Ministério do Turismo, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Também é o 2º no Estado de São Paulo, recebendo cerca de 5 milhões de turistas ao longo de cada  temporada.

www.juicysantos.com.br - Guia de boas práticas na Praia Grande o que saber antes de armar a barracaFoto: Prefeitura de Praia Grande

E tem mais feriados chegando. E, com eles, mais uma leva de turistas dispostos a finalmente “descansar”. Antes de ficar “litorando”, porém, vale conferir algumas regras básicas de convivência. Afinal, a praia tem uma cultura própria e o morador local agradece quando o visitante se dá ao trabalho de respeita-la.

Não seja o turista da sunga no mercado

Existe um arquétipo icônico na Baixada Santista. Ele é fácil de identificar: sunga, rasteirinha e nada mais. No mercado. Na farmácia. No shopping. Com o sorvete na mão e total convicção de que está impecável para qualquer ambiente.

www.juicysantos.com.br - sungaFoto: Reprodução

Não seja essa pessoa.

Por mais que Praia Grande seja uma cidade litorânea, os moradores locais se vestem como qualquer habitante de cidade grande. Uma camiseta, um short, um vestido, qualquer coisa resolve. Os olhos dos moradores agradecem.

A calçada não é uma ciclovia

Este ponto merece atenção especial. A calçada existe para pedestres. O pedestre não tem retrovisor, ele não vai “se virar” porque você buzinou. Ele não está errado por estar exatamente onde deveria estar.

Patinetes elétricos, motos e bicicletas têm espaços próprios para circular. Praia Grande conta com ciclovias justamente para isso. Usá-las não é opcional, é o mínimo. Além disso, é questão de segurança básica para quem frequenta a orla com crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Caixinha de som: o item que pode transformar seu feriado em dor de cabeça

O sonho de deitar na areia com a playlist favorita tocando no alto tem um preço concreto no litoral paulista. E esse preço pode chegar a R$ 10 mil.

Isso mesmo. Seu speaker bluetooth pode custar mais caro do que a hospedagem, o pedágio e o churrasco juntos.

Em Praia Grande, a fiscalização é feita pela Guarda Civil Municipal, e a multa está fixada em R$ 629,94, com apreensão imediata do equipamento.

A proibição não surgiu do nada. Aves marinhas e animais silvestres em áreas de preservação sofrem com ruídos constantes. E a família ao seu lado na areia, que levou as crianças para relaxar, provavelmente não compartilha do seu gosto por sertanejo universitário no volume 67.

Se você presenciar alguém descumprindo a regra, pode denunciar pelo número 153 da GCM ou pelo aplicativo da prefeitura.

Seus filhos são sua responsabilidade, não do guarda-vidas

Praia cheia é sinônimo de criança animada. E criança animada some em segundos entre o volume de gente. Aquela cena clássica de alguém correndo desesperado chamando um nome enquanto outras pessoas ao redor aplaudem querendo ajudar. Todo frequentador de litoral já viu ao menos uma vez.

Redobrar a atenção com as crianças é obrigação, não exagero. Principalmente nas proximidades do mar, onde as correntes de retorno não respeitam tamanho nem disposição para a aventura.

Falando em corrente de retorno: se você ou alguém ao seu redor for puxado pela água, a orientação mais importante é não lutar contra a correnteza. Nada de lado, paralelo à praia. Mantenha a calma e sinalize por ajuda. Tente entrar no mar somente em faixas com guarda-vidas presentes, e jamais sozinho em pontos desconhecidos.

O lixo vai com você literalmente

Esse capítulo é sério, então vai com respeito.

No Réveillon de 2025, a operação de limpeza de Praia Grande recolheu impressionantes 638 toneladas de resíduos dos 22,5 quilômetros de orla. Foram 650 trabalhadores atuando por nove horas seguidas para devolver a cidade à normalidade. A cidade disponibilizou 450 caçambas de 1.000 litros e mais de 1.500 lixeiras ao longo do calçadão. E mesmo assim o resultado foi esse.

Praia Grande respondeu por mais de 70% das 900 toneladas recolhidas em toda a Baixada Santista na virada.

O impacto vai além do visual. Parte desse lixo chega ao oceano, onde tartarugas, peixes e aves marinhas confundem plásticos com alimentos. Os microplásticos já estão presentes em toda a cadeia alimentar. E, se esses resíduos fossem reciclados corretamente, poderiam gerar entre R$ 900 mil e R$ 1,8 milhão para cooperativas locais.

A lixeira está ali. O gesto é simples.

No mar, quem manda é o mar

Por último, e mais importante: o Oceano Atlântico não tem obrigação de ser simpático com ninguém.

Antes de entrar na água, observe as bandeiras de sinalização. Evite nadar sozinho, especialmente em pontos que você não conhece. Álcool e mar não combinam, por mais que a tentação seja real depois do churrasco. E as crianças precisam de supervisão constante na beira d’água.

Praia Grande tem tudo para ser um destino incrível neste feriado de 1º de maio. A orla é linda, a cidade tem estrutura e os moradores são hospitaleiros. Mas hospitalidade tem limite quando o visitante abandona o bom senso na praça de pedágio. A cidade é emprestada por alguns dias, o impacto dura muito mais tempo.

Cuide do espaço como se fosse seu. Porque, de certa forma, é.

Avatar
Texto por

Contato