Símbolo da paisagem da Ponta da Praia, muretas agora são patrimônio cultural
Aquela foto do seu Instagram usando os círculos brancos como moldura para o navio no horizonte acaba de ficar ainda mais interessante. Esse charmoso detalhe urbanístico faz parte da vida e das lembranças de turistas e moradores. Viraram souvenir, camiseta e até tatuagem. E agora, elas acabam de ganhar status oficial, pois as muretas da Ponta da Praia foram reconhecidas como patrimônio cultural santista pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).

Depois de uma articulação intensa dos movimentos em defesa do patrimônio histórico e arquitetônico e com apoio do poder público, esse item cheio de significado agora tem uma outra camada de proteção que vai além do concreto e da tinta.
O que muda com o reconhecimento das muretas
A decisão, tomada por unanimidade pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos no último dia 27 de agosto, inclui o trecho de muretas da Ponta da Praia na lista de bens protegidos da cidade. Elas agora são consideradas patrimônio tanto material quanto imaterial. Isso quer dizer que a proteção vale tanto para a estrutura física, como para o valor simbólico da relação entre as muretas e os santistas de nascimento ou de coração.
O tombamento oficial protege especialmente o trecho original das muretas na Avenida Rei Pelé, entre a Rua Carlos de Campos e a Praça Almirante Gago Coutinho.
Qualquer reforma ou intervenção agora precisará de autorização específica do Condepasa.
Memória espalhada pela cidade
As muretas têm uma longa história em Santos. Elas foram implantadas durante a terceira gestão do prefeito Antônio Gomide Ribeiro dos Santos (1941-1945) e são associadas ao engenheiro Carlos Lang. De lá pra cá, passaram de mero item de proteção para um verdadeiro cenário de encontros.
Quantos finais de tarde já não testemunharam conversas, beijos e despedidas ali?
Agora, as muretas se juntam a outros 60 bens do município dos casarões do Centro até as calçadas emblemáticas da orla.
O conceito do “patrimônio cultural” reúne tanto bens materiais (tudo aquilo que podemos tocar e ver, como edifícios e esculturas), quanto bens imateriais, que são os saberes, rituais e símbolos que habitam a memória do povo.
No caso das muretas da Ponta da Praia, há o reconhecimento desse duplo valor. A decisão do Condepasa vai preservar o trecho físico e proteger tudo o que elas representam no imaginário coletivo para esta e para as próximas gerações.