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Santos e o 9 de julho: a história que vai muito além de um feriado em São Paulo

Capacetes, doações, soldados e medalhas fizeram parte da participação santista em um dos episódios mais marcantes da história paulista

Tempo de leitura: 3 minutos

Você sabe por que no dia 9 de julho a maioria das pessoas não trabalha em São Paulo? Spoiler: Santos teve participação direta nisso, e é bem mais gente envolvida do que parece. A cidade não assistiu de longe a Revolução Constitucionalista de 1932. Ela vestiu a camisa e literalmente ajudou a pagar o capacete de quem foi pra guerra.

Imagem: Reprodução/Memória Santista

Por que Santos entrou numa guerra que começou em São Paulo?

O levante de 1932 pegou em armas em três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. O alvo era o governo provisório de Getúlio Vargas. A exigência, então, era uma Constituição.

Só que o gatilho aconteceu antes das armas. Quatro jovens morreram durante um protesto, pelas mãos das tropas getulistas. Assim, no dia seguinte, o jornal local estampava o fato nas bancas de Santos. Foi o bastante para que a cidade inteira se levantasse.

Remador doa medalha, cidade banca capacete

A Estação do Valongo virou ponto de partida. Dali, portanto, saíam os trens levando 3 mil combatentes santistas rumo a São Paulo. Ainda assim, Santos não mandou apenas gente pro front.

Além disso, a cidade organizou uma coleta e arrecadou o equivalente a R$ 400 mil (em valores atuais) somente para comprar capacetes de aço. Enquanto isso, os remadores do Clube Internacional de Regatas foram ainda mais longe: entregaram todas as medalhas e troféus conquistados até então. Consequentemente, o valor virou dinheiro para roupa, comida e remédio.

Da mesma forma, médicos e enfermeiros santistas deixaram a cidade rumo à linha de frente. Ou seja, foi uma mobilização completa, tanto de quem lutava quanto de quem ficava organizando a retaguarda.

Vale lembrar, ainda, que muitas famílias santistas abriram suas casas para acolher combatentes feridos que retornavam da linha de frente. Assim, o esforço de guerra não ficou restrito às ruas e às doações. Ele também aconteceu dentro de casa, silenciosamente.

O monumento que guarda essa história 

Na Praça José Bonifácio, Centro Histórico, um bloco de pedra de 15 metros chama Filhos de Bandeirantes. Desde 1956, obra do escultor Antelo Del Debbio, o monumento homenageia quem partiu de Santos naqueles dias.

Além do mais, a memória não para na praça. Capacetes de aço, uniformes e bandeiras da época seguem guardados no Instituto Histórico e Geográfico de Santos, à espera de quem quiser conhecer de perto esse pedaço da cidade.

Na próxima vez que passar pela praça, olhe com outros olhos. Afinal, aquele monumento carrega uma mobilização inteira que a cidade fez em nome de uma Constituição, e que muitos santistas nem sabem que existe.

Quer conhecer mais? Visite esses locais

Monumento Filhos de Bandeirantes
Praça José Bonifácio, Centro Histórico, Santos

Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS)
Consulte horários de visitação e acervo diretamente com a instituição

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Vitor Fagundes
Texto por

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