Clique aqui e confira também nosso tema da semana

Por que o santista chama o pão francês de média?

A história do nome que só a Baixada entende

Tempo de leitura: 3 minutos

Se você já viajou para outra cidade e pediu uma “média” numa padaria, sabe exatamente o que acontece. O atendente te encara como se você fosse um alienígena, e você ali, pedindo só um pãozinho.

www.juicysantos.com.br - Por que o santista chama o pão francês de média

A cena constrange qualquer santista. Mas ela revela algo bonito: Santos tem uma identidade linguística própria, com origem, história e fundamento.

O pão nosso de cada dia tem mil nomes no Brasil

O pãozinho francês é campeão de diversidade linguística no país. No Rio Grande do Sul, é o famoso cacetinho. Em Sergipe, vira pão Jacó. No Ceará, carioquinha. Em Santa Catarina, pão de trigo. No Maranhão, pão massa grossa.

Cada região do Brasil deu ao seu pãozinho um nome próprio, carregado de cultura local. E Santos, como não poderia ser diferente, não ficou de fora dessa.

De onde veio o nome “média”?

A Fundação Arquivo e Memória de Santos foi atrás da resposta e consultou o Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria da Baixada Santista e Vale do Ribeira. O resultado é uma das explicações mais deliciosas da história local.

Tudo começou entre as décadas de 1950 e 1960. As padarias santistas produziam um pão do tipo bengala em três tamanhos: 1 kg, meio quilo e 250 gramas. Mas havia também uma versão menor, sem nome oficial, vendida especialmente para bares e restaurantes prepararem lanches.

Esse pão menor começou a ser chamado de “pão médio”, afinal, era o do meio, o intermediário da turma.

De pão médio para média, foi questão de tempo. O apelido pegou, se espalhou pela cidade, atravessou gerações e hoje é um dos marcadores culturais mais fortes da Baixada Santista.

De unidade para quilo

Com o tempo, o pão médio foi padronizado em 50 gramas, época em que o pãozinho ainda era vendido por unidade no Brasil. Hoje, a média pesa aproximadamente 60 gramas e é vendida por quilo, regra que entrou em vigor em 2006.

O nome mudou, o tamanho variou, mas o carinho do santista por ela nunca oscilou.

Assim como o pão de cará, outra exclusividade das padarias da Baixada Santista, a média faz parte de uma identidade panificadora única. Você não acha isso em São Paulo. Não acha no interior. Não acha em lugar nenhum, a não ser aqui.

Mais que um pão, um jeito de ser

A média não é só o que você come no café da manhã de domingo. Ela é o ritual da padaria de bairro, o cheiro que mistura com o café, a conversa com o padeiro que conhece seu nome e o seu pedido de cor.

Em Santos, pedir uma média com um cafezinho é um ato de pertencimento.

Por isso, se alguém te questionar por que você chama o pãozinho de média, conta a história. De 1960, das padarias, do pão bengala, do pão médio que virou ícone. Porque aqui, a gente não chama o pão de qualquer jeito, a gente chama pelo nome certo.

Avatar
Texto por

Contato