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Operação Subida na Anchieta-Imigrantes facilita a vida de quem?

Relatos enviados ao Juicy Santos apontam viagens de horas, sensação de desigualdade e cobrança por alternativas

Tempo de leitura: 8 minutos

Subir a Serra do Mar deveria ser um programa diferente para quem mora na Baixada Santista. Uma ida a um show em São Paulo, um jogo de futebol do seu time do coração ou aquele passeio diferente pra turistar pertinho da gente. Mas, há anos, o trajeto é motivo de estresse para quem só quer ir e voltar sem perder horas na estrada.

O problema fica ainda mais evidente nos feriados e fins de semana, quando a Operação Subida na Anchieta-Imigrantes prioriza o fluxo de veículos em direção à capital.

Funciona assim: são oito faixas para quem sobe a serra e apenas duas para quem desce. Na prática, enquanto os turistas tentam voltar para casa, os moradores do litoral também enfrentam filas, atrasos e a sensação de que suas necessidades ficam em segundo plano.

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Foto: Divulgação/Ecovias

No último feriado (de 12 de outubro, que caiu numa segunda-feira), relatos enviados ao Juicy Santos deram uma ideia do tamanho do desgaste. Teve gente que levou 5 horas para chegar a Santos. A indignação reacendeu uma pergunta antiga na região: precisa ser assim?

O Juicy Santos procurou a Ecovias para entender como a concessionária considera os impactos da operação sobre quem vive na Baixada Santista e quais alternativas existem além da promessa de uma nova pista. A empresa explicou os procedimentos operacionais e o atendimento ao acidente na Anchieta, mas deixou sem resposta boa parte das perguntas sobre soluções para os moradores.

Por que a Operação Subida afeta os moradores do litoral sul?

A Operação Subida, também conhecida como 8×2, muda a configuração do Sistema Anchieta-Imigrantes para ampliar o fluxo em direção à capital. Nesse esquema, oito faixas atendem quem sobe a serra, enquanto duas ficam disponíveis para a descida ao litoral.

A Ecovias utiliza a pista sul da Imigrantes, normalmente destinada à descida, para receber veículos no sentido de São Paulo. Enquanto isso, a pista sul da Anchieta concentra o tráfego rumo à Baixada. Caminhões e ônibus continuam utilizando predominantemente a Anchieta para subir, devido às restrições de circulação em determinados trechos da Imigrantes.

A lógica é aumentar a capacidade de retorno nos períodos de maior movimento. Segundo a Ecovias, a operação amplia o fluxo em direção à capital de cerca de 5 mil para mais de 10 mil veículos por hora.

Só que a Baixada Santista não funciona apenas como destino turístico. Milhares de pessoas dependem das rodovias para trabalhar, estudar, buscar atendimento médico e visitar familiares em outras cidades da região.

Quando a operação concentra a capacidade na subida, os moradores querem saber como a concessionária protege os deslocamentos locais. Afinal, facilitar a volta para São Paulo não deveria significar transformar o trajeto de quem vive aqui em uma maratona.

Os relatos mostram uma insatisfação antiga

Nos comentários enviados ao Juicy Santos, moradores descreveram viagens de cinco horas entre São Paulo e Santos. Uma seguidora contou que saiu do Jabaquara às 16h e chegou em casa às 21h. Outra relatou duas horas de espera na interligação.

As sugestões pra melhorar esse quadro variaram. Algumas pessoas defenderam uma distribuição mais equilibrada das faixas. Outras levantaram a possibilidade de restringir caminhões em determinados horários e cobram alternativas viárias da concessionária.

Os comentários apontam para uma insatisfação que vai além do tempo perdido no trânsito. Os moradores querem previsibilidade para organizar a rotina e mais clareza sobre como as decisões operacionais consideram a população litorânea.

Acidente na Anchieta agravou o trânsito no feriado

Na segunda-feira, 12 de outubro, um acidente de grandes proporções complicou ainda mais a circulação no Sistema Anchieta-Imigrantes. A ocorrência aconteceu no km 47 da Anchieta, sentido litoral, e envolveu um ônibus, uma carreta e 13 veículos de passeio.

Segundo a Ecovias, o fluxo naquele momento chegava a aproximadamente 7 mil veículos por hora em direção à capital e 2 mil no sentido litoral.

A concessionária informou que monitorou a situação pelo Centro de Controle Operacional e mobilizou equipes para atender à ocorrência. O trabalho envolveu a Ecovias, a Polícia Militar Rodoviária e o Corpo de Bombeiros, além de 11 veículos da concessionária.

A equipe liberou a primeira faixa cerca de uma hora e 20 minutos após o acidente. A liberação total ocorreu por volta das 21h40, depois da remoção dos veículos e da limpeza da pista.

A nota oficial enviada à equipe de jornalismo do Juicy Santos detalha os procedimentos adotados, mas não esclarece se a Ecovias poderia ter aplicado outras medidas para reduzir os impactos do congestionamento, em especial nos casos em que acidentes interrompem um sistema que já opera com capacidade reduzida em um dos sentidos.

O que a Ecovias respondeu?

O Juicy Santos enviou cinco perguntas à Ecovias sobre os efeitos da Operação Subida para os moradores da Baixada. A empresa explicou os critérios gerais da operação, apresentou informações sobre o acidente e citou investimentos em infraestrutura. Porém, não respondeu diretamente a vários questionamentos.

Ao ser perguntada sobre como medem e reduzem os impactos da operação nos deslocamentos entre Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande, a concessionária afirmou que considera a contagem horária de veículos e as condições de segurança, mas não detalhou como avalia os efeitos sobre o trânsito urbano.

Também foram abordados quais critérios justificam priorizar o retorno à capital em relação aos deslocamentos dos moradores. A resposta mencionou os parâmetros técnicos e operacionais definidos com a Polícia Militar Rodoviária, sem explicar como a concessionária equilibra as necessidades dos dois sentidos.

Outro ponto envolveu obras e intervenções nas interligações da Baixada. A Ecovias citou o anel viário de Cubatão, que, segundo a empresa, ajudou a reduzir congestionamentos no sistema viário urbano. No entanto, não apresentou detalhes sobre novas intervenções para melhorar os acessos locais.

Por fim, perguntamos se a concessionária estuda alternativas para equilibrar os fluxos de subida e descida aos domingos, além de ampliar a infraestrutura. A nota não esclareceu se existe algum estudo desse tipo em andamento.

As respostas ajudam a entender como a empresa organiza a operação, mas deixam em aberto a principal dúvida dos moradores: o que a Ecovias pode fazer para reduzir os prejuízos à rotina da população?

A terceira pista da Imigrantes vai resolver o problema?

A terceira pista da Imigrantes é uma das principais apostas para ampliar a ligação entre o litoral e o planalto. O projeto prevê 21,6 quilômetros de extensão, com túneis e viadutos. Segundo as informações divulgadas sobre a obra, a nova estrutura poderá aumentar em cerca de 25% a capacidade total do sistema.

O projeto também prevê a possibilidade de inverter o sentido da pista conforme a necessidade operacional. Essa flexibilidade pode ajudar a distribuir melhor o tráfego em períodos de grande movimento.

Mas ampliar a capacidade das rodovias não resolve automaticamente os problemas de circulação dentro da Baixada. A região precisa conciliar o retorno dos turistas, o transporte de cargas ligado ao Porto de Santos e os deslocamentos cotidianos dos moradores.

Além disso, a obra ainda depende de etapas de licenciamento e preparação.

Por isso, vale discutir o que pode melhorar antes da chegada da nova pista. A concessionária poderia avaliar ajustes operacionais, alternativas para os horários de pico e medidas específicas para preservar os acessos locais? Há estudos para reduzir os impactos da Operação Subida sobre quem precisa descer a serra?

Os relatos enviados ao Juicy Santos mostram que essa insatisfação não se limita a um único feriado. Para muitos moradores, o problema se repete sempre que o movimento aumenta, com a impressão de que a rotina da Baixada fica em segundo plano.

A Operação Subida faz a sua função na organização do tráfego, mas a população local também precisa entrar nessa conta. Enquanto a região espera por novas obras, falta esclarecer quais medidas podem melhorar a circulação agora e como a concessionária pretende equilibrar as necessidades de quem sobe e de quem desce a serra.

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