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Gravado em Santos, filme com Marjorie Estiano fala sobre repressão na ditadura

Produção movimenta a economia, abre espaço pra novos talentos e reforça a cidade como queridinha do audiovisual

Tempo de leitura: 4 minutos

Se você passar por alguns pontos icônicos de Santos nos próximos dias e notar câmeras, pessoas caracterizadas com roupas dos anos 1970 e aquela movimentação digna de bastidores de cinema, já fique sabendo: estamos vivendo de perto um grande momento do audiovisual nacional. Além disso, a cidade foi escolhida como palco principal para as gravações do filme “Clamor”. O filme traz um elenco de peso, com nomes como Marjorie Estiano e Romulo Estrela. Também conta com atores do Uruguai e do Chile.

A escolha de Santos para ser o cenário principal não é por acaso. O longa promete movimentar diferentes bairros e gerar oportunidades para estudantes da área. Por outro lado, vai colocar a Baixada Santista novamente no radar das produções que revisitam períodos históricos do Brasil e da América do Sul.

Clamor, uma história que atravessa fronteiras

Com gravações entre maio e junho de 2026, “Clamor” tem tudo para chamar atenção não só pela trama baseada em fatos reais. Além disso, o filme apresenta um olhar atento para questões históricas e políticas. Ele é inspirado no livro “Clamor – A Vitória de uma conspiração brasileira”. A história acompanha a mobilização de ativistas brasileiros nos anos 70 tentando localizar duas crianças uruguaias desaparecidas após a repressão argentina. Esse contexto está marcado pela chamada Operação Condor. Dessa forma, ditaduras do Cone Sul trocavam informações e promoviam perseguições em conjunto.

O roteiro tem assinatura de Dominga Sotomayor, Douglas Tourinho e colaboração da diretora Malu De Martino. Marjorie Estiano interpreta Jan Rocha, uma jornalista inglesa radicada no Brasil. Ela se envolve na investigação dos casos de desaparecimento, tortura e perseguição política. O elenco ainda conta com Romulo Estrela, Marcos Breda, Mirella Pascual, Roberto Brindelli, Caio Manhente e Pia Manfroni.

A escolha de locações santistas, como o Centro Histórico, Vila Belmiro, Vila Nova, Gonzaga, Boqueirão e a região portuária, não apenas reforça a veracidade do contexto do filme. Também valoriza o que a cidade tem de mais característico. E, claro, ainda vai render aquela curiosidade extra para quem assistir ao longa e reconhecer esquinas, fachadas e outros pontos familiares na telona.

Cinema, memória e arquitetura: por que Santos recebe tantas produções?

Nos últimos anos, Santos vem se consolidando como um dos principais destinos para filmagens no Brasil, graças ao seu patrimônio arquitetônico bem preservado e à diversidade de paisagens. A cidade já foi cenário para novelas, séries e videoclipes. Ela chama a atenção pela combinação de prédios históricos, áreas portuárias e espaços urbanos que remetem facilmente a outras épocas. Não à toa, produções que precisam recriar ambientes dos anos 70, como é o caso de “Clamor”, encontram aqui o cenário perfeito. Isso vale tanto para interiores quanto para cenas externas.

Outro ponto interessante é a atuação da Santos Film Commission, criada em 2022, que oferece suporte e mapeamento de locações para as equipes de audiovisual. De lá pra cá, mais de mil produções já passaram por aqui. Dessa forma, fortalece todo um ecossistema relacionado ao cinema — sem falar na geração de renda local com hotelaria, alimentação e serviços de apoio. Essa movimentação só tende a crescer conforme mais projetos são atraídos para a região.

Não dá pra deixar de mencionar que somos, desde 2015, Cidade Criativa da UNESCO para Audiovisual.

Cultura gerando receita e conhcimento

Além de aquecer a economia local com mais de 200 profissionais envolvidos e utilizar serviços da cidade (hotelaria, alimentação, segurança, figuração, etc.), a produção de “Clamor” também abre portas para a formação de novos talentos. Isso porque uma parceria da Santos Film Commission com a equipe do filme vai permitir que dez estudantes de cursos de cinema de Santos acompanhem o dia a dia das filmagens. Eles passarão por setores como direção, fotografia, arte e produção.

Para esses jovens, é uma chance única de observar tudo de pertinho e trocar experiências com profissionais que vêm de diferentes regiões do Brasil e do exterior.

Vale lembrar que, para filmar em Santos, equipes de fora também têm apoio para autorizações e articulação com órgãos públicos. Desde a criação do órgão municipal, a cidade vem se consolidando cada vez mais como território amigo de quem conta histórias em imagens — e também de quem faz parte dessa cadeia produtiva ou, simplesmente, gosta de ver seu bairro, sua rua ou sua praia brilhando na telona.

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