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Festival GOMO 2026: conheça os talentos locais da Feira Criativa

Tempo de leitura: 15 minutos

Nos dias 25 e 26 de abril, o Juicyhub recebeu a terceira edição do Festival GOMO de Criatividade, maior evento gratuito de criatividade e inovação da região. GOMO é a sigla para Grandes Oportunidades para Mudar o Óbvio, e a proposta é simples: democratizar o acesso ao conhecimento e ao ecossistema criativo. É gratuito, como sempre foi, porque aprender e se inspirar não deveria ser privilégio de quem pode pagar por isso.

Em paralelo ao festival, a varanda mais famosa de Santos abrigou a Feira Criativa GOMO, iniciativa dedicada a apoiar empreendedores criativos da Baixada Santista. Foram 23 marcas, 23 histórias que a gente foi atrás para contar. É isso que você vai ler a seguir.

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Paulo Sant’Ana, 38 anos, coleciona pessoas esquecidas. Ao longo de sete anos, reuniu mais de 5 mil fotos antigas e transformou esse acervo na matéria-prima das suas colagens analógicas, trabalhos que resgatam rostos e histórias que o tempo tentou apagar. Além das colagens, domina a serigrafia e faz grande parte da produção com as próprias mãos, o que considera a essência real de ser artista.

Com mais de 15 anos de experiência em design gráfico, Paulo está sempre presente nas feiras criativas da região. Um ritmo que diz tudo sobre quem leva o trabalho a sério.

Afete-se Acessórios

Luisa Alves nasceu em Porto Alegre, passou por São Paulo, mas foi em Santos que ela se encontrou. Foi aqui também que nasceu a Afete-se, durante a pandemia, quando reentrar no mercado de marketing digital parecia um caminho cada vez mais estreito. A virada veio com as mãos: cada peça é criada e produzida 100% por ela, em cerâmica plástica atóxica e reciclável.

A experiência prévia na área de moda fez toda a diferença para construir uma marca com identidade visual forte. Santos ganhou uma criadora que escolheu a cidade, e a cidade ganhou uma marca que escolheu cuidar de quem a usa.

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O nascimento da filha mudou tudo para Carinne Mendonça, 40 anos. Querendo mais tempo com ela, trocou a rotina de antes pelas semijoias e depois foi além, chegando à prata. O que começou como uma busca por presença virou ofício, e hoje a allmazzi é sinônimo de peças delicadas e atemporais.

Mas Carinne foi além da produção: ela também faz curadoria das coleções, fugindo da mesmice que o público sempre reclamou no mercado de prata. O resultado são joias que variam sem perder elegância, para quem quer acessório com personalidade, não apenas com brilho.

Beebs

Maria Beatriz, a Bia, é designer formada há 8 anos que descobriu na xilogravura sua linguagem artística definitiva. O que começou como uma técnica que ela simplesmente queria aprender virou o centro da sua produção, e um sonho de infância de ser ilustradora encontrou nas matrizes de madeira seu melhor endereço.

Elementos místicos, tarot, vida e morte: as criações da Beebs carregam uma dimensão espiritual que transforma cada gravura em algo além da decoração. Moradora de São Paulo, ela intensificou sua presença em feiras em 2025, e o GOMO é mais uma prova de que seu trabalho pede espaço.

Buscapé

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Luis Buscapé, 25 anos, começou filmando manobras de skate com os amigos no Morro da Penha. Depois, trabalhando como assistente de pedreiro, passou a fotografar a própria rotina com uma câmera cybershot, e o hobby foi crescendo quieto. O estalo definitivo veio num dia de enchente no bairro: Luis pegou a câmera para acalmar a ansiedade, e o que saiu dali era arte.

Desde então, ele transforma o cotidiano em imagem com um olhar que só quem viveu aquilo de dentro consegue ter. A trajetória de Luis é, ela mesma, uma fotografia: real, direta e impossível de ignorar.

Chinua

Camila Araújo, do Guarujá, encontrou nos acessórios um caminho de volta para si mesma. Formada em gastronomia, foi durante sua transição capilar que se interessou por peças que resgatassem sua ancestralidade, e o que começou com pintura em MDF evoluiu até o tecido africano, onde a Chinua ganhou identidade. Em fevereiro de 2024, uma de suas criações foi selecionada para o Desfile da Diversidade da New York Fashion Week.

Hoje, o carro-chefe da marca são os acessórios em cerâmica resinada, uma evolução que mantém a essência afro e a conexão com a ancestralidade que sempre guiou o trabalho de Camila. Do Guarujá para Nova York, sem abrir mão das raízes.

Conceito Arte 2

Há 12 anos, Simone e João transformaram dois acervos de vida em uma marca. Ela, artista plástica com quase 30 anos de experiência em encadernação artística. Ele, músico de família com um catálogo de cerca de 5 mil vinis guardados com carinho. Juntos, fundaram a Conceito Arte 2, um projeto que resgata o vintage e devolve a ele todo o valor que merece.

Encadernação artística, discos, ímãs e pôsteres convivem na mesma proposta: a de que o passado tem muito a dizer. De Santos, o casal leva esse amor para feiras e para a internet, provando que memória também é produto.

Essência Vital

Marilene Fragoso é terapeuta holística e criou a Essência Vital a partir de um lugar muito honesto: ela mesma era apaixonada pelos produtos que passou a oferecer. Incensos, velas aromáticas e óleos essenciais são alguns dos itens da marca, mas o diferencial vai além do produto em si. Marilene desenvolve protocolos personalizados de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Com cerca de dois anos de existência, a marca já encontrou seu espaço entre quem busca bem-estar com intenção. Num mundo que corre demais, a Essência Vital propõe exatamente o contrário: parar, respirar e cuidar.

Kambada Artes

A Kambada Artes nasceu dentro da universidade e carrega isso com orgulho. Matheus Vale, Ana Luiza Toniolo e Gabriela Villa-Lobos, da Unesp de São Vicente, se uniram a Murilo Lopes, da Unisanta, para criar uma marca onde biologia e criatividade andam juntas. Tudo começou na atlética, fazendo produtos para o curso, mas a vontade de fazer algo mais bonito e mais próprio foi maior.

Fundada em 2024, a Kambada ainda divide espaço com mestrados, trabalhos e outras rotinas, mas os quatro fazem tudo do zero: pensam os desenhos, produzem e divulgam. Ciência que vira arte, arte que conta ciência.

La Gringa

Veronica Bazán é argentina, casada com um brasileiro há 30 anos e santista de coração, daí o nome La Gringa. Educadora física de formação, ela sempre quis costurar. Foi quando ganhou a primeira máquina de costura da filha que tudo mudou: fez cursos, se apaixonou e não parou mais.

Hoje, suas bolsas em nylon encantam por carregar uma estética que mistura referências vintage com elementos do litoral. Veronica faz questão de dizer que é fascinada pelo que faz, e isso aparece em cada detalhe de cada peça.

LANAI e Urbelico

Duas marcas, um casal, uma proposta em comum: moda que respeita todos os corpos. A LANAI, que completa 10 anos, nasceu nas feiras de empreendedores de Santos e São Paulo com peças dupla face ajustáveis do 36 ao 58, porque o corpo da mulher muda e a roupa precisa acompanhar. A Urbelico é moda agênero criada por uma mulher lésbica e produção em linho e viscolinho por costureiras de ateliê.

Beatriz e Amanda são um casal LGBT que leva a diversidade para dentro do próprio negócio. As artistas destacam que vendem muito bem para mulheres trans, justamente porque vestem bem todos os corpos. As duas vivem exclusivamente das marcas, em Santos, e mostram que moda inclusiva não é tendência: é escolha.

Let Vasco Tattoo

Letícia Vasco tem 22 anos, é do Guarujá e sempre soube que queria tatuar: rabiscava os amigos desde a escola. No caminho até chegar lá, passou pela feirinha hippie, entrou para a CLT, começou faculdade de serviço social, mas apostou tudo na carreira criativa. Há dois anos, mergulhou de vez na tatuagem, fez cursos com bons profissionais e hoje vive do trabalho.

Tatua em um estúdio colaborativo e sonha em ter o próprio espaço, quem sabe um só de mulheres para mulheres. Mas o que Letícia faz questão de dizer é simples: nunca foi tão feliz fazendo algo. Isso, no fim, é o que aparece em cada traço.

Lojinha da Emenny

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Emenny Benatte começou a fazer crochê durante a pandemia, em Praia Grande, num momento em que sair de casa não era opção. Foi no PIC que deu os primeiros pontos, e no mesmo mês já estava criando amigurumis. Seis meses depois, estava expondo em feiras.

O diferencial da Lojinha da Emenny está na autoria: enquanto o crochê tradicionalmente segue receitas à risca, Emenny prefere criar as suas próprias. Cada bicho, cada peça carrega uma decisão dela, e isso transforma artesanato em expressão.

Lynx Acessórios

Gabriela Gonçalves, 24 anos, é campeã santista de longboard e foi no surf que a Lynx nasceu. Para bancar as competições, ela e o pai começaram a criar chaveiros e colares com a resina que sobrava das pranchas. Hoje, trabalha exclusivamente com aço inox, produzindo acessórios antialérgicos que aguentam mar, piscina e o dia a dia sem perder o brilho.

A novidade desta edição é o retorno do modelo Itapuã, inspirado na praia pernambucana onde Gabi foi surfar. Mesmo tendo deixado as competições, ela ainda entra no mar por pura diversão, e a Lynx continua sendo a prova de que alguns sonhos se transformam, mas não acabam.

Macabéa Acessórios

A Macabéa é a veterana da Feira CHAI: fundada em 1999, é a marca mais antiga entre as expositoras. Fernanda Gonzaga criou o negócio durante a efervescência do movimento clubber, quando acessórios com personalidade simplesmente não existiam nas lojas. A solução foi fazer os seus, cintos, coleiras e braceletes em couro que começaram a circular pelas boates LGBTQIA+ no início dos anos 2000.

Com o tempo, a marca foi se reinventando. Em 2012, Fernanda migrou para as bolsas, primeiro em couro, depois em lona, que hoje são o carro-chefe. Mais de 25 anos de história, e a Macabéa ainda tem muito a dizer.

Mais Frutas/Mania de Molhos

Vladimir Catarino é professor de inglês e espanhol, estava estudando gastronomia na pandemia e começou a produzir geleias para testar receitas. A primeira foi simples, de ameixa. Hoje, o carro-chefe é o Morango com Limão Siciliano, e o cardápio cresceu com combinações que fogem do óbvio. Açúcar demerara orgânico em baixa quantidade é a marca da casa: mais sabor, mais equilíbrio, menos culpa.

Recentemente, Vladimir expandiu o negócio com a linha Mania de Molhos, que traz antepastos e molhos em diversos sabores, como o de Palmito com Alho Negro. Cada produto vem acompanhado de um cartão com sugestões de consumo, porque geleia e molho bom merecem uma boa história na mesa.

Malungo Tapetes

Rômulo Oliveira, 33 anos, é de Sete Barras e mora na Baixada Santista há 18 anos. Começou a fazer tapetes em 2022, durante a pandemia, aprendendo pelos vídeos da internet: comprou os equipamentos, foi tentando e não parou mais. O nome da marca vem de uma música do Nação Zumbi, e carrega a mesma energia: resistência, identidade, pertencimento.

Cada tapete nasce do que Rômulo tem vontade de fazer, fotos que o inspiram, criações próprias, artes de protesto, motivos de plantas. Ainda trabalha no regime CLT, mas sonha em viver da arte. Ciclista de bike fixa e parte ativa das comunidades Baixaria, Fixar e Sairas, em Santos ele pedala e cria com o mesmo propósito.

Onda de Nós

A Onda de Nós nasceu de um momento difícil: quando a mãe ficou doente e precisou de cuidados, foi ela quem ensinou as filhas a bordar. Luciana e Claudia são professoras, vieram de Brasília para Santos há 40 anos, e o encontro com o mar ficou marcado na memória e nas peças. São a quarta geração de bordadeiras da família.

Tudo é costurado do zero por elas, desde o tecido até o bordado, com parceiros que compartilham o compromisso com a sustentabilidade. As ecobags estampam frases sobre paz, respeito, diversidade e acolhimento, mensagens que as irmãs não apenas bordam, mas vivem.

ORIUNDO

Lucas Moreira Brito tem 25 anos, é de Santos e passou anos fazendo design como freelancer para marcas de outros. Até decidir criar a sua própria. A ORIUNDO nasceu em fevereiro deste ano como um espaço onde design, audiovisual e arte se encontram, e cada coleção é uma colaboração com um artista independente, pensada a partir da personalidade desse artista.

As coleções duram de dois a três meses, e parte dos lucros vai diretamente para o artista parceiro. É a primeira feira da vida de Lucas, e já chegou com público. Às vezes, o melhor projeto é aquele que você faz pra você mesmo.

Portal Santista de Adoção

O Portal Santista de Adoção nasceu de escuta ativa: Tatiana Maresias foi até as feiras, conversou com protetoras e perguntou quais eram suas necessidades reais. Administradora e especialista em finanças, ela usou esse olhar para organizar o que estava solto, estruturou processos de adoção, melhorou formulários e tirou novas fotos dos pets.

Hoje, o Portal tem um grupo de voluntários e parcerias com dois abrigos em Santos. Os produtos vendidos na feira, como ecobags e calendários dos pets, revertem renda para esses projetos. Adoção responsável também se constrói com gestão.

Saboaria Artesanal Pérola Negra

Jaqueline da Cruz, de Praia Grande, carrega um legado de três gerações. O conhecimento sobre ervas, sabonetes naturais e argilas passou da avó para a mãe, e da mãe para ela, e foi esse saber ancestral que deu origem à Saboaria Artesanal Pérola Negra. Técnica de enfermagem, Jaque divide a rotina na saúde com a saboaria, que nasceu como paixão e virou fonte de renda e de propósito.

As novidades desta edição são as esponjas de crochê sustentáveis e reutilizáveis, as mousses de banho e o esfoliante de café com essência de maracujá, além das frutas pintadas à mão e uma linha especial de sabonetes de frutas, com destaque para o de morango do amor. Cuidado com a pele que tem história dentro.

Santa Arte Biscuit

Luciana Vieira é santista e faz biscuit há cerca de 20 anos, começou como hobby, sem imaginar onde aquilo ia chegar. Há quatro anos, depois de uma demissão, o que era passatempo virou profissão. Hoje, o biscuit é sua principal fonte de renda, e ela produz tudo em casa.

O ponto forte são os santinhos católicos, mas o repertório cresceu: agora inclui orixás, bonecos de signo, personagens famosos e temas praianos que celebram a identidade de Santos. Uma artista que a cidade reconhece, e que reconhece a cidade de volta.

Vico Arte Visual

Virgínia Costa é jornalista há mais de 20 anos, mas o desenho nunca saiu de cena: ela guarda criações dos 4 anos de idade. Há quatro meses, começou a explorar uma nova técnica, desenhando à mão, digitalizando e usando ferramentas de IA para colorir. O resultado são personagens femininas marcadas por pescoços alongados que estampam quadros, canecas, cadernos e azulejos, tudo produzido em casa.

O que começou como experimento virou um projeto real de transição de carreira. Virgínia quer viver da arte visual, unindo décadas de experiência narrativa com uma expressão artística que chegou tarde, mas chegou com tudo.

Como chegar ao Festival GOMO de Criatividade

Sobre o local: o Juicyhub fica na Av. Ana Costa, 433, 4º andar, no Gonzaga. Região central, fácil de achar. Tem estacionamento disponível no local por volta de R$ 50 a diária. Mas, se você mora perto ou tem ônibus pela Ana Costa, considere chegar de transporte público. Quem é de Santos sabe que o Gonzaga fica cheio no fim de semana.

Sobre a inscrição: é gratuita, mas as vagas são limitadas. Faça pelo Sympla antes do evento e agilize sua entrada. Se deixar pra se cadasrar na fila, corre o risco de ficar de fora.

Sobre levar as crianças: pode e deve. O espaço kids tem recreação e contação de histórias nos dois dias.

Sobre acessibilidade: o espaço é adaptado para PCDs e conta com intérprete de Libras. O GOMO foi pensado para ser de todo mundo, de verdade.

Esta edição do Festival GOMO de Criatividade conta com o patrocínio master da Adobe e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Apoiam o Festival GOMO a Prefeitura Municipal de Santos, por meio do programa Feito em Santos, a SB7 Som & Luz e a São Judas Campus Unimonte. São parceiros do festival a Minimal Design, VMB Eventos, Cursino e Teodoro da Silva Advogados, OAB Subseção Santos, Guard Lock, Motorádio, Eletromidia e Programa JB.