Escolas municipais de Santos vão alertar jovens sobre jogos online e bets
O projeto da Fábrica de Cultura 4.0 em parceria com a Secretaria de Educação começa na UME Oswaldo Justo na volta às aulas e vai passar por toda a rede
As bets já não estão só nas telas. Elas estão nos intervalos da TV, nas camisas do seu time favorito, nas redes sociais, nos patrocínios e, cada vez mais, no cotidiano de quem nem percebe o tamanho do problema. Inclusive nas escolas, onde os jovens já são o alvo dessa febre dos jogos de aposta online, conhecidos popularmente como “jogo do tigrinho”.
O que parece só publicidade mascara riscos gigantes para a saúde mental. E esse mercado cresce rápido demais para a sociedade ignorar.

Santos se abriu para esse diálogo com um projeto chamado “Volta às Aulas sem Tigrinho”, idealizado pela Fábrica de Cultura 4.0 e articulado juntamente com a Secretaria de Educação.
As unidades de ensino municipais vão juntar arte urbana, funk consciente e muita conversa para levantar esse assunto com a galera.
A estreia será na volta às aulas do segundo semestre na UME Oswaldo Justo. Depois, circula pelo restante da rede municipal.
Tudo para fazer as juventudes refletirem sobre os riscos reais desse tipo de jogo, que apesar de parecer inofensivo, preocupa famílias e educadores em todo o país, inclusive aqui na região.
A vida não é um jogo
A febre dos jogos de aposta online só cresce em todo o país. E, entre os jovens nativos digitais, não é diferente.
O “tigrinho”, aquele jogo de caça-níquel que roda facilmente nos celulares, atrai pelo visual e pela promessa de dinheiro rápido e fácil. Só que esconde armadilhas como o risco de vício e prejuízos financeiros, mesmo entre menores de idade.
E não é só no bolso que pesa. A exposição precoce a apostas pode contribuir para problemas emocionais e de comportamento na adolescência.
Se você está buscando ajuda para o vício em jogos em Santos, a gente te conta onde encontrar.
As comunidades escolares já estão abordando esse tema nas salas de aula. Em especial porque influenciadores digitais super populares entre os jovens promovem pesadamente essas plataformas.
Segundo a Fábrica de Cultural 4.0, Santos foi a única cidade rececptiva a essa ação. Isso ocorreu mesmo depois de ela ter sido oferecido para vários municípios do estado. Então, o “Volta às Aulas sem Tigrinho” vai ajudar professores, pais e profissionais da educação a dialogar sobre esse fenômeno sem rodeios e sem julgamentos, mas de forma criativa e acolhedora.
Cultura urbana para criar identificação
Pra conquistar a atenção desse pessoal e abrir espaço para essa conversa fundamental, o MC Pekeno do Saboó, bem conhecido na cena do funk consciente local, bate um papo com os estudantes.
O artista tem um repertório que toca em temas como responsabilidade, respeito, cidadania e convivência.
Ele vai compartilhar experiências e ouvir as realidades dos próprios alunos, incentivando reflexões sobre escolhas, riscos do vício em jogos e a importância de construir relações saudáveis na escola e em casa.
Outra atração são 12 obras grafitadas, feitas por artistas de várias regiões ligadas às Fábricas de Cultura de SP. E essas artes, além de decoração, serão o ponto de partida para discussões sobre os perigos das bets e jogos de azar.
Ao longo dos próximos meses, o “Volta às Aulas sem Tigrinho” vai visitar todas as Unidades Municipais de Educação de Santos.
Cada escola deve viver sua própria experiência com a música e a arte, mostrando que soluções para desafios atuais podem florescer coletivamente dentro da própria educação.