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Empreender Consciente recebe ministro do Empreendedorismo no Juicyhub

Paulo Pereira dividiu o palco com empreendedores da cidade em gravação ao vivo do Empreender Consciente, com cadeira livre para perguntas da plateia

Tempo de leitura: 6 minutos

“Montei quase uma arca de Noé do empreendedorismo. Se algo der errado hoje, conseguimos reconstruir a cidade”. 

Foi assim que Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub, abriu o podcast Empreender Consciente, em edição especial com o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira.

O episódio especial foi gravado ao vivo no auditório do Juicyhub, com uma plateia que reuniu empreendedores de cultura, finanças, espaços físicos, startups e economia criativa.

O encontro nasceu como reunião fechada com a agenda do ministro na cidade. Porém, Ludmilla decidiu abrir o espaço para a comunidade. Quem quisesse participar podia ocupar a cadeira ao lado dos dois e fazer perguntas diretamente ao ministro.

www.juicysantos.com.br - Empreender Consciente recebe ministro do Empreendedorismo em edição especial no Juicyhub

Foto: Maurício Matias

Quarenta e sete milhões de razões para prestar atenção

Antes de falar de política pública, Ludmilla testou a plateia com um número. Perguntou quantos empreendedores o Brasil tem hoje.

São 47 milhões de empreendedores no país, conforme aponta o ministério, e 20 milhões deles ainda na informalidade. Desse total, 10,3 milhões são mulheres.

Paulo Pereira colocou o dado em outra perspectiva. Cerca de metade da população economicamente ativa do Brasil empreende de alguma forma. Além disso, 70% dos trabalhadores com carteira assinada estão em pequenas e médias empresas.

Para quem vive de bico ou negócio informal, a formalização via MEI mudou a rotina de forma concreta. Cerca de 17 milhões de microempreendedores hoje contam com INSS e auxílio-maternidade, direitos que antes ficavam restritos a quem tinha carteira assinada em empresa grande.

O problema do “nanismo empresarial”

Ludmilla perguntou como transformar empreendedorismo de subsistência em negócios mais complexos.

O ministro reconheceu um problema no desenho atual do sistema. Um empreendedor que fatura R$ 81 mil por ano paga pouco imposto. Se faturar R$ 82 mil, a tributação sobe de forma brusca.

Isso cria um efeito colateral, porque o empreendedor cresce abrindo vários CNPJs, em vez de expandir um único negócio, formando o que Ludmilla chamou de “nanismo empresarial”.

Pereira confirmou o diagnóstico. Segundo ele, elevar o teto do MEI para R$ 140 mil evitaria que o pequeno negócio precisasse se fragmentar só para não pagar mais imposto, abrindo caminho para crescer de fato em vez de se multiplicar em CNPJs paralelos.

Uma cidade dividida em oito quilômetros

Ludmilla trouxe Santos de volta ao centro da conversa. Lembrou que a cidade tem o maior porto da América Latina, mas vive o que chamou de monocultura econômica, com 60% dos empregos formais ligados à atividade portuária.

“Se você quiser visitar realidades tão distintas quanto o Sudão do Sul e a Namíbia em menos de 8 km, você consegue. Temos uma desigualdade gritante”, provocou.

Pereira evitou prometer solução imediata. Defendeu que fazer o dinheiro circular pelo comércio local, e não se concentrar em poucas mãos, é o que sustenta negócios pequenos no longo prazo. Para ele, se uma fatia maior das compras do Estado, que soma R$ 1,5 trilhão por ano, chegar a fornecedores pequenos da região, isso significa mais encomenda, mais caixa e mais estabilidade para quem empreende em Santos.

Dívidas, juros e uma segunda chance

Grande parte da conversa girou em torno de crédito, o ponto mais prático da manhã para quem estava na plateia.

Pereira foi direto sobre o que acontece com quem não consegue crédito formal: o empreendedor recorre ao cartão de crédito.

“É um veneno, com juros de 400% ao ano”, resumiu.

Para ele, é justamente esse cenário que programas de renegociação e crédito garantido tentam evitar. Ao reduzir esses juros para uma faixa próxima de 20% ao ano, um empreendedor deixa de pagar uma dívida que cresce mais rápido do que o próprio negócio e passa a ter fôlego para investir.

Na prática, isso já se traduziu em R$ 7 bilhões emprestados a 193 mil pequenos negócios, de acordo com o ministério, e em descontos de até 90% para quem estava com o nome sujo e travado.

Vozes da plateia

A cadeira livre não ficou parada. Tarcísio Muniz, personal trainer que está formalizando uma empresa de saúde ocupacional, questionou o custo de abrir e manter negócio em Santos.

Pereira respondeu que abrir uma empresa hoje leva cerca de um dia, contra semanas no passado. Para ele, o gargalo atual está na falta de diálogo entre exigências federais, estaduais e municipais.

www.juicysantos.com.br - plateia podcastFoto: Maurício Matias

Fernando Blanco, ex-diretor de bancos e hoje à frente de uma escola de educação financeira, cobrou mais educação financeira para destravar o crédito. O ministro concordou e foi direto ao apontar a própria formação.

“Eu estudei na USP e não aprendi a ser empresário ou a fazer fluxo de caixa”, admitiu.

Já Ana Carolina Cederboom, do projeto Mulheres Pretas Empreendem, perguntou sobre empreendedores que saem do Simples Nacional por dívidas e ficam de fora até o ano seguinte. Para quem vive essa situação, o impacto é direto: pagar a primeira parcela da dívida renegociada já basta para voltar a operar formalizado, sem esperar o calendário fiscal do ano seguinte.

Por trás do microfone

O Empreender Consciente é um projeto do Juicyhub conduzido por Ludmilla Rossi no YouTube que mostra a realidade do empreendedorismo, da visão até o impacto.

O episódio especial gravado ao vivo estará disponível no dia 18 de agosto no YouTube.

Paulo Henrique Rodrigues Pereira está à frente do Ministério do Empreendedorismo desde abril de 2026. Antes, foi secretário nacional do Consumidor e secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável. É professor da Faculdade de Direito da USP, onde concluiu graduação, mestrado e doutorado, com período de pesquisa na Universidade de Harvard.

O ministério já teve outro ponto de contato com Santos neste ano. O MEMP apoiou a realização do Festival GOMO, parceria que Ludmilla lembrou durante o evento.

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