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Curta de surfista de Guarujá está na final de festival de cinema na França

Mais do que manobras, o filme mergulha em temas como maternidade, recomeço e força feminina

Tempo de leitura: 3 minutos

Já pensou em atravessar o Oceano Atlântico não só pegando onda, mas também contando sua história para o mundo todo? É exatamente isso que está acontecendo com Juliana Frare, surfista nascida em Guarujá. Seu curta-metragem “Entre Mundos” foi selecionado para um dos festivais de cinema de surf mais respeitados da Europa. Trata-se do International Surf Film Festival d’Anglet, na França.

A seleção do filme coloca Juliana em evidência em um evento que reúne produções do mundo todo e contribui para projetar o surf feminino brasileiro. Mas, como nem tudo é fácil, ela também enfrenta agora o desafio de viabilizar sua ida à França para representar nosso litoral pessoalmente.

Elas nas ondas

O surf faz parte do DNA da Baixada Santista, com circuitos, atletas e eventos que colocam a região entre as mais tradicionais do país. Porém, durante muito tempo, as mulheres tiveram de lutar para ter uma fatia desse espaço. Só para se ter ideia, um estudo feito pela International Surfing Association (ISA) mostrou que a participação feminina nos campeonatos mundiais de surf cresceu 20% na última década. Além disso, nomes brasileiros têm tudo a ver com esse movimento.

No Guarujá, o cenário também está mudando. Novos projetos, mais incentivo à base e atletas como Juliana Frare mostram que o surf feminino está ganhando cada vez mais visibilidade. O papel de histórias inspiradoras – como a do curta-metragem selecionado – acaba ajudando a abrir portas (e cabeças) para as próximas gerações de surfistas da região. Gente de casa mostrando que dá pra ir longe, inclusive cruzando fronteiras com produções audiovisuais.

Do mar para as telas, a história de “Entre Mundos”

O filme de Juliana Frare, produzido ao lado do diretor Thiago Gonçalves, foi criado para ir além dos registros de manobras radicais em ondas gigantes. Em “Entre Mundos”, a surfista caiçara narra sua própria vivência de superação e maternidade de quatro filhos. Ela também aborda o desafio de equilibrar a rotina e, principalmente, o enfrentamento à violência doméstica. O recorte pessoal – e corajoso – do curta faz com que o espectador mergulhe em temas como força feminina, recomeço e transformação.

Não é à toa que “Entre Mundos” já havia ganhado o prêmio de Melhor Narrativa Feminina no Esporte no Na Borda Surf Festival 2025, realizado aqui em Santos. Agora, com a seleção na França, a história se prepara para rodar o mundo e, claro, serve como inspiração para quem acredita que os limites podem ser ultrapassados.

A rotina intensa de Juliana divide tempo entre treinos de big surf, maternidade, produção audiovisual e palestras. Para muita gente, só uma dessas atividades já seria o suficiente. No entanto, ela segue mostrando que é possível seguir sonhando (e realizando) em diferentes áreas.

Projeto com selo daqui e participação coletiva

Além de relatar sua própria trajetória, Juliana decidiu, em cima da hora, mobilizar uma campanha virtual para viabilizar a viagem até a França. Essa viagem acontece em agosto de 2026.

A ideia é garantir sua participação presencial na premiação, representando o surf feminino nacional – e claro, levando o nome do Guarujá e da Baixada Santista junto. A produção totalmente independente contou com apoio de parceiros locais e agora busca uma rede de apoio maior para transformar esta conquista pessoal em um feito coletivo.

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