Anna Carolina Gouveia mostra que caos não é sinônimo de criatividade no CreativeMornings Santos
A conversa passou por criação, rotina, excesso, disciplina e aquela ideia romantizada de que o caos é obrigatório para criar algo bom
O CreativeMornings voltou para casa nesta sexta-feira, 8 de maio. Depois de duas edições fora do Juicyhub, uma na Concha Acústica e outra no auditório da Universidade São Judas com o Netão, o encontro mensal de mentes criativas reencontrou seu endereço de costume, o Juicyhub, com o espaço quase todo ocupado.

O tema do mês é “Create”, escolhido pela Adobe pela primeira vez na história do evento. E a palestrante convidada encaixa no assunto como luva: Anna Carolina Gouveia, estrategista criativa e sócia da Maria Marcolina Filmes, subiu ao palco para falar sobre criação. Só que não do jeito que todo mundo espera.
A ideia que ficou seis meses na gaveta
Em outubro de 2023, Anna teve uma ideia. Criou um usuário no Instagram, pensou no nome do perfil e… parou por aí. Outubro, novembro, dezembro. Janeiro, fevereiro. Nada. Ela sabia o que queria dizer, sabia como fazer, mas esperava o momento perfeito. O plano estratégico ideal. A estrutura certa.
O Tem Gente Que Não Bebe só foi ao ar em 28 de março de 2024, seis meses depois da ideia original. Hoje, em maio de 2026, reúne mais de 136 mil seguidores, entre eles Nando Reis, Andreia Sadi e Paolla Oliveira.
O projeto nasceu de uma pergunta que Anna fez a si mesma no aniversário de 34 anos: o que muda quando a gente tira o álcool da equação por um ano inteiro? A resposta foi mais fundo do que ela esperava.
Ressaca emocional e a semana que nunca começava direito
Anna descreveu um ciclo que muita gente reconhece sem nunca ter dado nome. Segunda-feira é péssima. terça um luta, quarta é recuperação, quinta quase inteira e sexta, ladeira abaixo de novo.
Não estamos falando de ressaca física, mas daquela tristeza que fica no corpo depois do fim de semana, enquanto a semana toda vai sendo usada para administrar os estragos.
Quando parou de beber, sobrou energia, semana e criação.
Mas aí veio outra dúvida, uma que o mundo criativo conhece bem: será que dá para criar sendo “careta”? Existe uma crença antiga, quase romântica, de que as melhores ideias nascem do caos, do excesso, da euforia.
Faísca não é fogo
“O caos gera apenas a faísca, e faísca não é fogo.”
A frase sintetiza o ponto central da palestra. Para uma ideia virar fogo, ela precisa de lenha, tempo e paciência. Precisa de estrutura.
Criar não é só ter a ideia. É realizá-la, colocá-la na rua, sustentar o projeto quando a animação do começo passa. Isso exige disciplina. Consistência. A meta, segundo Anna, é encontrar equilíbrio entre ter alma de poeta e disciplina de engenheiro.
A palestra tem nome: “Por que as melhores criações não exigem que você saia de si?” E a resposta está menos no caos e mais na honestidade com o próprio processo.
“Precisamos ter a alma de poeta e a disciplina de engenheiro.”
Santos no mapa global da criatividade
O CreativeMornings acontece em mais de 250 cidades, 70 países, com 25 a 30 mil participantes por mês. Em abril, o capítulo de Santos ficou a um inscrito de ser o maior evento do mundo: 393 pessoas, contra 394 da cidade de Charlotte.
Nos últimos 40 dias, somando todos os eventos e transmissões, o capítulo santista impactou mais de 2 mil pessoas.
O Juicyhub já tem outro compromisso confirmado: no dia 20 de junho (sábado), em parceria com a Adobe, acontece o Juicy Design Meetup. Mais novidades sobre o evento chegam em breve, fique de olho neste site.
E quem ainda tem uma ideia guardada pode aproveitar o embalo do Release Day, movimento global que convida criadores a tirarem seus projetos da gaveta no dia 29 de maio.
Afinal, o perfil de Anna ficou seis meses parado antes de chegar a 136 mil pessoas. Quanto tempo o seu projeto já está esperando?
O CreativeMornings tem apoio de Adobe, São Judas Unimonte, SB7 Som e Luz e Cursino e Teodoro da Silva Advogados.