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Álvaro Borba mistura filosofia, ciência e cultura pop no CreativeMornings Santos

A edição de julho do CreativeMornings Santos lotou uma das salas do Cine Roxy, tornando o encontro, mais uma vez, o maior capítulo do mundo

Tempo de leitura: 6 minutos

Ele chegou tímido ao palco do Cine Roxy e, antes de qualquer coisa, fez um pedido que pegou a plateia de surpresa. Queria alguns minutos para declarar seu amor por Santos antes de falar sobre o tema que o trouxe até ali.

www.juicysantos.com.br - Álvaro Borba falou de amor antes de competição no CreativeMornings SantosFoto: Unlock Films

Foi assim que Álvaro Borba, jornalista e criador do canal Arvro, abriu a edição de julho do CreativeMornings Santos no Cine Roxy.

O encontro repetiu o feito de março e, pela segunda vez em 2026, foi a maior edição do CreativeMornings do planeta.

Um catarinense que se apaixonou pela Fonte do Sapo

Antes de conectar Platão, campo mórfico e Naruto, veio a Fonte do Sapo.

Ele contou que desembarcou em Santos há cerca de um ano, atraído por aulas de vela. Além disso, disse que uma noite qualquer mudou sua relação com a cidade.

Caminhava da Ponta da Praia até São Vicente quando parou na Fonte do Sapo e viu pais ensinando os filhos a andar de bicicleta e a se equilibrar de skate. A cena o emocionou.

“A infância como deve ser existe e está aqui. Que coisa linda”, contou ele, lembrando o momento.

A partir daí, fez uma ressalva importante para quem chega de fora. Segundo ele, quem se muda para uma cidade precisa de ética própria para não se impor sobre quem já mora ali há mais tempo.

Platão também competia

O tema global de julho era competição, escolhido pela cidade de Santiago (Chile).

Borba decidiu não fugir dele, mas ficou longe de repetir o óbvio.

Sua proposta partiu do “mundo das ideias” de Platão, teoria segundo a qual tudo que existe na matéria seria uma cópia imperfeita de um modelo ideal.

O jornalista lembrou que Platão foi lutador e aplicava esse pensamento ao próprio esporte.

Assim, dois adversários em uma luta estariam colaborando juntos para alcançar a performance perfeita que existe apenas no plano das ideias.

Ele também usou a ciência para sustentar o raciocínio.

Em 1954, o corredor Roger Bannister completou uma milha em menos de quatro minutos, marca considerada impossível até então. Pouco depois, vários outros corredores repetiram o feito. Portanto, para ele, não foi só uma questão motivacional. Bannister teria aberto um caminho entre a matéria e a ideia, facilitando o acesso de outros àquela performance.

Macacos, cocos e cultura como aplicativo

A palestra ganhou um capítulo quase de ficção científica quando Borba apresentou a teoria dos campos mórficos, do biólogo Rupert Sheldrake. A ideia sugere que comunidades isoladas de animais conseguem aprender comportamentos ao mesmo tempo, mesmo sem contato físico entre si. Por exemplo, grupos de macacos passam a quebrar cocos da mesma forma simultaneamente em diferentes partes do mundo.

Ele reconheceu que não sabe se campos mórficos existem de fato. Contudo, apontou uma analogia mais palpável: a cultura funciona como um sistema operacional. Cada nova manifestação, do chorinho antigo ao funk de hoje, é como um aplicativo que precisa esperar a atualização do sistema para ser aceito.

Foi nesse ponto que ele trouxe uma experiência pessoal de quando dirigia o departamento de mídias sociais da Prefeitura de Curitiba. Em 2013, diante de uma campanha de vacinação infantil com baixa adesão, publicou uma notícia falsa e bem-humorada dizendo que a Galinha Pintadinha havia sido banida das creches. O post viralizou. Além disso, a própria marca entrou na brincadeira nas redes sociais.

“Ali percebemos a colaboração subjacente”, resumiu, explicando que prefeitura e marca competiam pela atenção do mesmo público, mas colaboraram para o benefício das crianças.

O palco do Cine Roxy

Trocar o Juicyhub pelo Cine Roxy não foi só uma mudança de endereço.

O cinema, que abriu as portas em 15 de março de 1934 exibindo Cântico dos Cânticos, com Marlene Dietrich, é hoje o segundo mais antigo em funcionamento no Brasil, atrás apenas do Cine Olympia, de Belém.

www.juicysantos.com.br - Palestra de Álvaro Borba em auditório com público

Foto: Unlock Films

Sob a liderança do empresário Toninho Campos, a rede completou 92 anos em 2026 e expandiu a operação para São Vicente e Cubatão.

Em Cubatão, a unidade recebe cerca de 750 mil espectadores por ano. Além dos filmes em cartaz, o cinema mantém sessões inclusivas, como a chamada sessão azul, voltada para o público autista.

Quem estava na plateia

Lyane Frasson, engenheira química de 35 anos, mudou-se para Santos vinda do Vale do Ribeira. Levou até o livro de Borba para ganhar um autógrafo.

Sobre o evento em si, resumiu :

“Foi objetivo e também muito legal por ser gratuito e aberto para todo mundo”. 

Já Mateus Puime, de 21 anos, santista cursando Marketing, foi ao evento sobretudo para acompanhar de perto o trabalho do youtuber. Saiu satisfeito com algo além disso.

“Foi muito legal ver o tamanho que o meio criativo tem em Santos. Eu sempre me surpreendo com o quanto a nossa Baixada é rica e o quanto a gente exporta de talentos criativos para fora”, disse.

Sobre o tema da manhã, resumiu a lição que levou:

“A competição é muito saudável, não só no meio criativo, como em todo tipo de meio.”

Quem faz o encontro

O CreativeMornings Santos segue sem faltar um único mês desde fevereiro de 2024, sequência que Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub, fez questão de lembrar logo na abertura.

A edição de julho contou com apoio da São Judas Campus Unimonte, SB7 Som & Luz, Prefeitura de Santos, Feito em Santos, Cursino & Teodoro da Silva Advogados e do próprio Cine Roxy.

Além do auditório do Juicyhub, o capítulo santista já passou pela Concha Acústica com Gabriel Weimer e pelo auditório da São Judas com Netão Bom Beef. Agora, soma o Roxy à lista de endereços que já receberam a maior comunidade criativa presencial do mundo.

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