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Pacotinho a R$7: o álbum da Copa de 2026 que poucos vão terminar

Desde 1934, a cidade se encontra em torno de um álbum. Desta vez, o preço coloca uma barreira onde sempre houve espaço para todo mund.

Tempo de leitura: 4 minutos

Por quase um século, Santos parou para trocar figurinhas. Não metaforicamente, de verdade. Com lista na mão, figurinha repetida no bolso e a famosa pergunta: “Tem para troca?”

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Foto: Divulgação

Aconteceu em 1934, na febre das Balas Holandesas. Em 1952, quando os jornais chamaram a mania de “epidemia” e criticaram homens e mulheres que “perdiam horas preciosas” na Praça Rui Barbosa. Já em 2010, advogados, arquitetos, portuários e crianças dividiram o mesmo espaço na Praça da Independência em torno do álbum da Copa da África do Sul. Acontece a cada 4 anos, e vai acontecer de novo, com um porém.

Pela primeira vez, o preço do pacotinho pode decidir quem entra nessa roda e quem fica de fora.

O maior álbum da história, com o maior preço da história

A Copa do Mundo de 2026, disputada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, estreia o formato com 48 seleções. Assim, mais países significam mais jogadores e, consequentemente, mais figurinhas. O álbum deve chegar com cerca de 980 cromos e 112 páginas, quase 50% a mais do que a edição de 2022, que tinha por volta de 670 figurinhas.

E o pacotinho vai custar R$7. Em 2022, custava R$4.

Os envelopes passarão a ter sete figurinhas em vez de cinco. Por isso, o preço por cromo fica próximo de R$ 1, matematicamente semelhante às edições anteriores. Contudo, a conta total é bem diferente. Estimativas indicam que completar o álbum sem trocar nenhuma figurinha pode custar até R$ 7 mil, já que seria necessário comprar entre sete e dez vezes o número total de cromos para ter uma chance alta de fechar a coleção. A boa notícia é que a troca reduz esse valor em até 80%. Com cerca de 50 pessoas participando, o gasto médio cai para aproximadamente R$ 1,4 mil.

Para muitas famílias em Santos, mesmo com as trocas, isso não é passatempo.

A tradição que sempre foi de todo mundo

O que torna a história das figurinhas em Santos diferente é o caráter genuinamente popular da tradição. Os registros históricos mostram que a Praça Rui Barbosa de 1952 já reunia pessoas de todas as condições sociais. Da mesma forma, a Praça da Independência de 2010 misturava portuários, arquitetos, advogados e aposentados no mesmo espaço, em torno do mesmo assunto.

www.juicysantos.com.br - troca de figurinha 52

Foto: Novo Milênio/A Tribuna

Além disso, a tradição sempre gerou renda para quem soube enxergar a oportunidade. Garotos que completaram o álbum cedo viraram revendedores. Vendedores informais chegaram a largar o emprego fixo porque faturavam mais nas praças. Estudantes usaram o lucro das trocas para pagar faculdade.

Portanto, nunca foi apenas entretenimento trocar figurinha em Santos. Foi gerador de renda, ponto de encontro e forma de a cidade se apresentar para si mesma.

O preço vai te dizer se você consegue completar o álbum

A troca democrática depende de um pré-requisito: todo mundo precisa ter acesso ao pacotinho. Quando o álbum de 2010 criou fila de vendedores informais na Avenida Ana Costa a ponto de a Guarda Municipal precisar intervir, havia um ecossistema funcionando. Crianças compravam, jovens revendiam e adultos trocavam. Assim, o mercado informal era a válvula de pressão que equilibrava o sistema.

www.juicysantos.com.br - troca de figurinha 2010

Foto: Alberto Marques

Com pacotinhos a R$ 7, contudo, o desequilíbrio começa antes da primeira troca. Famílias com menor renda podem simplesmente não ter o volume de figurinhas para participar da roda de conversa. Sem figurinhas repetidas, não há troca. Consequentemente, sem troca, não há encontro.

Dessa forma, a tradição se mantém, mas se estreita. Vira coisa de quem pode, não de quem quer.

Duas apostas para 2026

Duas perguntas vão acompanhar os colecionadores santistas durante toda a temporada. A primeira: será que dá pra completar o maior álbum da história sem esvaziar a conta bancária?

A segunda é: o que vai ser mais difícil em 2026, a figurinha número 980 para fechar o álbum ou a figurinha do Neymar, que ainda nem sabe se vai ser convocado?

Informações de serviço

  • Lançamento previsto do álbum Panini no Brasil: abril de 2026 (data a confirmar)
  • Copa do Mundo 2026: 11 de junho, nos Estados Unidos, Canadá e México
  • Preço estimado do pacotinho: R$ 7 (7 figurinhas por envelope)
  • Total estimado de figurinhas: aproximadamente 980 cromos, 112 páginas

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