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Sete quilômetros, várias histórias: o que tem em cada um dos postos da orla de Santos

Como a cidade transformou seus edifícios de salvamento em referências de cultura e esportes

Tempo de leitura: 5 minutos

Quem passeia pelos sete quilômetros da orla de Santos encontra muito mais do que praias e jardins. Os postos de salvamento espalhados ao longo da avenida oferecem programação cultural e esportiva gratuita ou acessível para moradores e visitantes.

Essas estruturas icônicas com dupla funcionalidade transformam ainda mais a experiência na praia.

Foto: Divulgação/PMS

Postos de Santos muito além do verão

As construções nasceram em 1924 pelo Governo do Estado de São Paulo. Na época, o então “presidente” estadual Carlos de Campos promulgou uma lei estabelecendo os primeiros postos de salvação nas praias. Entre 1926 e 1930, as edificações foram instaladas ao longo da orla.

Inicialmente, os equipamentos serviam apenas para vigilância marítima, o que já era ótimo. Só que, com o tempo, ganharam novos usos voltados à comunidade. Hoje, cinco dos sete postos têm atividades culturais e esportivas das mais diferentes. 

Enquanto outras cidades do Brasil focam nos meses mais quentes do ano, Santos oferece pontos de encontro com aquela vibe de pertencimento tão necessária.

Só para comparar: no Rio de Janeiro, são mais postos – 27, no total. Eles vão do Leme ao Recreio dos Bandeirantes. No entanto, não pertencem ao município. Estão sob gestão de uma concessionária privada desde 2010. Os serviços, como banheiros, são pagos (menos para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência). Na temporada de verão, eventos com ativações de marcas costumam ocupar esses espaços. Mas, nos outros meses, volta a ser posto de salvamento.

Santos, com muito menos exposição midiática, democratiza esse acesso o ano todo – e há mais de um século.

Escola pioneira de surf

Localizado na Pompeia, o Posto 2 abriga a primeira escola pública de surf do Brasil. Criada em 1991, já atendeu mais de 30 mil pessoas interessadas em dominar as ondas. A Escola Radical oferece aulas gratuitas para diferentes perfis.

Além disso, o equipamento disponibiliza turmas especiais para o público acima de 50 anos. Os treinos começam dentro do posto, onde os alunos aprendem técnicas básicas antes de enfrentar o mar.

Inclusão através do esporte

No posto seguinte, funciona uma escola adaptada para pessoas com deficiência física ou mental. O projeto utiliza pranchas especialmente desenvolvidas para promover inclusão. Aliás, esses modelos inovadores se tornaram referência internacional.

Países como Estados Unidos, Portugal, Espanha e Peru já adotam as pranchas criadas em Santos. Atualmente, mais de 170 alunos participam das atividades. Anualmente, cerca de 250 pessoas são atendidas, incluindo aquelas com deficiências temporárias.

Cinema com vista para o mar

O Cine Arte Posto 4 inaugurou suas atividades em 8 de novembro de 1991 exibindo o clássico alemão “Asas do Desejo”. Desde então, mais de 2.500 obras já foram apresentadas no espaço. O cinema, também chamado Sala Rubens Ewald Filho, prioriza produções não comerciais.

A programação inclui filmes de festivais nacionais e internacionais. A sala de cinema mais charmosa da cidade oferece 48 lugares, incluindo assentos adaptados com sessões diárias às 16h, 18h30 e 21h com entrada no valor de R$3,00 (inteira) e R$1,50 (meia).

Paraíso dos quadrinhos

A Gibiteca Marcel Rodrigues Paes reúne aproximadamente 40 mil títulos em seu acervo. O espaço oferece obras infantis, mangás, fanzines e HQs nacionais e internacionais. Contudo, todo o material só pode ser consultado no local.

Inaugurada em 1992, a gibiteca promove workshops mensais com artistas. Para quem aprecia cultura na Baixada Santista, este é um destino imperdível. 

Biblioteca à beira-mar

No Embaré, funciona a Biblioteca Municipal Mário Faria com mais de 25 mil títulos. O espaço foi completamente revitalizado e oferece empréstimo de livros, área de leitura e pesquisa. Assim, atende estudantes, pesquisadores e leitores em geral.

O equipamento também sedia exposições de arte, encontros literários e palestras. Assim, transforma-se em ponto de encontro cultural para a comunidade local e turistas.

Aventura na água

O último posto oferece cursos gratuitos de esportes náuticos para maiores de 12 anos. Entretanto, é necessário saber nadar para participar. As modalidades incluem caiaque, canoa havaiana e stand-up paddle.

Mais de 260 alunos aproveitam as aulas. Dessa forma, o equipamento democratiza o acesso a esportes que geralmente exigem investimento em equipamentos caros.

Já viu a galera se exercitando em cima dos postos?

Além das programações específicas, todos os postos servem como ponto de encontro para grupos de ginástica.

Na parte superior das estruturas, acontecem aulas de alongamento, yoga e outras atividades físicas. Pois é, esses equipamentos se integram à rotina esportiva da orla e ajudam a fortalecer a fama de Santos como uma das cidades mais fitness do país.

Como curtir os postos da orla de Santos

Para conhecer todas as atrações, você pode percorrer a orla caminhando ou pedalando pela ciclovia. Os postos estão distribuídos estrategicamente ao longo dos canais, facilitando a localização. Aliás, a maior parte das atividades é gratuita ou tem valor simbólico.

Vitor Fagundes
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