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Santos e as bicicletas: uma história de paixão e luta

O Dia Mundial da Bicicleta é celebrado 3 de junho. Mas, em Santos, a bike é hit todos os dias

Tempo de leitura: 4 minutos

Não importa o horário, se está frio, chovendo ou fazendo aquele sol que só tem em Santos. Quem passa pela orla muito provavelmente vai encontrar alguém pedalando.


Enquanto geral está travado no trânsito, tem santista cortando caminho pela ciclovia. A real é que em Santos a bike nunca foi só exercício físico, ela faz parte da paisagem, quase como um membro da família. 

A cidade que aprendeu a pedalar junto

Santos tem uma relação antiga com a bicicleta. Não por acaso, a cidade possui uma das malhas cicloviárias mais conhecidas do país. Pedalar pela orla santista já virou quase um patrimônio afetivo coletivo.

Além disso, existe um detalhe importante: Santos é plana – um pouco esburacada, de fato. Mas quem já tentou subir uma rua em cidade cheia de ladeiras, entende o privilégio que isso representa. 

A combinação entre geografia, clima e distâncias relativamente curtas criou um cenário raro no Brasil. Aqui, muita gente realmente consegue substituir o carro pela bicicleta em parte da rotina.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no CENSO de 2022, cerca de 16% da população utiliza esse meio de transporte para se deslocar e 78% pedala 5 vezes por semana. E o número é bem parecido nas outras cidades da Baixada Santista.

Isso impacta diretamente a mobilidade urbana. Menos carros significam menos trânsito, menos poluição e menos tempo perdido procurando vaga. Consequentemente, sobra mais espaço para algo que anda escasso nas cidades grandes: qualidade de vida.

Mas não dá pra romantizar o pedal. A bike também se tornou uma forma barata de mobilidade, a companheira de milhares de trabalhadoras e trabalhadores que trafegam entre avenidas, ruas e até municípios diariamente. 

Nem todo pedal começa com confiança

Existe uma ideia meio torta de que todo mundo nasce sabendo andar de bicicleta com segurança no trânsito. Só que basta observar um cruzamento movimentado para perceber que não é bem assim.

Tem gente que morre de medo de dividir espaço com ônibus. Tem quem nunca tenha aprendido a pedalar. E também existe quem queira usar a bike no dia a dia, mas não sabe por onde começar.

Aqui em Santos o projeto Bike Anjo Litoral SP é literalmente uma mão na roda.

A proposta funciona de forma simples: ciclistas voluntários ajudam outras pessoas a aprenderem a pedalar e circularem pela cidade com mais segurança e autonomia.

Os chamados “anjos” acompanham iniciantes em percursos reais, dão dicas práticas e ajudam quem ainda sente insegurança no trânsito. Tudo de forma gratuita.

Mais do que ensinar técnica, o projeto cria confiança. E confiança muda cidades. Porque quando mais pessoas se sentem confortáveis para pedalar, a rua deixa de ser território exclusivo dos carros.

Sustentabilidade também mora no guidão

Existe um discurso cansativo sobre sustentabilidade que normalmente vem acompanhado de gráficos, culpa coletiva e palavras difíceis.

A bicicleta vai pelo caminho oposto.

Ela transforma um conceito enorme em algo simples: uma escolha diária.

Cada trajeto curto feito de bicicleta reduz a emissão de gases poluentes, diminui o ruído urbano e ocupa menos espaço nas ruas. Pode até parecer pequeno para alguns, mas nenhuma cidade muda apenas com grandes projetos, às vezes duas rodas já são o suficiente para começar uma mudança. 

Além disso, existe outro ponto pouco comentado: a bicicleta aproxima as pessoas da cidade.

Quem pedala percebe comércio local, repara em fachadas antigas, encontra conhecidos no caminho e vive Santos em outra velocidade. A cidade deixa de passar pela janela e volta a acontecer ao redor.

Santos ainda pode pedalar melhor

Claro que nem tudo é perfeito, ainda faltam conexões melhores entre ciclovias. Alguns trechos precisam de manutenção. E muitos ciclistas continuam enfrentando desrespeito no trânsito.

Ao mesmo tempo, Santos segue como referência nacional quando o assunto é mobilidade ativa. Isso não significa acomodação, mas traz uma responsabilidade ainda maior.

Cidades que já incorporaram a bicicleta na própria identidade precisam continuar pensando em acessibilidade, segurança e convivência urbana. Principalmente porque pedalar nunca foi só sobre bicicleta. É sobre o direito de circular pela cidade sem transformar cada deslocamento numa pequena batalha emocional.

No fim das contas, bike é isso. Em um movimento crescente sobre desacelerar em que todo mundo parece sempre atrasado para alguma coisa, pedalar e curtir mais o trajeto vale bastante.

Serviço

Bike Anjo Litoral SP

@bikeanjolitoralsp

Bike Anjo Brasil

Site oficial: Bike Anjo Brasil

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