Praça Mauá: como o coração de Santos mistura memória e modernidade
Conheça um pouco mais sobre esse ícone de Santos
Há um lugar no Centro Histórico que, além de ser ponto de passagem de milhares de santistas todos os dias, funciona como verdadeiro termômetro das transformações que a cidade vivencia. Esse local já testemunhou muita coisa nos quase cinco séculos de existência do município.
Olhar para a Praça Mauá é enxergar diferentes capítulos da história se entrelaçando. Mas não é só nostalgia: a praça segue se reinventando. Ela também vem virando palco de novas iniciativas que instigam quem mora, trabalha ou visita a região.
Sim, estamos falando do quadrilátero onde a arquitetura centenária, diferentes grupos da urbe e o comércio tradicional convivem lado a lado com ações criativas. Essas ações movimentam a rotina do Centro. Venha entender por que a Praça Mauá continua sendo um dos pedaços mais dinâmicos da cidade.
Foto: Semana do Brincar/divulgação PMS
Além dos cartões-postais
Antes de se tornar o ponto de encontros, manifestações e festas de hoje, a Praça Mauá já atendeu por outros nomes e funções. Inicialmente, o espaço tinha o nome de Largo da Misericórdia, depois Largo da Coroação e Largo do Chafariz. Até homenagear, em 6 de outubro de 1887, o visconde de Mauá, considerado pioneiro do empreendedorismo no Brasil. O Marco Distrital foi erguido em 1940 ali pertinho do ponto de ônibus. Isso marca oficialmente o centro geográfico de Santos e ainda serve de referência para os trabalhos topográficos municipsis.
A presença de prédios emblemáticos na região reforça o peso cultural da praça. O Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura, impressiona pela imponência e pela história. São sete andares, cerca de 12 mil toneladas e mais de dois milhões de tijolos erguidos durante a era cafeeira – época em que a cidade expandiu o Centro e se consolidou como núcleo econômico importante do Estado. Quem quiser, pode até fazer tours pelo prédio para conferir detalhes da decoração preservada desde sua fundação.

E você sabia que a Praça Mauá tem uma estátua inspirada pelos jardins do Palácio de Versailles, na França? Pois é, pode reparar na réplica da Nymphe à la Coquille, do escultor Charles Antoine Coysevox, na próxima vez que passar por lá. A original, do século XVII, está no Louvre e a cópia, no Jardim de Versalhes.
Tradicional, mas em movimento
Apesar do ar histórico, a Praça Mauá se esforça para não ficar só no saudosismo. É por lá que vêm acontecendo eventos grandes do calendário santista.
Entre eles, estão o Natal Criativo, Primavera Criativa, Ação do Coração, a Parada LGBT de Santos e o Carnacentro.
Fotos: divulgação/PMS
Recentemente, a praça recebeu melhorias como bancos de granito. Também houve divisão de jardins e a modernização das bancas que ficam ao seu redor, com coberturas novas e infraestrutura para ar-condicionado.
O que tem na Praça
O entorno da Praça Mauá é outro capítulo à parte. Entre ruas como Cidade de Toledo, General Câmara e Dom Pedro II, funcionaram (e ainda funcionam) estabelecimentos que ajudaram a construir a identidade do Centro. Um dos clássicos vivos é o Café Carioca, famoso pelos pastéis servidos desde os anos 1930. Este ponto é parada histórica de figuras que vão de presidentes como Getúlio Vargas até santistas ilustres e artistas. Até hoje, ver a fila no balcão não é incomum.
Ainda por ali, tradicionais casas comerciais e culturais continuam resistindo ao tempo, com destaque para a loja A Musical, queridinha de gerações pelos vinis, CDs, instrumentos e atmosfera nostálgica. Tem também a agência dos Correios, inaugurada em 1924, e o Edifício Travessia, que já abrigou escritórios icônicos, passando nos últimos anos a concentrar parte dos serviços administrativos da Prefeitura, como a Sala do Empreendedor.
Entre outras marcas de épocas mais recentes estão Lojas Americanas, Marisa, a antiga Lojas Brasileiras, Copiadora Mauá, além da Delegacia da Polícia Federal, cuja presença reforça o movimento de revitalização no centro histórico.