Ludmilla Rossi
Texto porLudmilla Rossi
37 anos - Santos

Ilha Diana – a ilha que os santistas não conhecem

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Num refúgio tipicamente caiçara, comunidade vive a poucos minutos do Centro Histórico de Santos (SP), umas das principais cidades da atual economia brasileira

Localizada entre o canal de Bertioga e o rio que lhe empresta o nome, a Ilha Diana é um pedaço de terra parcialmente isolado do mundo urbano, mesmo estando próxima do maior complexo portuário da América Latina, onde é movimentado cerca de 60% da balança comercial brasileira. O lugar começou a ser habitado na década de 40, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Seus habitantes deixaram o vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST.

Hoje, vizinha do gigante Porto de Santos, a comunidade da Ilha Diana é uma das últimas colônias de pescadores da Região Metropolitana da Baixada Santista. Vivem nela 174 pessoas, distribuídas em 47 famílias (68 homens, 64 mulheres e 42 crianças e adolescentes). Seus moradores se conhecem por apelidos e conservam tradições como a pesca artesanal e a fé religiosa em Bom Jesus da Ilha Diana. É comum terem os mesmos sobrenomes, pois a maioria da população é oriunda das famílias Gomes, Hipólito, Quirino e Souza. Foram as primeiras a deixar a Vila da Bocaina e a povoar o vilarejo mais próximo. A nova comunidade deu origem a um dos bairros mais isolados do município. Localizado na Área Continental de Santos, poucos santistas sabem que o lugar existe e que pertence a sua cidade natal.

É um refúgio especial, que fica distante apenas 20 minutos do Centro Histórico, onde estão sediadas empresas, grandes corporações, roteiros turísticos e a Prefeitura. Mesmo assim, a Ilha Diana sofre com problemas de infra-estrutura e carece de uma política de saúde, educação e preservação ambiental. Para os visitantes, ela se encaixa como um recanto exótico. Os moradores consideram sua terra um paraíso sem igual.

O suplemento especial “Ilha Diana – Navegar é preciso…. O cotidiano e as dificuldades de um dos últimos vilarejos caiçaras da cidade de Santos” nasceu acreditando no trabalho de fôlego e criterioso da grande-reportagem, com o objetivo de fazer um raio-x dentro de uma comunidade isenta da correria e violência comuns nos centros urbanos. Foram dez visitas ao lugar, durante dias e noites. No decorrer da reportagem observou-se que as autoridades públicas e o empresariado querem ajudar a comunidade, mas o esforço feito até o momento tem sido pouco para atender suas necessidades e demandas.

A expectativa é de que com a publicação deste trabalho, a comunidade da Ilha Diana consiga avançar para a melhoria da sua qualidade de vida e divulgação de sua gente, costumes e tradições, tão pouco conhecidos do restante dos santistas. Só não temos certeza se depois da construção de um terminal portuário ao lado do vilarejo, o lugar continuará sendo um refúgio tipicamente caiçara, repleto de tranqüilidade, paz e união. Será que o mundo moderno, agitado e desenvolvido tomará conta do lugar?

Apesar desta dúvida, o povo da Ilha Diana ainda é o melhor cartão postal do vilarejo. São caiçaras simples, que tratam a todos com muita hospitalidade, respeito e admiração. Não se negam em oferecer um prato de comida para seus visitantes ou, até mesmo, uma cama para dormir se o último barco já partiu do lugar.

Sendo assim, embarque nessa viagem e seja bem-vindo à Ilha Diana!

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Texto por Marcelino Silva
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