Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

Kiko Zambianchi Acústico

Kiko Zambianchi é um cara versátil. Tanto se dá bem com os instrumentos elétricos como com os acústicos.

Prova disso está no ótimo disco acústico, registro de um show ao vivo gravado em Ribeirão Preto, sua terra natal, em que traz os hits mais conhecidos e algumas canções novas, além de repaginar outras menos conhecidas do grande público.

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Para quem não conhece, Kiko Zambianchi integra o time de músicos do rock nacional originados na década de 80.

Injustamente, acabou não mantendo um intervalo mais curto entre seus lançamentos. E isso se deve ao fato de seu temperamento artístico inquieto, incapaz de se acomodar em uma receita pop pré-fabricada.

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Nesse trabalho acústico, gravado ao vivo no Teatro Pedro II, Kiko está muito à vontade tocando novas canções como Luas e Luas e Bom Dia, além de trazer outras que estavam escondidas em seus álbuns de estúdio, como Mais Uma Folha No Chão e Quadro Vivo, ambas gravadas logo depois do estouro de Primeiros Erros (que, logicamente, encerra o show e esse disco).

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A banda Capital Inicial participa de duas faixas (Mais e Como Devia Estar), uma retribuição justa pela ótima participação de Kiko no álbum Acústico MTV da banda, que foi um grande sucesso comercial no fim dos anos 90.

Há uma sinergia interessante entre o rock do Capital e a saudável rebeldia musical de Kiko.

O disco tem, ainda, Manchas e Intrigas, feita sob encomenda para o Tremendão Erasmo Carlos nos anos 80, Tudo É Possível (hit da banda O Surto) e as também clássicas Rolam As Pedras e Eu Te Amo Você, esta última um hit radiofônico bem conhecido da cantora Marina Lima.

Kiko é um músico completo. Além de compor melodias de fácil apelo pop, consegue escrever letras que traduzem imagens coletadas no seu dia a dia, que podem ser identificadas por qualquer um.

Experimente ouvir Rolam as Pedras e preste atenção nas mensagens contidas nos versos, como, por exemplo, “Tudo está tão certo/Que parece errado/É onde não consigo me achar/Luzes da verdade, na realidade/Sempre estão mudando de lugar”.

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Em Mais Uma Folha do Chão, há um sentimento de melancolia que, ao mesmo tempo, te traz para a realidade.

Havia tudo no rio pra levá-lo pro mar/Havia tudo no céu pra ave navegar/Havia tudo na luz que se tentasse enxergar/Mas, não havia lugar pra esse amor chegar/E lá se vai mais uma folha no chão/Ela se vai e o outono nem começou”

Esse trabalho merece uma atenção maior da mídia – sobretudo por trazer luz à obra de um dos nomes mais talentosos da chamada Geração 80 do rock nacional.

Seja acústico ou seja elétrico, Kiko Zambianchi é sempre genial.