Texto porCarolina Zuppo Abed

3 dicas infalíveis para ser um escritor

“Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas.”

Quem disse isso foi o escritor britânico W. Somerset Maugham. De todas as máximas sobre escrita que já li, talvez essa seja a mais útil. Porque é isso: não vai ter receita de bolo que faça de você um escritor.

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Não tem jeito: vai ser difícil e ninguém vai poder te dar uma fórmula mágica. Desconfio de manuais que prometem o contrário. Mas – e a ansiedade, e a necessidade de um direcionamento? Penso que os melhores conselheiros sejam escritores mais experientes que nós. Eles não apontarão uma rota, mas podem ajudar a lidar melhor com a própria falta de direção.

Então calma: esse texto não é propaganda enganosa. Vamos ver três dicas de autores consagrados que podem ajudar escritores iniciantes a refletir sobre a própria escrita. 

Dicas para ser um escritor

  1. “Caminhante, não há caminho; se faz o caminho ao andar.” – Antonio Machado, poeta espanhol

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A escrita é um caminho de dentro para fora. O mais importante de um bom escritor é aquilo que só ele tem a oferecer para a literatura. E o que seria isso? Um olhar, uma imagem, uma vivência – a gente só vai descobrir fazendo.

Escrever tem a ver com experimentação, com exploração de limites; é natural que não haja caminhos pré-fabricados. O que funciona pra um não funciona pra outro e o que funciona agora não funciona depois.

Na escrita, nós só conseguimos saber para onde estávamos indo quando chegamos lá. Então a gente vai indo e vendo onde dá. O primeiro passo é pegar o lápis, o papel e… E?

  1. “Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias.” – Pablo Neruda, poeta chileno

Simples assim, né? Só que não. Escrever pode até ser fácil, comunicar é que é difícil. Criar um jogo de linguagem que gere o efeito desejado no leitor é mais difícil ainda. E, se vamos por aí, nos emaranhamos numa série de empecilhos que são uma beleza para fazer travar o lápis.

Dificuldades não vão faltar na hora de criar um texto. Se nos apegarmos apenas a elas, não saímos do lugar. O que a frase de Neruda nos faz pensar, e que é sempre bom lembrar, é que escrever não precisa ser um bicho de sete cabeças. Muitas vezes, o que nos complica é nossa autocrítica, a pressão de ficar bom logo de cara. Spoiler alert: não vai rolar.

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  1. “Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil.” – Jorge Luis Borges, contista argentino

Ouça o amigo Borges: a parte difícil é escrever. Então que tal se livrar logo dela e começar de uma vez? Ninguém vai te ensinar como fazer. Não vai ficar bom logo de cara. Você vai reescrever muitas, mas muitas vezes. O truque? Não se apegar demais às suas próprias palavras.

Corrigir, alterar, acrescentar, cortar: tudo isso faz parte do trabalho com o texto. Acredite: nenhuma obra nasceu pronta, o resultado final é sempre um produto do esforço contínuo em busca da forma perfeita. Mas isso não tem que ser um peso, pelo contrário, é mais um motivo para não se preocupar demais na hora em que sentar para escrever.

Tudo é corrigível, tudo é modificável. Faz parte do trabalho do escritor. Evoco os versos iniciais do poema Catar feijão, de João Cabral de Melo Neto, como prova inconteste:

Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar

e as palavras na folha de papel;

e depois, joga-se fora o que boiar.

Escrever, então, é isso: uma busca por um caminho que não existe, guiada por uma mão que não controla o que faz, livre de autocrítica a princípio e muito rigorosa ao final.