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Dá para encontrar um amor em Santos depois dos 50?

Porque a verdade é que as borboletas no estômago não se aposentam aos 50, 60 ou 70 anos. Elas continuam trabalhando normalmente

Tempo de leitura: 7 minutos

Nessa época do ano bate uma vontade de viver um romance, né? Tem Dia dos Namorados, logo em seguida o Dia de Santo Antônio (o famoso casamenteiro), somado ao clima de festa junina e o frio que pede uma conchinha (e vamos normalizar o homem ser a conchinha menor também).

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Muita gente já está na casa dos 50 anos mas com o coração vazio. Pessoas que passaram os últimos anos criando filhos, construindo carreira, cuidando de tudo e de todos, menos de si. Já passaram por casamentos e divórcios. Agora, com mais de 50, sentem falta de alguém para dividir as próximas decisões, as próximas viagens, os próximos sábados – e por que não? – as próximas madrugadas.

A boa notícia é que as borboletas no estômago não têm prazo de validade. Você está mais velho mas não está morta nem morto. A geração que dançou Cazuza pode ter esquecido de sua época de poeta apaixonado e se desiludiu com o tempo. Mas nunca é tarde para encontrar o amor.

Claro que também não adianta esperar ele bater na porta. É preciso sair para achá-lo. De salto alto ou tênis confortável, tanto faz, desde que o banho esteja tomado.

Em Santos, a cidade ajuda. Os cenários estão montados, a trilha sonora também, e a única coisa que falta é alguém topar ser o protagonista.

No Centro, a noite é uma criança

O Cadillac Music Bar (Rua São Bento, 50 – Centro Histórico) tem noites de flashback, lembrando a era de ouro das discotecas. O flerte acontece olho no olho, ao som de músicas que todo mundo sabe cantar. Além disso, o clássico passinho já resolve metade do trabalho e ainda dá um motivo perfeito para se aproximar e falar “me ensina a dançar essa?”.

Não tem aplicativo que substitua aquela troca de olhar na pista enquanto toca uma música que os dois viveram na mesma época. É quase uma prova documental de compatibilidade, tipo certidão de nascimento emocional, com direito a química física incluída.

E a região do Centro não para por aí. Para quem prefere a boemia clássica, o centenário Café Carioca, na Praça Mauá, é o ponto de partida perfeito para um chopp com pastel e aquela espiada disfarçada em quem passa.

Se a ideia é colocar o corpo para jogo, o Aqui é Favela (Rua Marques de Herval, 28), atrai uma galera que não nega uma boa roda de samba. E convenhamos, ninguém resiste a alguém que sabe sambar de verdade, principalmente quando o samba exige proximidade.

Logo ali perto, o Nosso Bar History (Rua Gonçalves Dias) mistura pagode, bons drinks e aquele clima de “vamos ver no que vai dar”, sem compromisso e sem pressa. Vale ficar de olho nas redes sociais deles para não perder a programação da semana.

Música ao vivo, brisa do mar e aquele clima de filme

Se a vibe é um flerte à luz do dia, ou no começo da noite, com a vista da orla, a cidade entrega cenários gratuitos que parecem cenário de cartão postal romântico. O Chorinho no Aquário, na Praça Luiz La Scala, acontece todo sábado e é parada obrigatória para casais e solteiros 50+ que curtem boa música instrumental ao ar livre e um clima agradável para puxar um papo. Leve sua cadeira de praia e prepare sua melhor cantada.

E, ao longo do ano, vale acompanhar o calendário do Santos Jazz Festival, que ainda não tem data confirmada mas acontece sempre em julho. Durante a temporada de cruzeiros, a cidade também tem os finais de tarde do Santos Sunset, que transformam pôr do sol em pista de socialização.

O Sesc não é pra quem está parado

O Sesc Santos (rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida) é conhecido por atrair uma galera 50+ antenada, intelectual e ligada em cultura. O flerte ali é mais sutil, quase clandestino: começa na fila da comedoria depois de uma peça. Depois, continua numa conversa de canto depois de uma oficina, e às vezes termina com os dois decidindo o que vão fazer em seguida juntos.

É o tipo de relacionamento que começa com “o que você achou do final?” e pode terminar em viagem marcada para o próximo mês, sem pressa e com muito papo. Além dos espaços que favorecem o encontro no dia a dia, a programação do Sesc costuma trazer bailes e shows pensados para um público mais velho. Portanto, é um ótimo pretexto para sair e conhecer gente nova.

Os bailes da cidade

O Baile na Praia, aos domingos na Fonte do Sapo, é uma instituição santista. A galera vai arrumada, a dança dita o ritmo e o convite para um bolero ainda é, possivelmente, a cantada mais eficiente. Sem algoritmo, sem match, sem foto de perfil duvidosa, só a coragem de atravessar a pista e estender a mão.

A vida social real de Santos também acontece fora da orla. A Zona Noroeste tem tradição forte de bailes aos domingos, e mesmo com os eventos do Centro Cultural da Zona Noroeste temporariamente suspensos por reformas. Ainda assim, a comunidade 50+ da região continua se movimentando com uma energia, vaidade e disposição que envergonham muita balada de vinte e poucos anos.

Aprender algo novo (e talvez se apaixonar no processo)

Às vezes, o melhor jeito de conhecer alguém é dividindo o mesmo interesse ou objetivo de vida. A Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartholomeu de Gusmão, 15 ), já é um convite ao romance por si só. Porém, os cursos práticos, palestras e sábados musicais com cardápio do bistrô local são perfeitos para criar um clima de forma natural.

Essa busca por movimento e reinvenção também ferve no ambiente acadêmico. A São Judas Unimonte (rua Comendador Martins, 52), por exemplo, oferece a Bolsa Maturidade para quem quer voltar a estudar nessa fase da vida. Eles dão 50% de desconto para quem tem de 50 a 59 anos e 60% de desconto dos 60 pra cima.

Além disso, a instituição tem projetos como a Feira Empreender 60+, que transforma a experiência dessa galera em renda extra e cria uma rede de contatos vibrante.

Na mesma linha, as Vilas Criativas da Prefeitura, espalhadas por vários bairros, oferecem oficinas gratuitas que funcionam como ótimos catalisadores de novas amizades, e às vezes de algo mais.

Os amantes de leitura encontram oásis também no parklet da Realejo Livros, onde dá pra sentar pra conversar sobre os clássicos e lançamentos das prateleiras.

Buscar aprender coisas novas quase sempre abre portas para conhecer pessoas novas também, desde que exista disposição para sair da própria bolha.

Do balcão ao tamboréu: o charme do dia a dia

Para quem gosta do flerte à moda antiga, a cultura de balcão em Santos resiste bravamente. O espírito dos papos longos com uma boa bebida clássica continua vivo nos bares da cidade.

A própria praia funciona bem quando a noite não é a sua vibe. Os grupos de esportes de areia logo cedo, do tradicionalíssimo tamboréu santista ao beach tennis e às equipes de canoa havaiana, reúnem uma comunidade 50+ com a endorfina em dia.

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

A vida está passando e a cidade inteira está conspirando a favor. Os palcos estão montados, a trilha sonora é boa e tem gente com o mesmo frio na barriga esperando em vários lugares diferentes. Talvez até mais perto do que você imagina, e talvez disposto a ficar até mais tarde do que planejou.

Encarar o amor maduro como escolha consciente, feita por alguém que já sabe o que vale a pena, muda o jeito de sair de casa. E muda também, com sorte, o que acontece depois da meia-noite.

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