14/04/2018 Por Daniel Cid Cinema

Um Lugar Silencioso: Tudo o que Cloverfield deveria ser e não foi

O mundo da ficção é recheado de monstros para todos os gostos.

Temos os galhofas, que parecem fantasia de vendedor de algodão doce. Os animatrônicos muito bem produzidos, os não tão bem produzidos, em computação gráfica e os humanos, aqueles que não aparentam ser monstros, até enxergarmos suas almas.

Destes todos, os meus preferidos, são aqueles que não dão apenas susto, mas sim que a ideia de sua presença, já arrepiei só de pensar.

Neste sentido, as criaturas de Um Lugar Silencioso, cumprem muito bem o seu papel.

Um-Lugar-Silencioso

Na trama, descobrimos que a sociedade humana foi praticamente dizimada por monstros cegos (isso mesmo, qual o preconceito com os monstros deficientes visuais?!). Por isso, as pessoas que sobreviveram, aprenderam a viver em total silêncio.

Nós descobrimos este universo, ao acompanhar a vida de uma família buscando sobreviver a todo este caos. Lee (John Kasinski, que também roteiriza e dirige o filme) e Evelyn (Emily Blunt), como marido e mulher na trama, precisam cuidar de seus filhos, Regan (Millicent Simmonds) e Marcus (Noah Jupe).

Apesar de muitas pessoas dizerem que é fácil interpretar sem precisar falar, eu acredito que a falta de um sentido como este, torna a atuação extremamente difícil. Quando falta uma ferramenta importante como a fala, os atores precisam mexer com nossa empatia, apenas com suas expressões, olhares e ações.

E este é um dos pontos fortes do filme, a atuação da família expressa toda a angústia daquela situação, onde o mero som de uma latinha amassando, pode significar a sua morte!

Destaque para Millicent Simmonds, que além de interpretar uma personagem surda, tem deficiência auditiva na vida real.

um lugar silencioso

Fazendo um curioso paralelo com a vida real, o jeito que Lee (Kasinski), tenta proteger sua filha, a impedindo de fazer coisas, cai muito com a superproteção ou desconfiança imposta para as pessoas com deficiência, que muitas vezes são inibidas de fazerem coisas que a família ou sociedade, acham que elas não são capazes. Mas no caso desse filme, uma pessoa sem percepção sonora, pode fazer grande estrago em um mundo onde qualquer barulho é mortal.

Outro ponto que merece destaque: a parte de mixagem e edição de som. Os caras conseguiram tornar o silêncio, algo angustiante do começo ao fim, além de os  pequenos barulhos (imperceptíveis em outros filmes) ganharem uma incrível intensidade.

Por isso, recomendo que assista Um Lugar Silencioso em uma sala de cinema que preze pelo áudio, será uma outra experiência para você!

Digno de ter saído das páginas de H.P Lovecraft,  Stephen King ou de algum bom filme do M. Night Shyamalan (eles existem, eu juro).

Aqui temos monstro? Temos sim!

Temos suspense? Ô se temos!

Assusta? Eu acho que você deveria trocar aquela bebida gasosa que tanto ama, por um suquinho de maracujá, enquanto assiste ao filme!

Exatamente por tudo isso, estou escrevendo sobre Um Lugar Silencioso e não sobre a franquia Cloverfield.

Apesar de muitas pessoas terem suposto que este filme entraria para a franquia do Campo de Trevo. Os produtores de Um Lugar Silencioso já nos tranquilizaram, falando que isso não irá acontecer.