Santos formou a chef que comanda a cozinha mais desejada de Fernando de Noronha
Formada pela São Judas Unimonte, a chef santista Sabrina Costa uniu raízes caiçaras e nordestinas para comandar a cozinha do Benedita, em Fernando de Noronha, ao lado de uma filha de um ano.
No quintal de casa, na Baixada Santista, tinha coentro plantado, feijão sendo debulhado à mão e um pai que sempre chegava com peixe fresco. Foi ali, muito antes de qualquer estágio ou diploma, que Sabrina Costa começou a virar chef.
Hoje, ela é a chef executiva da cozinha do Benedita, restaurante do grupo do chef Dario Costa em Fernando de Noronha. E carrega Santos inteira dentro de cada prato que sai da brasa.

Uma escola sem nome, dentro de casa
Sabrina nasceu em Santos, mas cresceu comendo dois Brasis ao mesmo tempo. O pai, caiçara, vivia da pesca. A mãe, pernambucana, fazia leite de coco do zero e temperava tudo com a força do Nordeste.
Não existiam receitas escritas naquela cozinha. Existia tempo, ingrediente fresco e um jeito de cozinhar que se aprende observando, não lendo.
Essa base ainda aparece em cada prato que ela assina.
Da bolsa de estudos ao primeiro estágio
Virar chef era sonho, não plano. Para custear a faculdade de Gastronomia na São Judas Unimonte, Sabrina trabalhou como vendedora até conquistar uma bolsa de 50%.
Foi na universidade que ela conseguiu o primeiro estágio em uma cozinha profissional. Ali, entendeu que gastronomia é tanto disciplina quanto talento. E também é gestão, liderança e decisão sob pressão.
A formação em Santos virou a base de tudo que veio depois.
De Santos para uma ilha, com uma filha de colo
Antes de Noronha, vieram o Madê e o Paru, restaurantes onde Sabrina cresceu como cozinheira e como líder ao lado de Dario Costa. Foi onde ela ganhou confiança para o próximo salto.
Quando a proposta para liderar o Benedita chegou, sua filha tinha um ano. Sabrina foi sozinha com a criança para a ilha, assumindo ao mesmo tempo maternidade recente e a liderança de um restaurante inteiro.
Houve medo e muita dúvida. Mas também houve rede de apoio, e isso fez toda a diferença, como ela mesma assume.
“A maior lição que podemos dar aos nossos filhos é o exemplo. Fazer por si mesma também é fazer por eles”, diz Sabrina, recusando o rótulo fácil de mulher guerreira.
O prato que é a cara dela
No cardápio do Benedita, o filé de peixe com feijão-verde carrega a história inteira de Sabrina. O peixe vai para a brasa. O feijão assa no forno a lenha com castanha de caju e muito coentro. Por cima, um molho de moqueca fecha o prato.
É a memória do pai na pescaria e a da mãe temperando o molho. É a família debulhando feijão ao redor da mesa, contando histórias que ninguém escreveu, mas que ninguém esquece.
Uma cidade que viaja junto
Sabrina estudou, trabalhou e se formou como chef em Santos. Hoje sonha em fortalecer sua identidade na cozinha e inspirar outras mães que também querem crescer profissionalmente sem abrir mão de quem são.
A cidade onde a gente cresce não fica para trás. Ela viaja junto, às vezes até dentro de uma panela em Fernando de Noronha.