Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos
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Um avião na orla de Santos

Sempre que a gente imagina como eram as coisas há décadas atrás, temos uma imagem meio estereotipada, né?

Nada de tecnologia e carros diferentes e um pouco de monotonia que as imagens em preto e branco imprimem. Pois bem, em 1958, a orla santista ostentava aviões de aluguel (vai vendo!).

Eu já tinha ouvido minha avó falar algo sobre isso uma vez, mas achei que ela estava exagerando e não dei muito ibope. Até que a história voltou à minha vida, ou melhor, ao meu feed do Facebook.

A imagem é bem curiosa: um hidroavião parado na faixa de areia da Ponta da Praia, em frente ao Aquário.

aviãoImagem: Marcelo Gil

Alguns minutos de dedicação no Google me fizeram descobrir que trata-se do modelo Republic RC-3 Seabee serie 457. O equipamento era do capitão-aviador Herbert Cukurs, que veio da Letônia para o Brasil, fugindo da II Guerra Mundial.

Antes de voar por aqui, o aviãozinho ficou por um tempo no Rio de Janeiro, cidade que havia sido escolhida inicialmente por Cukurs. Acontece que ele foi acusado de nazismo por não querer um sócio em seu negócio (!?). Depois de provar sua inocência, decidiu se mudar.

Foi ai que ganhamos um avião na orla de Santos.

“No começo, era uma atração, as crianças queriam ir ver e até nós que já éramos mais velhos achávamos bacana. Só não vou saber te dizer como era o passeio panorâmico. Não era barato e nós nunca fizemos mais do que admirar o avião em terra, que era lindo”, lembra minha avó.

Vale lembrar que foi o Cukurs que trouxe esquis aquáticos para o Brasil e inventou os pedalinhos – o cara era gente boa!

A estada por Santos durou até que um passeio mais longo fez com que ele pousasse na represa de Santo Amaro, em Guarapiranga. Aí ele se mudou de novo, ficou ali pela Riviera. Depois disso, o capitão tentou se naturalizar brasileiro, mas teve o pedido negado e se mudou para o Uruguai, onde foi encontrado morto de forma brutal 🙁

O assassinato foi assumido por um grupo (supostamente neonazista), intitulado Aqueles que não esqueceram.