Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 24 anos - Santos

Vassouras Limpet: consumo consciente e geração de renda

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Voltando para a casa de sua mãe, onde vive junto também seu filho, Vera Nilsa de Jesus observou uma grande quantidade de garrafas pets descartas de forma errada, ali na rua mesmo, no bairro do Valongo (área central de Santos).

Ela descobriu que poderia ajudar o meio ambiente e ainda complementar sua renda mensal fazendo vassouras de garrafas pet.

LIMPET

A consciência ambiental da dona Vera fez com que ela se unisse a outros cooperados do projeto Vassouras Limpet que, desde 2004, transforma embalagens de refrigerante, água, energético e outras bebidas em vassouras ecologicamente corretas.

“Essa iniciativa é da Ordem Franciscana Circular. Nosso objetivo é gerar renda para as pessoas carentes e ajudar o meio ambiente”, conta Silvania Aparecida, coordenadora do projeto, enquanto tenta arrumar uma das maquinas do galpão.

Por ali, centenas de garrafas esperam para passar pelo sistema de transformação. Entra o que era lixo, saem três tipos de vassouras diferentes (original, casa e gari).
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O serviço é dividido entre 8 cooperados.

Primeiro, dona Nilsa corta as garrafas e as joga num balde, para higienização. Depois, outro corte é feito, agora para transforma-las em fios, que em seguida são enrolados, amarrados e cortados novamente. Por fim, são prensados ao suporte da vassoura.

Ajuda dos universitários

Todo o processo dura cerca de 29 minutos, para vassouras gari e 15, para as demais. “Nós tiramos o valor gasto com o material e o resto é divido entre os cooperados. Ao fim do mês, cada um retira algo próximo a R$ 180”, continua Silvania, que ainda tenta arrumar a máquina.

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A produção é de cerca de 400 vassouras mensalmente, mas tudo indica que deve aumentar em breve. Isso porque alunos de Engenharia da Produção da Unimonte montaram um projeto para a cooperativa melhorar a produtividade.

Apesar de ainda estarem em andamento, as mudanças já são evidentes. Dona Nilsa conta que seu trabalho é feito muito mais rápido, assim como o de suas companheiras, que tiveram os equipamentos restaurados e ganharam novas máquinas.

“Eles mudaram o telhado e agora temos iluminação natural, o que é ótimo. Além disso, estão montando um layout para a produção ser contínua, o que vai trazer agilidade e menos cansaço para nós”,  comemora Silvania.

Sobre a máquina, que insiste em não funcionar, ela comenta “seria legal se outros universitários fizessem esse tipo de trabalho por aqui, alguém que entenda de mecânica nos ajudaria agora, somos todas mulheres e de terceira idade, às vezes complica”.

Doações

Para que o trabalho seja feito, um material obviamente não pode faltar, que são as garrafas. Além do que elas conseguem no bairro, as doações são muito importantes. “O pessoal da coleta seletiva não traz nada pra gente, isso tudo é separado por que quem conhece o trabalho. Quando é grande quantidade, a gente dá um jeito de ir buscar”.

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A senhora Ligia Maxta, de 69 anos, é uma cliente assídua. Chegou com o porta malas do carro cheio de garrafas, que separou no condomínio, e levou outra sacola de vassouras.

“Eles usam essas vassouras no condomínio que eu morava, vi que duravam muito e me informei sobre. Acho um trabalho ótimo, por que os santistas têm mania de ignorar o lixo limpo, mas tem que separar!”, comenta a senhora, enquanto retira as sacolas do carro. “Me mudei e no prédio novo eles não separam nada, já estou enchendo a paciência do sindico, vou até dar uma vassoura pra ele, quem sabe assim ele concorda e começa a dar importância, né?”.

A equipe da Vassouras Limpet torce para que isso aconteça.

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Além da venda no varejo (R$ 10 a vassoura original ou a casa e R$ 12 a gari) elas ainda fornecem para lojas de material de limpeza, como a H. Fernandes Distribuidora de material de limpeza (R. Paraná, 280, Vila Belmiro) e a Pro Limp Produtos de Limpeza (R. Dr. Carvalho de Mendonça, 451).

A sede da Vassouras Limpet fica na Rua Marquês Herval, 14, Valongo.