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Praia Grande faz 59 anos com muito a comemorar e ainda mais a conquistar

É hora de parar de sonhar com o futuro e cuidar do presente

Tempo de leitura: 4 minutos

Uma jovem cidade com um potencial enorme. Essa é Praia Grande que, no dia 19 de janeiro, comemora mais um aniversário de emancipação político-administrativa.

São 59 anos desde aquele 19 de janeiro de 1967, quando finalmente conquistou sua autonomia depois de uma luta que começou bem antes, lá nos anos 1950, com pioneiros como Julio Secco de Carvalho, Oswaldo Toschi e Hilário Torloni.

www.juicysantos.com.br - Praia Grande faz 59 anos com muito a comemorar e ainda mais a conquistarFoto: Prefeitura de Praia Grande/ Renato Cobel

A história é bonita: do plebiscito de 1963 com impressionantes 680 votos favoráveis entre 707 eleitores, passando pelo revés da Prefeitura de São Vicente que tentou barrar a emancipação, até a vitória final no Supremo Tribunal Federal em 1966. Aqueles emancipadores sabiam exatamente pelo que lutavam: uma cidade autônoma, capaz de decidir seu próprio destino.

Os números impressionam

E o crescimento veio. Hoje, Praia Grande ostenta números que fariam os pioneiros se orgulharem: são 365.577 habitantes, a segunda maior população da Baixada Santista, ficando atrás apenas de Santos. Desde o último Censo do IBGE em 2022, a cidade ganhou mais de 15 mil novos moradores. Ou seja, já é a que mais cresce na região.

No turismo, então, os números beiram o surreal. Eleita pelo Ministério do Turismo como a quarta cidade que mais recebe visitantes no país durante o verão, Praia Grande fica atrás apenas de gigantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Foram quase 2 milhões de turistas no Réveillon de 2025.

O skyline mudou completamente. Prédios residenciais brotam por todos os cantos, moldando uma paisagem que há algumas décadas seria irreconhecível para aqueles caiçaras que puxavam suas redes de pesca enquanto Sá Lopes trazia visitantes com histórias de baleias imaginárias.

Mas e quem mora aqui?

O problema é que cidade não se faz só de arranha-céu, areia e mar. E é aí que mora a questão: Praia Grande precisa urgentemente parar de se vender como a “cidade do futuro” e começar a cuidar da cidade do presente.

Porque enquanto os números do turismo impressionam e o mercado imobiliário ferve, quem realmente vive aqui no dia a dia sente na pele as lacunas que o crescimento acelerado deixou para trás. Faltam opções de lazer que não sejam apenas a praia. Falta infraestrutura de saúde que dê conta da demanda crescente. Faltam equipamentos culturais, espaços de convivência, áreas verdes bem cuidadas.

Praia Grande cresceu rápido demais e, em muitos aspectos, cresceu torto. A cidade virou um dormitório gigante com cara de resort sazonal. Espetacular para quem passa um fim de semana, insuficiente para quem passa a vida toda.

O legado dos emancipadores

Aqueles que lutaram pela emancipação não queriam apenas se separar de São Vicente. Eles queriam autonomia para construir uma cidade melhor, com recursos próprios direcionados para as necessidades locais. É exatamente isso que falta agora: direcionar o olhar e os investimentos para as necessidades reais de quem chama Praia Grande de casa.

A caminhada dos Emancipadores que acontece toda segunda-feira de janeiro serve de lembrete: a luta não acabou em 1967. Ela continua, só que agora o desafio não é mais se separar de outro município, mas garantir que o crescimento venha acompanhado de qualidade de vida.

Aos 59 anos, Praia Grande tem muito a comemorar. Mas também tem muito a fazer. E quanto antes a cidade entender que o futuro se constrói cuidando bem do presente, melhor para todos os 365 mil praiagrandenses que não estão aqui apenas de passagem.

Feliz aniversário, Praia Grande. Agora, mãos à obra.

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