Praia Grande amplia programa Praia Acessível e garante acesso ao mar para todos
Iniciativa dobra número de polos e leva equipamentos especiais para quatro pontos da orla durante o verão de 2026
O sol escaldante do verão, a brisa marinha e a sensação refrescante das ondas formam o cenário perfeito da praia. Para muita gente, isso faz parte da rotina. No entanto, para milhões de brasileiros com deficiência ou mobilidade reduzida, esse mesmo cenário ainda parece distante. Afinal, a areia fofa costuma virar um obstáculo quase impossível de atravessar.

Foto: Prefeitura de Praia Grande/Fred Casagrande
É justamente essa realidade que Praia Grande decidiu enfrentar. Por isso, no verão de 2026, a cidade ampliou de forma significativa o programa Praia Acessível. Agora, o número de pontos de atendimento dobrou, passando de dois para quatro polos espalhados pela orla. A iniciativa, em funcionamento desde 31 de dezembro, vai além de uma política pública. Na prática, ela reconhece que o lazer à beira-mar é um direito e não um privilégio.
Democratizar é garantir dignidade
A praia ocupa um papel central na cultura brasileira. Além de espaço de lazer, ela representa convivência, descanso e contato com a natureza. Quando esse acesso não existe para pessoas com deficiência, o problema deixa de ser conforto. Passa a ser exclusão.
Segundo dados do IBGE, cerca de 18,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Desse total, muitos enfrentam limitações de mobilidade. Assim, praias sem estrutura adequada se transformam em territórios proibidos. A areia dificulta o deslocamento e a falta de equipamentos mantém essas pessoas longe do mar.
Nesse contexto, programas como o Praia Acessível não são concessões. Pelo contrário, funcionam como correções necessárias de uma dívida histórica. Garantir acesso à praia significa reconhecer que todos têm o direito de sentir a água do mar, independentemente de suas condições físicas.
Quatro polos para um verão inclusivo
Durante todo o mês de janeiro, o programa opera em quatro arenas do Estação Verão Praia, funcionando diariamente das 9h às 17h:
- Estação Guilhermina: Avenida Presidente Castelo Branco, entre a Rua Leblon e Praça Lions
- Estação Tupi: Avenida Presidente Castelo Branco, entre as ruas Tupi e Potiguares
- Estação Mirim: Avenida Presidente Castelo Branco, em frente à Rua 31 de Março
- Estação Real: Avenida Presidente Castelo Branco, entre as ruas Primavera e Flórida
O principal recurso do programa são as cadeiras anfíbias. Esses equipamentos permitem circular tanto na areia quanto dentro do mar. Diferentemente das cadeiras de rodas convencionais, elas possuem rodas largas e flutuadores. Assim, garantem estabilidade, segurança e autonomia durante o banho.
Além disso, o serviço é totalmente gratuito. Isso elimina barreiras financeiras e amplia o alcance da iniciativa. Outro ponto importante é a presença de monitores treinados. Eles oferecem apoio constante e garantem um atendimento humanizado.
Como participar
O acesso ao programa é simples. Basta comparecer a um dos polos durante o horário de funcionamento. No local, o usuário preenche uma ficha cadastral com o auxílio dos monitores. É necessário estar acompanhado por alguém que ajude durante o banho de mar. No caso de menores de idade, a presença de pais ou responsáveis é obrigatória.
Dependendo do movimento, a mesma pessoa pode utilizar o equipamento mais de uma vez no dia. Dessa forma, o banho de mar não precisa ser único nem apressado.
O direito ao mar
Garantir que todos possam entrar no mar carrega um forte simbolismo. Afinal, o oceano não faz distinções. As barreiras existem porque a sociedade as constrói.
Por isso, a ampliação do programa, de dois para quatro polos, mostra que políticas de acessibilidade podem evoluir quando existe decisão política. Embora o Brasil tenha mais de 7.400 quilômetros de litoral, poucas cidades oferecem estrutura adequada para pessoas com deficiência.
Nesse sentido, o Praia Acessível funciona como exemplo. Ele mostra que inclusão acontece na prática. Acontece com equipamento funcionando, monitor presente e cadeira disponível. Acontece quando alguém com deficiência sorri ao sentir o mar pela primeira vez.
Neste verão de 2026, Praia Grande reafirma um princípio básico. A praia é de todos. E, nesse caso, “todos” não deixa ninguém de fora.
Fonte: Prefeitura de Praia Grande