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Lapidari Companhia de Dança coloca Praia Grande no topo

Companhia conquista o prêmio de Melhor Grupo no Festival de Dança de Joinville e mostra como a formação local pode levar bailarinos aos grandes palcos do país

Tempo de leitura: 6 minutos

Tem uma cidade na Baixada Santista que mandou muito bem em um dos palcos mais disputados da dança brasileira. 

E essa cidade é Praia Grande!

A Lapidari Companhia de Dança, formada na cidade, conquistou o título de Melhor Grupo da 43ª edição do Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina.


Foto: @balletemfoco

O nome pode parecer familiar para quem acompanha a cena cultural da região. Afinal, a companhia participa do festival há anos e mantém uma presença constante entre os grupos selecionados.

Em 2026, porém, o resultado veio em outra escala.

A Lapidari terminou a competição com sete primeiros lugares, três segundos e dois terceiros. Além disso, teve duas bailarinas indicadas ao prêmio de Melhor Bailarina. A companhia também conquistou o prêmio de Melhor Coreógrafa(o) com Márcia Sguelia e Marcos Sanches, pela obra “Petrichor”. O Festival confirmou oficialmente a Lapidari como Melhor Grupo da edição.

O palco dura alguns minutos. O trabalho, o ano inteiro

Quem assiste a uma apresentação vê alguns minutos de música, movimento, figurino e coreografia.

Quem dança sabe que existe uma grande dedicação de trabalho escondida nesses minutos.

Na Lapidari, a preparação acontece durante todo o ano. Os bailarinos treinam ballet clássico, jazz, dança contemporânea, danças urbanas e sapateado.

Quando Joinville se aproxima, a rotina ganha outra intensidade.

Entram finais de semana, ensaios aos domingos, repetição de coreografias e horas dentro das salas.

E existe uma particularidade que costuma desaparecer quando se olha apenas para o resultado: esses bailarinos também estudam, trabalham, convivem com suas famílias e têm uma vida fora do palco.

“É uma rotina muito intensa e exige comprometimento de todos. A dança precisa encontrar espaço dentro de tudo isso”, explica Carlos Henrique Damasceno, diretor comercial da Lapidari.

A companhia está há cinco anos consecutivos entre as escolas com maior número de trabalhos aprovados para o Festival de Dança de Joinville, segundo a Lapidari.

E chegar até lá já é uma competição por si só.

A edição de 2026 aconteceu entre 20 de julho e 1º de agosto e reuniu diferentes modalidades, incluindo ballet, jazz, dança contemporânea, danças urbanas e sapateado.

O Guinness World Records reconhece o Festival de Dança de Joinville como o maior festival de dança do mundo em número de participantes. O recorde registrado pelo Guinness foi estabelecido em 2002, com 4 mil participantes.

É nesse tamanho de festival que uma companhia de Praia Grande colocou seu nome no topo.

Antes de 2026

A conquista deste ano também passa pelos resultados anteriores.

Em 2024, a Lapidari ficou a um ponto do título de Melhor Grupo. Em 2025, teve a maior pontuação do festival, mas não levou o prêmio porque, segundo a companhia, o regulamento exigia pelo menos um conjunto classificado em primeiro lugar.

Esses resultados serviram para orientar o trabalho seguinte.

“Acho que o mais importante foi transformar a frustração em motivação”, conta Carlos.

A partir daí, vieram mais ensaios, mais correções e uma cobrança ainda maior por evolução.

Mas existe uma palavra importante nessa história: o coletivo.

A premiação de Melhor Grupo não considera apenas uma coreografia. Ela reconhece o desempenho da companhia dentro da competição.

Por isso, professores, coreógrafos, ensaiadores e bailarinos precisavam caminhar na mesma direção.

“Ninguém ganha um prêmio de Melhor Grupo sozinho. Foi realmente um trabalho coletivo e construído ao longo de vários anos”, afirma Carlos.

O próprio resultado ajuda a visualizar esse trabalho. Entre as coreografias premiadas da Lapidari estão “Miragem”, “Crisálida”, “La Fille Mal Gardée”, “Petrichor”, “Inkieta” e “Runway”.

E quando a dança começa a pagar as contas?

Existe uma diferença enorme entre ganhar um troféu e conseguir transformar formação artística em oportunidade profissional.

A Lapidari está vendo isso acontecer com seus bailarinos.

Maria Clara Albino conquistou um contrato de 12 meses com a São Paulo Companhia de Dança após participar de uma audição, segundo a companhia. Ryan Nascimento e Luana Ribeiro também receberam premiações em dinheiro pelo desempenho no festival.

O próprio Festival de Joinville realizou, em 2026, uma audição para seu programa Bolsa de Talentos, com seleção de bailarinos para uma experiência profissional de 10 meses junto à São Paulo Companhia de Dança.

Para Carlos, esse tipo de oportunidade tem um efeito que vai além de quem consegue a vaga.

“Ela deixa de ser uma referência distante. É a colega que estava ensaiando na sala ao lado. Isso faz com que os outros jovens olhem e pensem: ‘Eu também posso chegar lá’.”

É uma diferença importante.

Uma criança ou adolescente que começa a dançar em Praia Grande passa a enxergar uma possibilidade concreta de carreira quando vê alguém da própria escola chegar a uma companhia profissional.

A dança deixa de ser apenas atividade extracurricular. Pode virar profissão.

Para entender o tamanho da conquista

Melhor Grupo da 43ª edição do Festival de Dança de Joinville

7 primeiros lugares

3 segundos lugares

2 terceiros lugares

2 indicações ao prêmio de Melhor Bailarina

Melhor Coreógrafa(o) para Márcia Sguelia e Marcos Sanches, por “Petrichor”

Dançando em Praia Grande

A companhia não está apenas colecionando resultados em Joinville. Está formando bailarinos em Praia Grande e criando uma referência local de que é possível sair daqui para disputar grandes palcos.

Carlos resume essa ideia de uma maneira simples:

“Mais do que formar bailarinos para ganhar festivais, queremos formar artistas e dar ferramentas para que eles possam, se desejarem, transformar a dança em profissão.”

A frase também ajuda a colocar a conquista em perspectiva.

A Lapidari não apareceu em Joinville por acaso. Existe uma estrutura de formação, uma equipe e uma rotina que sustentam esse resultado.

E há outro dado curioso: a própria programação oficial do Festival mostra a presença da companhia em diferentes categorias da competição. Em 2026, a Lapidari conquistou primeiros lugares em trabalhos de jazz, ballet clássico de repertório e ballet neoclássico, entre outros resultados.

Ou seja, não foi uma única coreografia que colocou Praia Grande no topo. Foi um conjunto.

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Vitor Fagundes
Texto por

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