Lapidari Companhia de Dança coloca Praia Grande no topo
Companhia conquista o prêmio de Melhor Grupo no Festival de Dança de Joinville e mostra como a formação local pode levar bailarinos aos grandes palcos do país
Tem uma cidade na Baixada Santista que mandou muito bem em um dos palcos mais disputados da dança brasileira.
E essa cidade é Praia Grande!
A Lapidari Companhia de Dança, formada na cidade, conquistou o título de Melhor Grupo da 43ª edição do Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina.

Foto: @balletemfoco
O nome pode parecer familiar para quem acompanha a cena cultural da região. Afinal, a companhia participa do festival há anos e mantém uma presença constante entre os grupos selecionados.
Em 2026, porém, o resultado veio em outra escala.
A Lapidari terminou a competição com sete primeiros lugares, três segundos e dois terceiros. Além disso, teve duas bailarinas indicadas ao prêmio de Melhor Bailarina. A companhia também conquistou o prêmio de Melhor Coreógrafa(o) com Márcia Sguelia e Marcos Sanches, pela obra “Petrichor”. O Festival confirmou oficialmente a Lapidari como Melhor Grupo da edição.
O palco dura alguns minutos. O trabalho, o ano inteiro
Quem assiste a uma apresentação vê alguns minutos de música, movimento, figurino e coreografia.
Quem dança sabe que existe uma grande dedicação de trabalho escondida nesses minutos.
Na Lapidari, a preparação acontece durante todo o ano. Os bailarinos treinam ballet clássico, jazz, dança contemporânea, danças urbanas e sapateado.
Quando Joinville se aproxima, a rotina ganha outra intensidade.
Entram finais de semana, ensaios aos domingos, repetição de coreografias e horas dentro das salas.
E existe uma particularidade que costuma desaparecer quando se olha apenas para o resultado: esses bailarinos também estudam, trabalham, convivem com suas famílias e têm uma vida fora do palco.
“É uma rotina muito intensa e exige comprometimento de todos. A dança precisa encontrar espaço dentro de tudo isso”, explica Carlos Henrique Damasceno, diretor comercial da Lapidari.
A companhia está há cinco anos consecutivos entre as escolas com maior número de trabalhos aprovados para o Festival de Dança de Joinville, segundo a Lapidari.
E chegar até lá já é uma competição por si só.
A edição de 2026 aconteceu entre 20 de julho e 1º de agosto e reuniu diferentes modalidades, incluindo ballet, jazz, dança contemporânea, danças urbanas e sapateado.
O Guinness World Records reconhece o Festival de Dança de Joinville como o maior festival de dança do mundo em número de participantes. O recorde registrado pelo Guinness foi estabelecido em 2002, com 4 mil participantes.
É nesse tamanho de festival que uma companhia de Praia Grande colocou seu nome no topo.
Antes de 2026
A conquista deste ano também passa pelos resultados anteriores.
Em 2024, a Lapidari ficou a um ponto do título de Melhor Grupo. Em 2025, teve a maior pontuação do festival, mas não levou o prêmio porque, segundo a companhia, o regulamento exigia pelo menos um conjunto classificado em primeiro lugar.
Esses resultados serviram para orientar o trabalho seguinte.
“Acho que o mais importante foi transformar a frustração em motivação”, conta Carlos.
A partir daí, vieram mais ensaios, mais correções e uma cobrança ainda maior por evolução.
Mas existe uma palavra importante nessa história: o coletivo.
A premiação de Melhor Grupo não considera apenas uma coreografia. Ela reconhece o desempenho da companhia dentro da competição.
Por isso, professores, coreógrafos, ensaiadores e bailarinos precisavam caminhar na mesma direção.
“Ninguém ganha um prêmio de Melhor Grupo sozinho. Foi realmente um trabalho coletivo e construído ao longo de vários anos”, afirma Carlos.
O próprio resultado ajuda a visualizar esse trabalho. Entre as coreografias premiadas da Lapidari estão “Miragem”, “Crisálida”, “La Fille Mal Gardée”, “Petrichor”, “Inkieta” e “Runway”.
E quando a dança começa a pagar as contas?
Existe uma diferença enorme entre ganhar um troféu e conseguir transformar formação artística em oportunidade profissional.
A Lapidari está vendo isso acontecer com seus bailarinos.
Maria Clara Albino conquistou um contrato de 12 meses com a São Paulo Companhia de Dança após participar de uma audição, segundo a companhia. Ryan Nascimento e Luana Ribeiro também receberam premiações em dinheiro pelo desempenho no festival.
O próprio Festival de Joinville realizou, em 2026, uma audição para seu programa Bolsa de Talentos, com seleção de bailarinos para uma experiência profissional de 10 meses junto à São Paulo Companhia de Dança.
Para Carlos, esse tipo de oportunidade tem um efeito que vai além de quem consegue a vaga.
“Ela deixa de ser uma referência distante. É a colega que estava ensaiando na sala ao lado. Isso faz com que os outros jovens olhem e pensem: ‘Eu também posso chegar lá’.”
É uma diferença importante.
Uma criança ou adolescente que começa a dançar em Praia Grande passa a enxergar uma possibilidade concreta de carreira quando vê alguém da própria escola chegar a uma companhia profissional.
A dança deixa de ser apenas atividade extracurricular. Pode virar profissão.
Para entender o tamanho da conquista
Melhor Grupo da 43ª edição do Festival de Dança de Joinville
7 primeiros lugares
3 segundos lugares
2 terceiros lugares
2 indicações ao prêmio de Melhor Bailarina
Melhor Coreógrafa(o) para Márcia Sguelia e Marcos Sanches, por “Petrichor”
Dançando em Praia Grande
A companhia não está apenas colecionando resultados em Joinville. Está formando bailarinos em Praia Grande e criando uma referência local de que é possível sair daqui para disputar grandes palcos.
Carlos resume essa ideia de uma maneira simples:
“Mais do que formar bailarinos para ganhar festivais, queremos formar artistas e dar ferramentas para que eles possam, se desejarem, transformar a dança em profissão.”
A frase também ajuda a colocar a conquista em perspectiva.
A Lapidari não apareceu em Joinville por acaso. Existe uma estrutura de formação, uma equipe e uma rotina que sustentam esse resultado.
E há outro dado curioso: a própria programação oficial do Festival mostra a presença da companhia em diferentes categorias da competição. Em 2026, a Lapidari conquistou primeiros lugares em trabalhos de jazz, ballet clássico de repertório e ballet neoclássico, entre outros resultados.
Ou seja, não foi uma única coreografia que colocou Praia Grande no topo. Foi um conjunto.